Inglês até o pescoço
por Camila Micheletti*
A aventura começou na noite friorenta de sexta-feira, dia 26 de julho. O local escolhido como ponto de encontro foi o Shopping Eldorado, em São Paulo, Capital. E lá estavam todos, cerca de 40 homens e mulheres, com idades que variavam dos 20 aos 40 anos, tentando achar assuntos que pudessem ser decodificados para a língua que seria usada pelas próximas 30 horas, o inglês.
Desde o início da viagem, os instrutores deixaram bem claro que o fim-de-semana seria de "english up to the neck", ou seja, inglês até o pescoço, em um excesso proposital, devido ao curtíssimo tempo do curso. Tentava acreditar no discurso dos mestres, que diziam que estávamos todos saindo do Brasil, e seríamos levados para uma terra distante, chamada English Village, onde o português é língua proibida.
"O objetivo é praticar o idioma e criar um ambiente agradável, onde toda a comunicação possa ser feita em inglês. Neste programa, especificamente, o objetivo foi motivar o trabalho em equipe", explica Peter Focke, coordenador pedagógico dos programas de imersão English Village, que ocorrem mensalmente e são realizados pela UP Language, escola de idiomas que é especializada no treinamento de executivos e atendimento a empresas.
Muitos "Hi, Nice to meet you" depois, finalmente começou a viagem. Os professores tentavam animar a turma ao máximo que, aos poucos e com a ajuda de alguns goles de champanhe, foi se soltando. O pensamento geral deveria ser algo como "Do the right thing", pelo menos era assim que eu me sentia, um misto de medo, por ter que falar inglês ininterruptamente por dois dias, e de ansiedade, por estar convivendo com pessoas estranhas, mas muito experientes e com cartões de visita super-ultra valiosos. Sim, o networking é um dos principais objetivos de um curso como esse, só perdendo parta a missão principal, que é falar inglês, seja para testar seu nível no idioma, preparar-se para uma viagem internacional ou mesmo tentar melhorar a fluência na língua de Shakespeare.
Confesso ser difícil de acreditar que seja possível conseguir resultados práticos em tão pouco tempo, pelos menos para os menos experientes no idioma. Um curso intensivo como este pode ser bom para avaliar como você está perante os outros e para treinar seu inglês, mas não há milagres. A pessoa que fala mal e está no nível intermediário, por exemplo - nível mínimo exigido para freqüentar um curso como esse - pode até aprender palavras novas, adquirir mais habilidade ao manter uma conversa e saber conduzir um argumento com mais facilidade. Mas mudar de nível e virar um expert da noite para o dia, isso é quase impossível.
Chegando ao hotel, foi possível sentir que a estadia seria, no mínimo, muito agradável. Um lindo vale rodeava a casa principal e os vários chalés - os quartos - todos em estilo americano e de cor amarela, com grandes janelas brancas que permitiam a entrada de luz, durante todo o dia, e davam vista para piscina. Um cocktail nos esperava, antecipando o que seria um dos grandes motivos de risada entre os alunos-hóspedes: o excesso de refeições que, longe de ser ruim, preocupava apenas aqueles que vivem em eterna briga com a balança. A noite de sexta acabou cedo, logo após o jantar, por estarem todos visivelmente exaustos.
A manhã do dia seguinte começou animada, com caminhadas pelas dependências do hotel e um farto café da manhã. A turma foi dividida em equipes pelo conhecimento do idioma. Os mais fracos ficaram na turma do lower-intermediate (algo como intermediário 1), e assim progressivamente, até o nível mais alto, que era o upper-advanced. Como o tema deste programa era "Team Development Weekend", as aulas e as situações práticas eram focadas em desenvolver espírito de equipe, estimular liderança e, ainda, identificar quais as suas competências principais, que poderiam ser usadas em favor do grupo.
Metade da tarde de sábado foi reservada para uma extensa pesquisa, denominada Team Role - O seu papel na equipe - que tentou identificar essas habilidades em cada integrante do grupo. Como em uma empresa, cada um, inconscientemente, revelou os papéis que representa no trabalho, na família, na vida. Por exemplo, enquanto um profissional é melhor em ter idéias, o outro é especialista em implantar as soluções de maneira prática e eficaz, e já o terceiro tem habilidades como líder e motivador da equipe.
A noite também foi repleta de atrações memoráveis. A atividade proposta consistia em montar um slogan de um produto ou serviço, que deveria ser apresentado pelo grupo. Relativamente simples, não fosse a obrigação de que deveria ser tudo em inglês, e de preferência engraçado. Em atividades como essa ficavam explícitos quem exercia os papéis em cada grupo:
o mediador, o coordenador, o investigador de recursos, o que finaliza o processo, o implementador, o especialistas em analisar dados e números, o que dá forma às idéias e o que tem as soluções criativas para o problema. Alguns inclusive tiveram sua veia cômica extravasada e mostraram que, além de ótimos profissionais, podem ser, por que não, os divertidos palhaços da turma.
A noite acabou com música, para alegria dos adeptos do microfone, que puderam cantar até altas horas da madrugada, alguns balbuciando apenas o refrão, outros mostrando que realmente conheciam a canção. De Elvis Presley, passando por Steve Wonder, Mariah Carey, Freddie Mercury e U2, tocou-se de tudo.... in english, of course.
No domingo, mais exercícios teóricos, mais atividades práticas, mais coffee break, mais conversação. O Programa finalizou com a entrega dos certificados aos participantes, mas o contato não deve parar por aí. Profissionais como esses, que dedicam um precioso fim-de-semana para falar inglês e fazer contatos, querem muito mais. A turma já está se mobilizando para seguir com programas variados, seja em um pub inglês, em um passeio ao Hopi Hari ou uma simples pizza no domingo à noite. O importante é manter uma bonita e gostosa amizade que, apesar do sotaque americano, tem aquela intensidade e tempero que só o brasileiro sabe dar.
* A repórter Camila Micheletti fez o Programa de Imersão "English Village - Team Development Weekend" a convite da escola UP Language, organizadora e realizadora do Evento.