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O topo não é o limite por Renata Marucci Atingir o ponto mais alto na carreira profissional pode ser um orgulho, ma smuitas vezes pode provocar também a sensação de que não há mais nada a fazer. Acredite: isso está bem longe de ser verdade. |
"Entendo que o executivo no topo é aquele que atingiu a satisfação profissional. Mas quanto mais alto o cargo, mais stress gera. E é importante encontrar novas formas de atuar e colaborar com a empresa e com o mundo", define Maria Helena Miessva, diretora de comunicação da Otis. Segundo Neussymar Magalhães, diretora da unidade de RH, Comunicação e Marketing da Madia Mundo Marketing, mesmo o executivo que pensa saber tudo sobre o negócio pode aprender. "É importante se atualizar sobre o mundo, independente da área", explica Neussymar.
Neussymar ressalta que é importante não deixar para repensar a carreira muito tarde. Por isso, por volta dos 40 é bom começar a avaliar qual o caminho a ser traçado dali por diante: se irá continuar na empresa, quais os objetivos a serem alcançados (mudança de área, conquistar posições), se vai montar um negócio próprio, em qual área e assim por diante. É importante traçar metas e fazer um planejamento estratégico de cada ação, tudo isso para minimizar o risco de frustração.
"Vale até mesmo trocar de carreira quando houver insatisfação. Mas é preciso considerar os riscos. Mudar de carreira pode ser bem complicado, pois dar novos rumos à vida envolve diversas variáveis. O recomeçar pode causar frustração, além de aumentar o stress. Se consiste em resolver uma frustração profissional, tudo bem, deve arriscar sim. Mas se for para mudar só por mudar é melhor repensar", aconselha Maria Helena.
Considerando que o executivo já tenha passado por aperfeiçoamentos profissionais e se mantenha atualizado em relação ao mercado, pode ser prejudicial voltar para o banco da escola. Dependendo do perfil da pessoa, pode ser uma experiência traumática e frustrante. Mesmo assim, vale lembrar que sempre é tempo de estudar. Mesmo que seja sobre uma outra área profissional. Depende da disposição de cada um. .
"Certa vez, atendi um senhor de mais ou menos 60 anos de idade que queria se atualizar e que fez um curso e encarou tudo numa boa. Resultado final: ficou satisfeito e mais disposto para continuar interagindo com o mundo", conta Neussymar.
Tudo ajuda: praticar esportes, fazer cursos de arte, desde que funcione como uma válvula de escape ao cotidiano. Em qualquer período da vida e em qualquer nível profissional, manter a qualidade de vida pessoal é relevante. É preciso exercitar o equilíbrio entre as áreas da vida. É fundamental ponderar sobre isso.
O ideal é que o profissional encontre atividades "extra-curriculares" que possam lhe trazer novas experiências de vida, o que consequentemente irá acrescentar um novo ritmo à sua carreira profissional. Uma boa alternativa de aprender com a vida é por meio de trabalhos voluntários.
"É importante aprender a dividir o tempo livre da mesma forma que dividimos o tempo durante o expediente", recomenda Maria Helena. Atividades externas podem manter o profissional motivado por estar descobrindo novas maneiras de enxergar o mundo. Segundo Maria Helena, vale contar histórias à noite para o filho, ajudar na comunidade, retomar um sonho antigo, aprender a tocar um instrumento, praticar esportes radicais e tudo que despertar interesse.
O que o executivo não pode, é acreditar que um posto importante é o máximo que pode conseguir da vida. E vale lembrar que a hora de investir em novas experiências, em novos projetos é agora e não nas férias nem tãopouco na aposentadoria. O melhor é mudar os hábitos enquanto estiver na ativa.