Educação continuada: novas pessoas, idéias e possibilidades
por Amaury Pontieri*

Afirmar que o desafio dos negócios para o próximo ano exige do gestor ações relativas a sua educação continuada pode parecer, à primeira vista, dizer o óbvio. A velocidade com que mudam as tecnologias, as estratégias dos concorrentes ou o comportamento dos compradores, por si só, deveria fazer com que o executivo não descuidasse um minuto sequer de sua qualificação e atualização.

De fato, isso é o que se observa como regra geral. Em recente pesquisa com 255 gestores através de seu portal Intermanagers (www.intermanagers.com.br), a HSM verificou que 95% deles tinha intenção de realizar novos cursos, sendo as modalidades mais citadas, nesta ordem, o MBA, o mestrado, alguma outra pós-graduação lato sensu que não o MBA e o doutorado.

Porém, nem sempre o profissional realiza um bom planejamento das ações de auto-aperfeiçoamento, como é comum fazer na condução de suas empresas ou unidades de negócios. Neste último caso, ele tem perspectiva clara de onde está e aonde quer chegar – exatamente o que deve acontecer em termos da evolução de seus conhecimentos.

Usando a mesma analogia, assim como não é desejável que a sua empresa chegue ao final de 2005 em condição idêntica à que iniciou o ano, também não é adequado para o executivo que seus novos conhecimentos sejam apenas aqueles adquiridos na prática do dia-a-dia. É preciso entrar em contato com novas pessoas, idéias, possibilidades e é bom que se tenha em mente que isso pode acontecer tanto num curso acadêmico, como através de um processo informal de aprendizado, a exemplo de uma transferência para outra unidade da empresa, outra cidade ou mesmo outro país.

O importante é desenvolver uma postura pró-ativa em relação à educação continuada, caso ela ainda não exista. Um termômetro pode ser o questionamento: “será que eu só atuo para me atualizar ou me qualificar quando recebo um convite, um e-mail, uma mala direta, uma recomendação de um amigo ou uma indicação da área de Recursos Humanos?”

Dessa forma, uma mudança que pode ser programada é a de assumir uma atitude autodidata. Nem a escola de negócios, a empresa, o coach ou qualquer outra pessoa é responsável pela educação de ninguém. É necessário desenvolver a autocrítica para saber planejar, a curto, médio e longo prazo, a qualificação necessária às novas condições profissionais. Obviamente, qualquer ajuda neste sentido não deve ser negligenciada, venha ela de um livro, de um professor ou de outro profissional com experiências diversas.

Quanto à educação executiva formal, é cada vez maior a oferta de programas de atualização e qualificação com conteúdos especializados e flexíveis, além de cargas horárias adequadas à realidade dos gestores. Isso só para falar nos cursos presenciais, pois existem ainda opções como o e-learning, o aprendizado eletrônico à distância, ou o blended learning, misto de curso presencial e eletrônico à distância.

Para quem tem – ou realmente deseja ter – as rédeas de sua própria qualificação em 2005, encontrar as fontes ou criar situações para isso não deve ser problema. Há rankings, guias, sites, matérias e muitas outras fontes de informação que podem ser consultadas nesse sentido. A principal preocupação agora, portanto, passa ser a escolha dos programas com a qualidade, o mix de formatos e os conteúdos adequados a cada realidade profissional.

*Amaury Pontieri é jornalista pela Escola de Comunicações e Artes da USP, possui MBA em Gestão Empresarial pela Escola Superior de Propaganda e Markerting e há quatro anos é Gerente de Conteúdo da HSM, empresa de educação executiva de atuação internacional.