Entrevista - André Pitkwoski
Security Officer da PL Alcoran
por Renata Marucci
Aos 46 anos, o carioca André Pitkwoski acaba de assumir o cargo de Security Officer da PL Alcoran - empresa especializada em Tecnologia da Informação - o que considera um passo importante em sua carreira. Após 11 anos de atuação na área técnica, no desenvolvimento de antivírus e outros três na área de processos de segurança da informação, ele faz um balanço para o Empregos.com.br do caminho que percorreu até aqui.
Empregos.com.br - Como começou a trabalhar na área de tecnologia?
André Pitkwoski - Na década de 70, Engenharia Civil era uma das carreiras mais promissoras e o mercado da construção civil vivia um "boom". Percebi aí uma boa oportunidade de carreira e decidi me tornar engenheiro civil. Estava estudando na Universidade Gama Filho, mas o dinheiro estava curto e precisei trabalhar para pagar o curso. Meu primeiro emprego foi como operador de computador na geração de folhas de pagamento.
Empregos.com.br - Depois desse emprego, o que aconteceu até você chegar na área de segurança da informação?
André Pitkwoski - Fui promovido a analista de suporte dos antigos computadores mainframe. Trabalhei em uma empresa paulista de engenharia civil, mas também como analista de suporte em mainframe. Nessa mesma empresa, recebi a proposta de trabalhar em São Paulo como responsável pela área de suporte. Como a proposta era boa, decidi aceitar e fiquei até 1985, quando decidi voltar para o Rio de Janeiro. Em 1986, comecei a trabalhar com um amigo que consertava PCs e passei a entender mais sobre a importância de manter a segurança, pois fiquei responsável por solucionar problemas de lógica, como recuperar dados. Foi assim que tudo começou.
Empregos.com.br - Mas de 1986 até hoje, muita coisa deve ter acontecido...
André Pitkwoski - Sim. Em 1989 montei uma pequena empresa e fiquei cada vez mais envolvido com assuntos relacionados a vírus e antivírus. Para que a empresa tivesse chance de crescer, convidei dois amigos para trabalharem comigo: um para cuidar do comercial e outro para administrar a empresa. Tempos depois, éramos os únicos representantes oficiais da McAfee Associates (fabricante do antivírus VirusScan), que em abril de 1997 decidiu comprar a minha empresa. Lá trabalhei como diretor técnico até 1998, quando recebi um convite para integrar, em São Paulo, a equipe da ICSA Inc. (International Computer Security Association), a maior empresa certificadora de segurança em computador do mundo. Quando a organização resolveu fechar sua unidade no Brasil, passei a prestar consultoria de segurança da informação para empresas. Trabalhava com o conceito de Security Offices, desenvolvendo projetos na área de segurança.
Empregos.com.br - E como se tornou o Security Officer da PL Alcoran?
André Pitkwoski - A empresa procurava por um profissional com o meu perfil e fui convidado a trabalhar lá. Em fevereiro deste ano, assumi o cargo de Security Officer e irei preparar a PL Alcoran para prestar consultoria na área de segurança da informação. Serei também responsável pela implantação da norma inglesa de certificação BS 7799. A certificação garantirá que a PL seja reconhecida no mercado como uma empresa preocupada com o aspecto de segurança de seus produtos e serviços. Por tudo isso, minha principal responsabilidade atual é garantir a segurança da informação da PL Alcoran, já que hoje é a minha maior e mais importante cliente e será o cartão de visita junto aos nossos clientes.
Empregos.com.br - Por que o segmento de segurança da informação demorou tanto a ganhar visibilidade no mercado de tecnologia?
André Pitkwoski - O mercado de segurança só começou a ganhar força em 1999, isso porque as pessoas acreditavam que nunca iriam perder suas informações, achavam que todo investimento feito em segurança era um desperdício. Isso acontecia porque as pessoas não faziam idéia do que era segurança e o quanto custava o roubo da informação. Mediam o prejuízo pelo roubo do que era tangível, não tinham noção de como mensurar o roubo da informação. Com o tempo, começaram a perder dados e negócios, sentiam a dor sem saber a causa. Dos Estados Unidos chegaram as primeiras notícias de perdas de dados. A partir dessa nova realidade, foram feitas várias pesquisas para revelar as perdas causadas pela falta de segurança.
Empregos.com.br - E como está a demanda por segurança da informação?
André Pitkwoski - Com a Internet, as empresas passaram a se preocupar muito mais com a segurança da informação, bem como a buscar uma forma de se proteger das constantes investidas dos crackers. Passaram a considerar os gastos com segurança de dados um importante investimento, sendo que antes era uma "despesa desnecessária". E hoje o maior problema do desenvolvimento do setor de segurança é que os profissionais da área ainda não sabem vender a importância da implementação de projetos.
Empregos.com.br - Mas no que consiste um projeto de segurança da informação?
André Pitkwoski - Essa é uma área fascinante que envolve todos os departamentos de uma organização. Os responsáveis pela segurança da informação devem pensar na classificação dos dados, na propriedade, no tráfego da informação. É algo que envolve a parte física da empresa também, pois define áreas de acesso. O projeto é bastante amplo e abrangente, pois 80% dos roubos de informação acontecem de dentro para fora da empresa. É importante desenvolver um plano de continuidade do negócio, prevendo quanto tempo a empresa pode ficar sem funcionar, caso seu sistema seja invadido e/ou derrubado. Para escrever uma política de segurança, você deve se basear na "receita de bolo", mas sempre adaptando-a à realidade e às necessidades da empresa em que o projeto será implementado.
Empregos.com.br - Qual é a função do Security Officer?
André Pitkwoski - A função específica do Security Officer (Oficial da Segurança) é a de manter a informação disponível, segura, autêntica e não permitir que ela vaze.
Empregos.com.br - Agora que você é reconhecido no mercado e tem uma posição de destaque dentro da PL Alcoran, quais são seus planos?
André Pitkwoski - Estou feliz, pois poderei compartilhar com o mercado o conhecimento, a trajetória dos processos de segurança, discutir o futuro do segmento, além de poder intermediar projetos. Sou movido pela realização profissional, quero produzir além do estabelecido, vencendo desafios.