Como ter um 2006 sem problemas financeiros
Dê mais atenção àquilo que você dá valor. As coisas mais importantes da vida não custam nada e estão acessíveis a qualquer ser humano
Por Gustavo Cerbasi *
Estamos chegando ao período de festas de final de ano. Época de celebração, de rever o que deu errado em 2005 e de fazer planos para 2006. É justamente nesta época que as pessoas amolecem tanto o coração quanto o controle de gastos. O espírito de caridade típico de Natal nos leva a dar grande valor ao presente que nossos amigos gostariam de ganhar, aos gastos com decoração e com a ceia, às gorjetas do lixeiro, do carteiro, dos entregadores de jornais e de revistas e de todos aqueles que, como nós, provavelmente ganham menos do que gostariam de ganhar.
Para compensar esta concentração de gastos, existe a figura do 13º salário, que nada mais é do que uma fatia de nosso salário mensal que as leis trabalhistas exigem que seja paga apenas no final do ano, uma espécie de planejamento financeiro obrigatório por lei. Quem acumulou dívidas indesejáveis ao longo do ano, deve fazer uso do 13º salário para quitá-las ou pelo menos pagar a maior parte delas. Melhor ainda, deve-se fazer uso da chamada antecipação de 13º que os bancos oferecem a seus clientes, pois a taxa de desconto exigida pelo banco (da ordem de 3,5% ao mês) é certamente mais barata do que os juros de empréstimos pessoais (entre 4% e 6% ao mês) e de cheques especiais e financeiras (da ordem de 7,5% a 10% ao mês). É um grave erro continuar carregando dívidas para poder usar o 13º salário para comprar presentes de final de ano, pois esta atitude nos torna cada vez mais pobres. Isto somada ao mau hábito do brasileiro de parcelar suas compras são a certeza de que 2006 já começará trazendo problemas financeiros.
Não se deve esquecer também que os dois primeiros meses do ano são aqueles em que são pagos o IPVA e o licenciamento dos automóveis, as matrículas nos cursos e escolas das crianças, os materiais escolares e os últimos gastos com as festas de final de ano. Mesmo para aqueles que não estão endividados, é fundamental planejar estes gastos e reservar parte do 13º salário em uma aplicação financeira segura. Caso contrário, aumentará o risco de ter que entrar no cheque especial, o que é uma péssima idéia para um início de ano com tantas promessas feitas no Reveillon .
Você pode estar se perguntando: Legal, mas de onde tirarei dinheiro para comprar os presentes de final de ano? Comece prestando mais atenção às coisas que você dá valor. Lembre-se que as coisas mais importantes da vida não custam nada e estão acessíveis a qualquer ser humano, como o carinho e a convivência com as pessoas amadas e com os amigos. Não importa o valor do presente que damos, importa sim a intenção.
Façamos então uma proposta de um Natal diferente! Que tal combinar com os amigos e com a família que Natal é uma época de celebração de amor, união e amizade, e propor um final de ano em que as pessoas ofereçam como presentes contribuições para a festa?
Esqueça o amigo secreto, que ao contrário de unir tende mais a separar amigos, pois muitos acabam achando que ganham presentes com valor inferior ao que compraram. Presenteie a todos em sua empresa e em sua casa, propondo uma festa em que cada participante traga comida ou bebida de que goste muito, para dividir com os demais. Proponha que cada um faça um discurso agradecendo o que mais gosta na convivência com os demais e diga algo para melhorar o relacionamento para o próximo ano...
Tenho certeza que uma celebração dessa pode ser tão (ou mais) divertida do que uma festa em que se compra e se ganha presentes por obrigação.
Ótimo início de 2006!
* Gustavo Cerbasi é especialista em finanças pessoais, desenvolve treinamentos, palestras e consultorias. É autor dos livros Casais inteligentes enriquecem juntos e Dinheiro, o segredo de quem tem , ambos da Editora Gente.