Gestão de pessoas e a Geração Y (10.04.07)
É preciso aprender a gerenciar os novos
profissionais
que chegarão ao mercado
Por Deise Cristina Engelmann*
O gerenciamento das pessoas nas organizações apresenta novamente uma necessidade de reformulação, o que é um reflexo da mudança dos valores sociais.
Lemos as notícias sobre a violência na imprensa todos os dias. Pensamos sobre o risco do aquecimento global. Refletimos sobre a sociedade que estamos construindo para nossos filhos e netos.
Essa reflexão passa pelo ambiente organizacional, que é causa e efeito das mudanças sociais que vivemos: como prepararemos nosso ambiente de trabalho para a futura geração?
Quando falamos dos nossos filhos e netos, estamos falando da Geração Y, foco de pesquisa em várias partes do mundo.
A Geração Y é aquela que, enquanto você lê este artigo, está se divertindo com jogos eletrônicos, em que os estímulos e a necessidade de ação são rápidos e não existe uma “resposta certa”. Cada nível do jogo apresenta novos desafios e situações nunca vivenciadas antes. Eles cresceram usando a Internet e surpreendem com informações inesperadas sobre os mais variados temas. Adoram celular, e-mail, MSN, blogs e torpedos, que parecem escritos em código.
Pesquisas mostram que a nova geração adora atenção, tem foco no curto prazo e acredita na mudança constante. Não aceita bem regras pré-estabelecidas e considera natural trocar muitas vezes de trabalho.
Professores buscam hoje formas de gerenciar a Geração Y nas salas de aula. O mesmo desafio está com os pais. E as organizações?
Haverá, nos próximos anos, um choque de gerações, caso não tenhamos repensado nosso ambiente de trabalho. A Geração X, que hoje atua nas organizações, é capaz de gerar resultados por meio de processos estabelecidos, regras claras, usando experiência profissional e de vida. A Geração Y chega trazendo respostas rápidas, utilizando recursos de informática com excelência e sendo capaz de criar novas soluções.
Cada organização precisará encontrar sua resposta para o futuro da Gestão de Pessoas se quiser contar com representantes da nova geração (Geração Y) sem perder os talentos da geração que está aí (Geração X). Cada líder precisará repensar a sua forma de gerenciar pessoas.
A solução passa pela flexibilização dos modelos organizacionais, permitindo que a Geração X e a Geração Y possam utilizar o que têm de melhor e serem complementares – fonte de grande vantagem competitiva e aprendizagem mútua.
Os profissionais de Gestão de Pessoas poderão contribuir muito com esse processo por meio de ferramentas de aprendizagem organizacional que facilitem a integração entre gerações. Espaços de negociação e diálogo serão necessários.
É valido lembrar que todos nós, independentemente de geração, precisaremos continuar investindo em autodesenvolvimento para acompanhar e liderar as mudanças no mundo.
As palavras-chave para o futuro da Gestão de Pessoas são ética, autodesenvolvimento, negociação, aprendizagem contínua e autonomia.
*Deise Cristina Engelmann é consultora de Gestão de Pessoas.
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