Abra as portas da Diretoria
por Frederico Eigenheer*

Um novo "habitat"
O executivo atual está vivendo em um mundo aparentemente caótico e totalmente desorganizado: a nova economia está se misturando com a nova. As empresas adotam uma administração horizontal, privilegiando o acesso à informação e reduzindo os níveis organizacionais. A grande maioria dos cargos intermediários foi eliminada, a informação está pulverizada em todos os setores da empresa e o poder de decisão passou a ser participativo, não mais concentrado nas mãos de poucas pessoas, como acontecia até recentemente. Os jovens executivos estão vendo as transformações tecnológicas acontecerem muito rapidamente. Este fato exige uma reciclagem mais freqüente e para evitar a defasagem profissional, a solução é voltar para a universidade, fazer cursos de atualização e, quando possível, viajar para países onde nascem os processos de transformação.

Com a redução dos níveis hierárquicos, o profissional mudou sua postura, buscou a iniciativa, pois a empresa exige cada vez mais qualificação. Um novo executivo existe no mercado. Uma carreira gerencial se caracteriza pela capacidade de conhecer novas metodologias e técnicas, desenvolver novas habilidades e cultivar uma nova atitude. Um grande exército de executivos desenvolveu características diferenciadas para crescer no mercado de trabalho. Mesmo porque as empresas exigem uma nova atitude dos executivos: valem mais os resultados (e estar onde as coisas acontecem). Evoluíram e ficaram muito fortes na nova economia e as novas técnicas foram assimiladas.

E, neste momento, em que a alta do dólar reabriu as fábricas fechadas (novos empregos nas novas empresas da velha economia), verificamos que - à medida em que "baixa a poeira" e enxergamos mais adiante - muitos postos, incontáveis mesmo, da nova economia, continuam abertos. Este é o mundo real. Muitos dos nossos executivos, já adaptados à nova economia, voltarão a ter que se adaptar a empresas pequenas e ativas, regionalizadas, com pequenas estruturas de pessoal, distribuição local e baixos custos operacionais. Os executivos deverão aumentar a efi-ciência dessas empresas (novas empresas da "velha economia"), reduzindo esforços inúteis de maneira organizada e racional. Estaremos levando conhecimentos da nova para a velha economia. A sala do gerente de produção passa a ser o chão da fábrica, mas ele estará utilizando novas técnicas e um novo instrumental.

Há uma sólida e firme ponte ligando o novo ao velho... Tudo isto é possível em virtude da democratização da tecnologia que chega de qualquer parte do mundo. Está havendo mais treinamen-to sobre o "fazer" do que sobre o estilo. O que vale é "bola na rede"! As dificuldades que temos vivido provocaram uma reação po-sitiva por parte das empresas e novos empreendedores estão apostando no futuro. Hoje, o mercado é dinâmico e muitos gerentes da nova geração foram promovidos: os espaços foram ocupados. Muitos perderam seus cargos, mas muitos ganharam uma vida nova e com muita realização profissional. Há vida fora das empresas tradicionais. Temos a velha economia, a nova economia, a nova velha economia e as novas atividades dos novos empreendedores. Tudo está dentro do tempo e do espaço e, como tal, tudo muda.

Requisitos atuais

  • Capacidade de entender que os siste-mas de produção são mundiais e que o mercado é de massa. Mas ao mesmo tempo é fragmentado e orientado para o cliente
  • Capacidade de atuar em um meio em que os jovens executivos chegam no mercado dominando técnicas cada vez mais avança-das. Seu futuro está em conseguir fazê-los funcionar em conjunto (e não ficar dispu-tando espaço e poder). Nossos executivos precisam de treina-mento para aprender a trabalhar em ambien-tes no qual são combinados ações competitivas com intensa colaboração
  • Os generalistas, com a fragmentação das empresas em diversos negócios, estão trabalhando ao lado dos especialistas. Hoje, o gerente também domina técnicas e o especialista gerencia alguns aspectos
  • Produtividade significa redução de custos. Lembre-se que excelen-tes empresas com excelentes produtos ti-veram um "absoluto insucesso" por serem perdulárias. É preciso entender o que é essencial e desprezar o supérfluo
  • As grandes empresas solicitam profissionais que atuam no comércio internacional, ou seja, que possam conceber, produzir e vender produtos aceitos por diferentes culturas e costumes, e tenham preços competitivos
  • O executivo deve compreender a relação entre remuneração e produtividade
  • 0 excesso de níveis de chefia, com a perda de contato entre o estratégico e o operacional, provocava o caos organizacional. Agora, as lideranças mais políticas estão sendo substituídas pelas mais técni-cas: desaparece o executivo hábil, com "jogo de cintura", distante do processo de produção. Falta de base de finanças e custos, como também a distância dos centros produtivos provocaram falta de criatividade.

Um check list

  • Procure conhecer (e bem) a você mesmo: por exemplo, qual o seu inventário de interesses e quais as suas inclinações naturais (você é melhor em relações humanas, persuasão/vendas/comércio, técnicas e cálculos, ciências médicas, área comportamental, lingüística, esporte, arte, agindo independentemente ou em grupo?)
  • Quais são seus pontos fortes? Lembre-se que você não é igual ao seu primo - aquele primeiro da classe, lembra? Mas, em compensação, você pode ser mais forte em muitos outros campos: afinal se você tem uma habilidade natural para realizar coisas com as mãos, porque tem que se formar em física nuclear?
  • Quais são seus pontos fracos? Como melhorá-los? Procure compreender objetivamente as razões pelas quais você não conseguiu assimilar uma aula ou fazer uma conferência: afinal, não é crime gaguejar quando se está na frente de 100 pessoas. Será que você não conseguiria encontrar uma atividade em que a capacidade de dominar uma platéia não seja tão importante? O fundamental é: aquilo que você fizer bem, faça-o da melhor maneira possível.
  • Desde que você domine uma técnica, ou seja, desde que saiba fazer bem alguma coisa, lembre-se que existe uma incrível carência de gente: de gerentes até alfaiates, de estrategistas até padeiros. E aquele que domina uma arte terá sempre segurança.
  • Flexibilidade é a senha. As empresas se interessam por profissionais que saibam adaptar-se às mudanças e sejam curiosos em relação a novas tecnologias e a outras áreas, além de sua especialização. Mas não menospreze o conhecimento adquirido ao longo dos anos. Ele ainda é seu principal diferencial.
  • Uma boa formação acadêmica é indispensável, mas não basta. As empresas continuam procurando profissionais que demonstrem estar num processo contínuo da aprendizado. Invista em cursos, congressos e seminários sobre assuntos relacionados às novas tecnologias, mas que não seja um curso de blá blá blá.
  • Para acabar com o tecnoanalfabetismo, aproxime-se de seu colega da área de tecnologia. Convide-o para almoçar, para um happy hour ou simplesmente passe em sua sala num horário adequado. Converse sobre novidades da área, os planos que ele tem para a empresa e, assim, continue cada vez mais a se familiarizar com as expressões (cada dia chega um produto ou software novo) e aprenda sobre o que sua empresa está preparando para o futuro.
  • Escritório do futuro não tem fronteiras. Isso significa que cada vez mais os executivos poderão trabalhar em qualquer hora. Ou seja, esqueça os planos de horários fixos e o velho sonho de não levar nada para casa. A boa notícia é que nesse mundo não cabem também as longas noites passadas no escritório. Mas não se esqueça da qualidade de vida: você vale mais vivo do que morto para a sua empresa.
  • Não tenha medo. Todo processo de aprendizado envolve erros. Para evitar constrangimentos, o ideal é que as empresas contratem um profissional externo para treinar toda a equipe dos principais escalões.

O gerente bem sucedido é descrito tipicamente como:

  • Liderança forte
  • Colaborador
  • Decidido
  • Orientação para pessoas
  • Forte em Comunicação
  • Alto Nível de Conhecimentos e de Formação Escolar

Gerentes mal-sucedidos são descritos tipicamente como:

  • Arrogantes / prepotentes
  • Indecisos
  • Socialmente reservados / fechados
  • Comunicadores pobres / pouco fluentes
  • Não transmitem confiança

Principais Competências

Competências
Traços Negativos
- Habilidades Interpessoais
- Influenciar Pessoas
- Desenvolvimento de Pessoas
- Comunicação
- Julgamento e Decisão
- Planejando e Execução
- Atitude
- Atendimento ao Consumidor
- Inflexível
- Impulsivo
- Arrogante/self-centrado
- Padrões pessoais incompatíveis
- Dependente/lack de independência
- Ausência de bom senso
- Falta de Motivação

* Frederico Eigenheer é consultor em recrutamento de seleção de executivos e diretor da Eigenheer Recursos Humanos.