
Por Silvio Celestino*
Apesar das oportunidades ocorrerem com forma e intensidade diferentes, dependendo do mercado, a avaliação geral é que 2007 foi um ano generoso com o Brasil - e excepcionalmente generoso com seu despreparado governo.
Entretanto ao fazer o treinamento de executivos para a liderança - processo chamado de coaching executivo - alguns temas me chamaram a atenção e sugiro a todos pensar a respeito.
O primeiro é a quantidade de estresse que está disseminado pelas empresas. Curiosamente isto está ocorrendo em organizações bem-sucedidas no mesmo nível daquelas que passam por sérias dificuldades. O resultado é ver os executivos - por vezes em postos-chave - indo parar no hospital para resolver suas dores nas costas, no coração, problemas gastrintestinais e Síndrome do Pânico, entre outros.
Falando sobre esta síndrome, um gerente em tratamento mostrou-me alguns números alarmantes de como os executivos estressados estão três vezes mais sujeitos a ela do que os demais profissionais. As mulheres são duas vezes mais suscetíveis. Imagino que a proporção entre executivos estressados e serenos é a mesma dos candidatos à vaga no vestibular de Jornalismo: 50 para 1.
Neste caso, repensar o sucesso de forma homogênea é um bom caminho para 2008. Se a independência financeira tornar-se a única meta a ser perseguida, pode ser insuficiente para você como ser humano. Seu lazer, sua família, seu par, sua maturidade espiritual, tudo isto faz parte de sua vida, pense em uma forma de sucesso na qual todas estas dimensões estejam incluídas.
Falando ainda sobre ser bem-sucedido, olhar 2007 nos faz refletir sobre a quantidade de cenas que vimos na TV de corruptos se enaltecendo de seus feitos. Quanto mal isto faz aos nossos jovens? Para cada político corrupto que se dá bem em suas artimanhas, centenas de indivíduos são presos e milhares têm uma vida errática formada pela ilusão de que ações ilegais valem à pena, e que é mais fácil roubar do que trabalhar honestamente para se chegar lá.
Quem sabe 2008 será um bom ano para você pensar em que ponto está na sua carreira e onde irá parar se continuar a seguir a direção em que está indo. Será que você de fato está na direção em que deseja?
Uma ação interessante neste caso é o sabático - o período de descanso. É uma oportunidade e tanto para você parar de fazer e entrar em contato com sua essência: você é um ser humano, portanto, pare de se comportar como um "fazedor humano".
É verdade que precisamos de pessoas que façam acontecer. Diga-se de passagem, o Brasil é campeão mundial em barreiras para que fiquemos todos parados, pois é só ver nossa posição no ranking de pior legislação tributária: estamos em último. Entretanto, se sua vida for preenchida só de afazeres sem tempo para refletir, conversar e principalmente estar com pessoas importantes para você, talvez esteja precisando rever suas prioridades.
Completar ciclos antigos, iniciar novos, ser bem-sucedido, rever prioridades, adotar princípios elevados em sua vida, descansar, estar com aqueles que ama são orientações que vão além do ano que se inicia, podem ser dicas para uma vida inteira.
Entretanto, ainda penso que há pessoas demais dando orientações demais para algo que terá de descobrir sozinho: como ser você. Neste caso, é preciso ir além do conhecimento clássico e adotar uma forma de desenvolver-se muito utilizada no coaching de vida: criar suas próprias formas de ser você mesmo e de, acima de tudo, existir como nenhuma pessoa existiu e como nenhuma outra jamais existirá.
Em 2008 faça de sua vida esta grande e singular aventura. Vá em frente!
*Silvio Celestino é autor do livro Conversa de elevador - Uma fórmula de sucesso para sua carreira , coach de executivos, diretor da Enlevo, vice-presidente do chapter São Paulo da Federação Internacional de Coaches.
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