Pronto para o mundo

por Renata Marucci

Diversidade e riqueza de experiências são certamente duas características que as organizações procuram em seus colaboradores. Um dos bons caminhos para que você corresponda a essas expectativas, é investir na construção de uma carreira internacional. Esse é um trunfo valiosíssimo para o seu currículo. Mas o que será preciso fazer para estar pronto para o mundo?

Uma formação sólida em uma instituição séria é indispensável e disso ninguém dúvida. As diferenças começam com o domínio de outros idiomas, experiências no exterior e cursos de especializações, pós-graduações e o tão falado MBA. Será que é isso mesmo?

Antonio Carlos Manfredini, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e coordenador do departamento de Relações Internacionais da Fundação, explica que essas exigências no universo corporativo atual são comuns e pertinentes. "Hoje não é preciso trabalhar no exterior para ter uma carreira internacional. Com a abertura da economia e a globalização, as empresas - e seus profissionais -
são obrigados a interagir com outros países e para isso é preciso lidar com outros idiomas e outras culturas", detalha Manfredini.

Para aprender outros idiomas é essencial ter força de vontade. Claro que quanto antes você puder ter contato com outra língua, melhor. "É mais fácil aprender outros idiomas na infância, mas sempre é tempo e há diversas maneiras", comenta o professor. Escolas, intercâmbios, cursos online, bolsas de estudo de empresas privadas e de instituições governamentais.

Infelizmente, domínio de outro idioma não é tudo. É importante se reciclar se atualizar e a melhor forma de fazer isso ainda é na escola, estudando. Isso porque as instituições oferecem, além de um programa geralmente voltado à suas necessidades, a possibilidade de troca de experiência com outros alunos e com os próprios professores. O curso mais em moda e requisitado é o MBA, que tem características bastante interessantes para o mercado atual, por ser um "formador" de profissionais conscientes e flexíveis. Porém, é preciso ter cuidado. Essa nova onda, fez com que fossem criados muitos MBAs por todo o mundo.

"O MBA hoje é muito importante para ampliar horizontes, mas é fundamental que seja cursado em uma instituição séria, tendo em vista que muitas escolas aproveitaram cursos existentes e trocaram apenas o nome. O aluno acaba por comprar gato por lebre", alerta Manfredini. O professor aconselha os interessados no mestrado a procurar informações sobre os cursos.

Um bom começo são os rankings publicados em revistas, conversas com alunos e ex-alunos e descobrir como o mercado corporativo classifica a instituição. Além disso, você precisa saber que tipo de educação esse curso oferece e outra boa medida são as oportunidades práticas oferecidas. Cursos de boa qualidade fazem o aluno trabalhar muito. Outra medida, segundo Manfredini, são os critério de seleção dos alunos. Quanto mais detalhistas eles forem, maior o sinal de que a instituição é muito procurada e portanto, bem conceituada. Outra característica de bons MBAs é ter processos seletivos demorados, o que significa que a avaliação é rigorosa e que o profissional tem tempo para decidir se realmente está interessado no curso.

O professor lembra que, para a carreira internacional, o que conta mesmo é o tipo de aprendizado e não apenas a sigla do curso. "Às vezes, vale mais fazer um curso de pós-graduação, focado na realidade do profissional, do que um curso que está na moda mas que não resolverá as necessidades profissionais". "As três letras não fazem tanta diferença. Por exemplo, se eu me batizar de Albert Einstein não me torno um físico sensacional. É a qualidade do MBA que vale", completa Manfredini.

Planos

É muito importante traçar um planejamento, uma estratégia de carreira antes de decidir fazer um MBA. Essa é uma das razões que faz com que as escolas exijam que o candidato já tenha experiência, para que tenham maturidade e vivência para aproveitar o curso.

A vivência no exterior conta muitos pontos. Qualquer tipo de experiência em uma cultura diferente vale a pena, porque, afinal, "é preciso ter consciência de que o mundo não é um prolongamento do seu país. O mundo é diverso, as pessoas interagem de maneiras diferentes. Participando dessa interação, é possível aprender que a própria diversidade é que faz as coisas funcionarem", reflete Manfredini.

Outra habilidade desenvolvida a partir da experiência internacional é a tolerância. Sem falar na network, que enriquece muito. "A verdade é que hoje, é muito mais fácil construir uma carreira internacional do que há alguns anos. Até 1990, o Brasil quase não pertencia economicamente a esse planeta, o que reduzia as chances dos profissionais brasileiros atuarem nele. Com a abertura da economia, novas oportunidades surgiram para todos. O trânsito de pessoas aumentou muito. E o mais importante é que estrutura das carreiras mudou e cada vez mais teremos carreiras internacionais, mesmo que o profissional não saia do seu lugar de origem", completa Manfredini.