Gestão de neurônios
por Ne Oliveira*

Você sabe o que se passa na cabeça dos seus funcionários? Não que você precise ler o pensamento deles, pois aí já seria invasão de privacidade! Estou falando de capital intelectual, fator decisivo para o crescimento da sua empresa, e do quanto é importante você promover o desenvolvimento das potencialidades dos seus recursos humanos.

Inúmeras pesquisas da neurociência comprovam que podemos ganhar maior agilidade, força, equilíbrio e flexibilidade mental se soubermos como exercitar nossos neurônios. Ter, portanto, um cérebro sempre jovem e preparado para vencer os diversos desafios que a vida nos impõe diariamente é só uma questão de treino.

Lawrence C. Katz e Manning Rubin desenvolveram estudos sobre a neuróbica, um programa de exercícios para ativar os circuitos neurais e estimular a produção de nutrientes que desenvolvem os neurônios, fazendo com que eles mantenham-se saudáveis por muito mais tempo do que se pensava antigamente.

No livro "Mantenha seu Cérebro Vivo", os autores propõem exercícios neuróbicos para serem realizados ao longo do dia. Quebra de rotina é uma das regras da neuróbica, pois ao modificarmos a forma como fazemos uma coisa, nossos neurônios precisam se adaptar ao novo contexto. Exemplo básico: experimente escovar os dentes com sua mão não dominante, pois assim estimulará novas conexões neurais. Ocorre que seu cérebro precisa mobilizar energia para vencer um desafio, e isso estimula a produção de neurotrofinas, as quais são responsáveis pelo crescimento dos neurônios. Treinar o ambidestrismo, portanto, é um excelente exercício para os neurônios. E isso você pode fazer várias vezes ao longo do dia, tanto em atividades simples (conforme exemplificado anteriormente) a outras mais complexas, como escrever ou desenhar.

Nos Estados Unidos, o Dr. Lawrence C. Katz, professor de neurobiologia no Centro Médico da Universidade Duke e pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes, identificou o efeito das neurotrofinas sobre o crescimento das células nervosas, trabalho este que foi amplamente reconhecido pela comunidade científica.

Outro especialista no assunto é o Dr. John J. Ratey, neuropsiquiatra e professor da clínica psiquiátrica da Escola Médica de Harvard, autor do livro "Cérebro, Um Guia para o Usuário". Segundo ele, "existem mais formas possíveis de conectar os neurônios do que átomos no universo." São tantas as combinações possíveis de circuitos neurais interligando as áreas especializadas do córtex, que o ser humano, habituado à rotina das atividades diárias, acaba utilizando apenas uma ínfima parte do seu potencial cerebral. Temos um manancial de riquezas dentro da nossa própria cabeça, todavia nem sempre sabemos aproveitá-lo. É como ter a faca e o queijo na mão, mas não saber cortar.

Conhecida há mais tempo, a cinesiologia aplicada, que começou na área da saúde com o Dr. Goodheart, em 1964, e depois se estendeu para a área da educação, também bate nessa mesma tecla. Enquanto a neuróbica promove a estimulação sensorial para ativar conexões neurais, a cinesiologia trabalha movimentos corporais para equilibrar os hemisférios cerebrais e desenvolver a capacidade de aprendizado.

Inspirada em tudo isso, tive a idéia de combinar a neuróbica com algumas técnicas de cinesiologia, jogos e vivências grupais para trabalhar o aperfeiçoamento de competências intelectuais e inteligência emocional. Essa combinação resultou nos Grupos de Neuróbica, mini-workshops periódicos e totalmente vivenciais, voltados ao desenvolvimento de recursos humanos.

Os grupos fazem parte do High-fitness, programa de ativação cerebral para desenvolver competências, cuja metodologia inclui um instrumento diagnóstico, chamado STARTEST. O propósito deste instrumento é mensurar a dinâmica do pensamento e revelar para onde a pessoa direciona mais energia, mostrando assim quais potencialidades ela possui mais desenvolvidas e quais podem ser otimizadas através de exercícios para os neurônios.

O nome STARTEST significa teste da estrela, pois o resultado é expresso através de uma estrela de oito pontas, cada uma delas representando uma das potencialidades do pensamento (relaxamento, alongamento, força, flexibilidade, resistência, agilidade, equilíbrio e coordenação). Bem distante do conceito de quociente intelectual, este teste indica como o indivíduo lida com as múltiplas inteligências que possui e quais papéis desempenha melhor nos diversos cenários cotidianos. A propósito, daí vem o segundo significado de "star" (estrela de cinema, já que somos protagonistas do filme da nossa vida).

Nos Grupos de Neuróbica o lúdico aparece atrelado ao treino perceptivo, tornando as atividades mais eficazes na estimulação cerebral. Ao todo são realizadas 32 sessões com duração de 40 a 50 minutos, durante as quais são aplicadas técnicas individuais e grupais, com os seguintes objetivos: aguçar os sentidos na percepção de si mesmo e do meio, aumentar o poder de concentração, fortalecer a memória, despertar a criatividade, maximizar o potencial de abstração, aprimorar a fluência verbal, acelerar o raciocínio lógico, otimizar a habilidade de estruturar idéias para planejar ações, estimular o uso racional do tempo na consecução de metas, motivar para a ação e superação de desafios, incentivar a capacidade adaptativa frente ao inesperado, facilitar o processo decisório, melhorar a comunicação interpessoal, fomentar a solidariedade no trabalho em equipe e promover o bom humor.

As técnicas neuróbicas aplicadas nos mini-workshops e sugeridas para o dia-a-dia trabalham bastante a percepção dos sentidos porque são eles os nossos meios de comunicação com tudo o que nos rodeia. Sabendo usar o microcosmo que temos na cabeça, entramos em sintonia com o macrocosmo, pois quando transmitimos energia positiva para o universo, ele conspira a nosso favor.

No ambiente empresarial, a fórmula é a mesma, pois trabalhar em sintonia com clientes internos e externos resulta em conexões lucrativas para a organização. E, estando em sintonia com o mercado, ele conspira a favor da empresa.

*Ne Oliveira é psicóloga e tem mais de 10 anos de experiência em Recursos Humanos. Hoje atua como consultora autônoma nas áreas de Treinamento e Desenvolvimento e orientação profissional.

 

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