A Institucionalização do "Bico"

por Elaine Saad*

Quero refletir com você sobre o que é trabalho atualmente e o motivo pelo qual muitas mulheres, apesar de trabalharem, se inferiorizam dizendo : " Ah, eu não trabalho não, eu só faço um bico..".

Para estas mulheres que bravamente contribuem com o orçamento do lar eu gostaria de dizer : "Hei, vocês trabalham sim....!!". Felizmente, nós não precisamos mais ser Executivas para poder dizer: "Eu trabalho".

O conceito de empregabilidade, surgido há alguns anos, nos dá a clara noção de que trabalho é a possibilidade que uma pessoa tem de gerar uma atividade remunerada, é a capacidade de fazer algo e receber uma renda por isso.

Aliás, muitos executivos e executivas poderiam e deveriam se abrir para essa noção, pois existem inúmeras oportunidades no mercado de trabalho que são simplesmente descartadas por não se encaixarem naquilo que por muito anos foi definido como "atividade profissional".

Eu, particularmente, conheço uma série de pessoas, dos mais diferentes níveis sociais, de formação mais simples ou mais sofisticada, que encontraram nestes novos tempos uma forma de viver, de forma diferente de tudo que haviam feito e realizado até então. Pessoas que não rejeitaram o novo modelo, encararam-no como solução, mesmo sentindo medo, mesmo tendo dúvidas ou receios.

Aliás, falando nisso lembro-me de comentar o quanto a famosa "segurança do emprego", que por tantos anos esteve presente na mente de muitos profissionais, simplesmente foi esmagada pelo nova economia. Infelizmente ainda existem muitos profissionais que acreditam nela, acreditam que segurança é ter um cargo em uma empresa, com salário e benefícios.

O que é segurança ? Quer dizer que alguém que, por exemplo, presta serviços em casa não tem segurança ? E o risco de cada uma destas atividades ? Não é muito semelhante ? O empregado pode ser demitido e o autônomo pode não vender. Que diferença há em ambas as situações ?

É por isso que minha mensagem de hoje é dedicada principalmente às mulheres que sobrevivem nos tempos atuais, seja lá como for: orgulhem-se de seu trabalho e acreditem nele. Sim, ele deve ser valorizado, reconhecido e recompensado, e não o chamem mais de bico, pois ele foi institucionalizado e transformado em atividade profissional.

*Elaine Saad é Sócia-Diretora da Right - Saad Fellipelli