Você está preparado para o change management?
Como líderes podem lidar com a resistência de colaboradores às mudanças repentinas nos procedimentos da empresa


Por Paulo Chebel*

Quantos de nós já não participamos de reuniões com os nossos gerentes ou diretores para que fossemos informados de que passaríamos por um  change management , ou seja, uma mudança na empresa que atingiria todos os funcionários e seu modo de atuação em suas atividades diárias.  Na maioria das vezes, esta mudança precisa moldar-se à famosa cultura da empresa e quebrar paradigmas.  Seja qual for o motivo – redução de custo, melhoria de desempenho, satisfação de clientes, adequação a normas ou regulamentações, etc –, na maioria das vezes a mudança ocorre por imposição da alta gerência e, durante sua implantação, recebe uma força contrária de igual intensidade chamada  “ resistência à mudança ” . 

Esta sempre existente resistência dos colaboradores é explicada pelas próprias características do ser humano. Tememos o que não conhecemos e, como se isso não fosse o suficiente, muitas vezes pressentimos nessas mudanças a possibilidade de perder poder, conhecimento e estabilidade. O principal argumento dos resistentes é  “ faço assim há dez anos e sempre funcionou. Por que mudar agora? ” .

É perfeitamente normal esperar esse tipo de reação dos colaboradores. O problema é quando os líderes não sabem como lidar com essa resistência. Nesses casos, corre-se o risco da organização perder o controle e, além de não conseguir aplicar as mudanças necessárias, desmotivar a equipe. 

Existem formas de minimizar essa ação, e uma delas é o alinhamento das competências do capital humano à gestão dos processos de negócios. Quando a metodologia de gestão de processos é aplicada corretamente, as pessoas passam a entender melhor a estratégia da empresa, a sua cadeia de valor e a perceber se os processos em que estão envolvidos – bem como nos que participam áreas de apoio, fornecedores ou clientes internos – estão de acordo com o planejamento estratégico da empresa.

Entendendo as necessidades dos negócios, passaremos a nos envolver na tomada de decisão, nas atividades que afetam os processos em que estamos atuando. Quando este estágio é atingido, qualquer mudança que se faça necessária nos processos contará com a participação de todos envolvidos, fazendo com que se sintam parte e donas da solução, e acabam dessa forma contaminando a empresa positivamente para a necessidade de mudança.  Esta contaminação é mais que progressiva, é exponencial.

Ao contrário de um sentimento injustificado de perda de poder, de conhecimento e de estabilidade, os envolvidos passam a ter uma integração maior no processo em que atuam, sabendo conseqüentemente qual é o impacto das atividades que realizam com relação às outras áreas e ao cliente.  Isso só ocorre porque a gestão por processos permite às pessoas desenvolverem uma visão sistêmica, que teoricamente inicia e termina no cliente, garantindo assim uma participação eficiente e eficaz no trabalho da equipe as quais pertencem, bem como um saudável compartilhamento do sucesso.

*Paulo Chebel é professor e consultor da Business Processes School do Insadi (Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual).


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