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A formação do profissional de RH em debate
por Glaucia Teixeira*
A atração e contratação dos melhores profissionais de mercado são estratégicas para qualquer companhia que entende que, sem as melhores pessoas, não há o melhor negócio. Fatores que contribuem para o processo: marca forte, profissionais de excelente reputação em posições chaves na empresa e solidez financeira. Mas, estes fatores não são garantia de sucesso, se Recursos Humanos, que é a "porta" de entrada da empresa, não estiver preparado para fomentar uma primeira conversa ou, como muitos dizem, uma entrevista, desafiadora. Em que sentido? Conhecendo e discutindo o negócio da empresa, seus competidores, missão, visão, valores, enfim o direcionamento estratégico da empresa.
O dilema: Como preparar os profissionais que atuam em Recursos Humanos e que, até há pouco tempo, cuidavam basicamente do departamento pessoal? Quem nunca passou por uma entrevista em inglês, para citar uma competência requerida pelas principais companhias americanas, em que o entrevistador não tinha desenvoltura na língua? Ou, ainda, onde o entrevistador não conseguia informar a receita da empresa, publicada em todos os anuários do último ano? Ou, então, onde não se fez nenhuma pergunta sobre orientação para o cliente e foco nos resultados? Que atire a primeira pedra quem não tem conhecimento sobre esta situação.
Conhecer as competências requeridas, tanto para os colaboradores individuais quanto para posições de liderança, com seus respectivos comportamentos desejados, é obrigação de Recursos Humanos. E quando digo "conhecer" significa saber, de cor, quais as competências que valorizamos para a contratação de um talento no mercado e, num processo de desenvolvimento, promovê-lo e retê-lo.
A experiência generalista conta pontos nessa hora. É comum, entre as consultorias especializadas em contratação, que a busca e seleção de talentos seja feita por engenheiros, para cargos técnicos, por exemplo, e por profissionais que tiveram uma carreira de sucesso em um segmento de mercado, que tragam o conhecimento do negócio e a rede de relacionamentos para que estes processos sejam bem-sucedidos.
A formação especialista é a mais comum em muitas empresas. Um padrão em vigor é o do psicólogo que tem bagagem em "captar" comportamentos, subsidiado por ferramentas que contribuam para esta, digamos, novamente entre aspas, "captação". Mas o que fazer quando os cargos em aberto são extremamente técnicos? Contar com o suporte técnico de especialistas das áreas contratantes, que tenham habilidades desenvolvidas para a avaliação do conhecimento necessário? Ou buscar e contratar, como recentemente fizemos, uma profissional que é engenheira e psicóloga - o melhor dos mundos!
Para avaliar, é necessário conhecer. E para conhecer, é fundamental se reciclar todo o tempo. O método não é o mais importante, pode ser através de leitura, cursos on-line, presenciais, conversa com pares, líderes, colegas de mercado. A informação está disponível para todos, em todos os lugares. É responsabilidade de cada um buscar seu próprio desenvolvimento. Se preparar, para poder... avaliar.
E dar a opção ao nosso interlocutor, àquele talento que necessitamos para a excelência de nosso negócio, de nos escolher. Tem recompensa melhor?
* Glaucia Teixeira é diretora de Recursos Humanos da EDS Brasil. A executiva é formada em Relações Públicas pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos, com MBA, pela USP, nessa mesma especialidade.
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