Jogo futurista é usado como ferramenta de T&D nas empresas
por Camila Micheletti
Você vai precisar de roupas e óculos especiais, capacete e uma pistola a laser. Não é nenhum preparativo para ir à guerra: é o início do Laser Shots, jogo utilizado para o treinamento e desenvolvimento de pessoas e que pode avaliar e trabalhar as competências que você quiser na sua equipe, de liderança e motivação à crise e planejamento estratégico.
O Laser Shots começou a ser utilizado como ferramenta de T&D na área de RH no início de 2002, para o treinamento dos funcionários da Sul América Capitalização. Para Renata Xisto, analista de RH da empresa e profissional que desenhou as necessidades do RH para serem adaptadas ao software, o grande diferencial do jogo é poder utilizar da brincadeira e da descontração que o jogo permite para transmitir conceitos de liderança, trabalho em equipe, ou outra competência que a empresa acha que precisa ser trabalhada. "Como já tinha jogado, vi no Laser Shots uma ótima forma de sair da mesmice dos treinamentos, que quase sempre começam e terminam na sala de aula, com um instrutor falando e os funcionários ouvindo. O ideal é você pegar itens trabalhados no jogo e colocar no dia-a-dia da empresa. Se você faz poucos disparos, por exemplo, pode mostrar que você tem pouca assertividade no trabalho, ou mesmo não está se dedicando às tarefas como deveria", explica Renata.
Como o software base do jogo permite adaptações de acordo com as necessidades e intenções de cada empresa, o profissional de RH é quem vai estipular quais as competências que precisam ser trabalhadas no jogo. Renata Xisto explica que a primeira coisa que o profissional de RH deve fazer é identificar que tipo de treinamento você quer fazer e quais os objetivos que pretende atingir. "Antes de mais nada, o profissional deve se perguntar se o Laser Shots atende às suas necessidades. Se a resposta for sim, ele deve questionar o que o jogo pode fazer pela empresa, sem esquecer de que é necessário quebrar um pouco os paradigmas, já que esta é uma forma de T&D inovadora e recente".
Com estas respostas em mente, é hora de ir na empresa e ver como que a necessidade da empresa pode ser trabalhada com o jogo. Renata sugere que o RH visite o local do jogo, faça perguntas, pesquise realmente se o jogo pode servir para o que ele precisa, e como fazer isso na prática. De acordo com Elmo Torquette, diretor comercial da Laser Shots, o jogo serve para todo tipo de empresa, e qualquer área da organização pode praticar, dos operários de chão de fábrica aos diretores.
Recentemente, houve um treinamento de liderança com os gerentes de uma corretora parceira da Sul América, que comercializa os produtos de capitalização. "Primeiro houve a parte teórica, onde mostrei aspectos da liderança situacional, com conceitos baseados na teoria do psicólogo Ken Blanchard. Depois fizemos a prática, com o Laser Shots. É muito bom ver o funcionário expor suas dificuldades, enxergar que precisa trabalhar a questão da liderança e falar o que sente", analisa Renata.
A analista de RH explica que a parte teórica é fundamental, pois dá embasamento para o treinamento e para o jogo. "Senão fica tudo na brincadeira e a atividade perde o sentido". Normalmente, a parte conceitual dura de 40 minutos a uma hora e o jogo dura cerca de 13 minutos. "Mas tudo vai depender da necessidade da empresa, tudo é muito variável", afirma Renata.
Resultados práticos
A profissional de RH da Sul América afirma que é possível medir os resultados concretos deste trabalho através do feedback dos funcionários, que é muito positivo. "A gente percebe que com o uso do lúdico, que é o jogo, as pessoas absorvem muito mais o conceito". Além disso, Renata observa que os profissionais ligam os aspectos do jogo com as atividades e dilemas que enfrentam diariamente na companhia, o que mostra a eficácia do treinamento.
Mas o jogo Laser Shots não é usado somente como ferramenta da área de RH. Também pode ser jogado como uma brincadeira entre amigos. Muitas pessoas podem lembrar-se do Paintball, jogo que usava, no lugar do laser, tinta para atingir as pessoas, e teve seu auge no início dos anos 90. Para Elmo Torquette, "o diferencial é que o Paintball gerava muita violência e agressividade, diferente do Laser Shots, que permite ainda facilidade de adaptação e utilização para outros fins, como no caso do RH". O jogo é uma franquia australiana e foi criado há cinco anos, sendo que está no Brasil há apenas três.
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