Entrevista - Hugo Nisembaum
diretor da HN Educação & Performance
A falta de tempo dos funcionários para sair de seus escritórios rumo a empresas e escolas de treinamento está fazendo surgir uma grande onda: as universidades corporativas. Um dos pioneiros nesta área no Brasil é Hugo Nisembaum, diretor da HN Educação & Performance, que trabalha na área de desenvolvimento organizacional e gerencial, com destaque para projetos de implantação de visão e sistemas de gestão estratégica, consultoria de performance, modelos de competência, projetos de educação corporativa, implantação e consultoria para universidades corporativas. Acompanhe a entrevista que Nisembaum concedeu ao Empregos.com.br.
Empregos.com.br - Como está a questão do ensino corporativo dentro das empresas?
Hugo Nisembaum: O interesse por este mercado é algo recente. Antes, a experiência que se tinha com ensino à distância era com base assíncrona (off-line), a partir de CD-ROM. Mas as pessoas não tinham paciência para pesquisar, faltava interatividade e, além de tudo, o custo de elaboração do CD é caro.
Empregos.com.br - Este ensino corporativo é para qualquer empresa ?
Nisembaum: Isso depende da cabeça do empresário, não do tamanho da empresa. Esse tipo de aprendizado pode ser vital, por exemplo, para uma companhia de TI que tem 50 funcionários e precisa de treinamento de alta tecnologia sem perda de tempo. Também existem empresas de biotecnologia com 200 empregados que tem a sua própria universidade corporativa. Depende da cabeça do dono. Mas se for da área de alta tecnologia, o ideal é que ela sempre esteja atualizada.
Há também casos em que a própria empresa vende seu ensinamento para os parceiros, uma vez que eles têm de estar a par do que está rolando na corporação, como a Motorola, que faz treinamento à distância para seus revendedores, pois para ela é fundamental que seus parceiros conheçam os procedimentos dela. Em outras empresas, já está em andamento a criação de suas próprias MBAs, ou de chamar alguém para fazê-lo.
Empregos.com.br - Como funcionavam as universidades corporativas antes?
Nisembaum: As universidades corporativas preparavam profissionais mas não era nada tão sistemático como atualmente, era algo mais atemporal, esporádico. A idéia agora é sistematizar a universidade corporativa. Essa evolução deveria apavorar as pessoas no passado, mas hoje é obrigatório pensar na capacidade dos profissionais no futuro e de como eles precisam e precisarão de atualização.
Hoje, um dos objetivos básicos dessas novas ferramentas de treinamento é alinhar os objetivos da empresa com o indivíduo. Atualmente, a companhia diz onde quer chegar e em cima disso determina o que o profissional terá de saber e aí se bola o conteúdo do programa. Esta consicentização tanto das empresas quanto dos profissionais sobre a questão da capacitação está reduzindo as chances de uma companhia perder um bom talento e preserva o capital intelectual dela, que hoje é
o grande diferencial no mercado.
Empregos.com.br - O que é educação síncrona e assíncrona?
Nisembaum: Síncrona é aquela on-line, em tempo real. Já a assíncrona é a que a informação fica hospedada em um banco de dados para o funcionário acessar na hora que quiser. Esta questão da educação síncrona é relativamente nova no Brasil. Mesmo nos EUA, ela tem uns dois anos, porém já tem alguns casos de sucesso. A empresa Dow Chemical vinha trabalhado com CD-ROM e passou para esta tecnologia e está bem satisfeita. Algumas empresas já estão trabalhando com e-learning, que é o ensino a distância on-line. A verdade é que hoje esta questão da alta tecnologia é tão difundida que até as empresas mais tradicionais estão revendo seu processo de treinamento para integrar estratégias, ajudando a implantar novas tecnologias e definir onde, como e quando usá-las.
Empregos.com.br - Quais as vantagens dessas novas ferramentas de ensino e capacitação para as empresas?
Nisembaum: As vantagens para a empresa são que ela treina sua cadeia de valores, ganha competitividade e define o aprendizado com base no desempenho que ela pode ter. Isso propicia que clientes, colaboradores, fornecedores e os demais integrantes dessa cadeia trabalhem em perfeita harmonia.
O histórico mostra que as empresas devem investir mais em capacitação, para ter um retorno melhor, pois está claro que compensa, já que as empresas ganham em racionalidade, escala, eficácia e direcionamento de ações. As empresas privatizadas foram um bom exemplo de como a falta de treinamento pode acarretar problemas. Elas entraram no país e não capacitaram adequadamente os novos funcionários. E veja todos os problemas e reclamações que ocorreram por causa disso.
Por outro lado, há um laboratório em São Paulo que está desenvolvendo o ensino à distância, pois descobriu que sai mais barato e prático os laboratoristas chegarem a seus desktops para fazerem um curso do que tirá-los das sedes para se encontrarem em um lugar para ter uma aula de duas horas. Isso em empregados de uma mesma cidade. Imagine as empresas que têm que treinar os funcionários nacionalmente.
Empregos.com.br - E quais são as vantagens para o profissional?
Nisembaum: As vantagens para os profissionais são saber onde a empresa quer ir, quais competências ele tem de desenvolver, ver se a empresa quer investir nele. Mas por outro lado, ele também precisará investir em si próprio, disponibilizando tempo para seu aperfeiçoamento.
Além disso, a interatividade do curso também trabalha a favor do grupo, pois o fato de uns saberem o que os outros estão fazendo cria um clima positivo que contagia o ambiente de trabalho. Hoje, a capacitação é fundamental, tanto que a própria Força Sindical faz capacitação, ensinando aos associados informática, assim como diversas empresas. Inclusive algumas dão condições para as pessoas concluam seus estudos, coisa que era quase impossivel há 10 ou 15 anos.