A procura do candidato ideal para suas vagas em aberto? Anuncie no Empregos.com.br[close]

Para sua Carreira.

Orientação e dicas para você atingir seus objetivos.



Assédio Moral na empresa: o que fazer?
por Camila Micheletti

Tudo começa com uma simples brincadeira ou piada de mau gosto, avança para uma humilhação e pode tomar proporções asustadoras. Situações como essas, quando realizadas repetidamente e com a mesma pessoa, podem caracterizar o assédio moral.

O assédio moral no trabalho envolve duas pessoas que trabalham na mesma empresa, mas que não precisam ser necessariamente o chefe e o subordinado: o assediador - pessoa que pratica o assédio e arruma um motivo para humilhar e constranger a outra pessoa - e o assediado. Segundo Marília Christovam, sócia-diretora da Eqüânime, consultoria especializada em desenvolvimento gerencial e formação de equipes, a relação de poder está presente em todos os casos de assédio moral. "Pode ser pelo conhecimento, por que uma pessoa sabe mais que a outra e não quer passar as instruções; por ser uma pessoa importante na empresa e "amiga" da diretoria; e, finalmente, pelo cargo, no caso do assediador ter uma posição superior e fazer uso disso para humilhar e constranger o seu colega de trabalho. Junta-se um desses fatores, a competitividade e pressão por resultados no trabalho e um toque de perversidade e pronto: está instalado o assédio moral", afirma Marília.

Apesar do assunto estar muito em voga ultimamente, o assédio moral existe há muito tempo e é tão antigo quanto o próprio trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema é recente no Brasil, tendo ganhado força com a repercussão da publicação na França do livro de Marie France Hirigoyen "Harcelement Moral: la violence perverse au quotidien" e que no Brasil ganhou o título "Assédio moral: a violência perversa no cotidiano", publicado pela Editora Bertrand em 2000. Desde então, as empresas começaram a ter consciência da ameaça que o assédio moral representa para a própria imagem e os lucros da organização. "A empresa também é prejudicada. A produtividade cai, o ambiente fica pesado, além do custo de contratar novos funcionários, no caso dos envolvidos serem dispensados. É um custo bem maior do que se pensa. E, se por ventura o caso ultrapassar os muros da empresa, a imagem da companhia também sai bastante arranhada", explica Mauro de Moura, médico do trabalho da Delegacia Regional de Porto Alegre/RS e especialista em assédio moral.

De acordo com os dois especialistas, o profissional de RH deve seguir algumas instruções antes, durante e depois de identificar o assédio moral na empresa. Confira o que deve ser feito, passo-a-passo:

  • Trabalhe insistentemente para que exista um clima saudável na empresa
  • Invista no relacionamento entre os seus funcionários. Promova jogos, happy hours e viagens para que exista esta interação, para assim tirar um pouco do stress do dia-a-dia e melhorar a comunicação entre todos os membros da equipe
  • Estabeleça um código de conduta que deve ser seguido por todos os colaboradores. Empresas transparentes têm menos chances de sofrer com esse problema daquelas onde tudo é feito por debaixo dos panos.
  • Reconheça que isso possa existir na sua empresa
  • Crie um canal para que o funcionário possa denunciar que sofre de assédio moral e esteja predisposto a ouvi-lo
  • Converse com as partes envolvidas separadamente e depois em conjunto, para saber a visão de ambas sobre o caso
  • Crie um mecanismo de negociação entre o assediado e o assediador e tente um acordo coletivo
  • Recorra aos advogados como último recurso entre as partes, no caso de não conseguir entrar em um acordo informal
  • Se for necessário, é importante encaminhar o assediador para um tratamento psicológico ou até mesmo psiquiátrico

Mas qual seria o perfil do assediador? É possível identificá-lo antes que algo de pior aconteça? A consultora Marília Christovam dá algumas dicas sobre aspectos da personalidade e comportamento da pessoa que pratica o assédio moral:

  • tem facilidade para manipular as pessoas
  • sabe identificar quem é o mais fraco, que vai abaixar a cabeça perante os seus insultos
  • tem índices de perversidade
  • tem intenção firme de constranger ou humilhar a vítima
  • trata todas as pessoas da empresa da mesma forma, e só o assediado recebe um tratamento diferenciado

Uma denúncia ou acusação de assédio moral é muito pesada e pode gerar muitos problemas para a empresa e os envolvidos. Portanto, antes de mais nada é preciso muita cautela, para não ocorrer pré-julgamentos. Para Deise Neves Boltelho Resende, advogada trabalhista especialista em Relações do Trabalho e colunista do Empregos.com.br, o assédio moral precisa estar muito bem fundamentado. "Na minha opinião, a primeira atitude que o empregado deve tomar é tentar conversar com o chefe e ver o que está acontecendo. Muitas vezes o chefe nem percebe que está destratando o funcionário, e uma conversa franca e adulta pode sanar o problema, evitando que ele chegue até o RH, depois vá para a Justiça e o caso tome proporções bem maiores do que o esperado".

Mas, quando o caso de assédio chegar nas mãos do Departamento de Recursos Humanos, a sugestão da advogada é: investigue. Converse com os colegas de trabalho, com as partes envolvidas, levando sempre em conta a ética do trabalho. Não privilegie a vingança e veja o assédio moral dentro da conjuntura da empresa e do setor em que ela atua. A organização passou ou vai passar por um processo de reestruturação? Vários funcionários têm-se mostrado mais irritados e emocionalmente abalados? Essas questões se fazem necessárias para que se analise o problema dentro de um contexto, e não como um fator isolado. "Eu acredito que as empresas deveriam ter um treinamento e suporte psicológico para a área de Recursos Humanos, por que uma denúncia séria como essa pode comprometer e muito a imagem da empresa no mercado. Não esqueça que a vítima vai responsabilizar a empresa, e não o assediador, pelo assédio moral. O nome da organização é a primeira coisa que vem à cabeça nessa hora, e daí para o funcionário espalhar isso para quem quiser, é um pulo", conclui Deise.

 

Receba informações no seu e-mail sobre RH e o mundo corporativo