Como sobreviver em um cenário de mudanças
por Camila Micheletti
Que o futuro está rodeado de incertezas, praticamente em todos os campos da economia e política, quanto a isso não há dúvida.
Mas existem atitudes que você pode fazer para estar preparado para uma possível crise nos mercados, como a que ocorreu com a Argentina e pegou todo mundo meio que de surpresa. Adotando como regra essas dicas simples e práticas, você fica preparado não apenas para sobreviver ao "terremoto", como também para manter sua empresa estável e lucrativa neste mercado. Confira:
Seja tenaz e persistente. Mesmo os mais sortudos precisam batalhar em busca dos seus ideais. Não tenha medo de lutar e faça o possível para atingir as metas que você projetou.
Tenha prioridade nas coisas que importam realmente. Parece óbvio, mas quantas vezes você não deixou 25 coisas para resolver em um único dia? Além de não resolver nada, você acaba sem foco, faz um pouco de cada coisa e não resolve as questões de mais urgência.
Tenha sempre um plano de saída. Esteja sempre preparado para mudanças bruscas e repentinas - na sua carreira, na sua empresa e, consequentemente, na sua vida. saiba abrir-se para novas oportunidades
Abuse do networking: agregue novos contatos e reative os antigos. Com quantas pessoas você fala diariamente? Pois saiba que várias delas podem ser úteis para você no futuro. Seus contatos devem incluir parceiros de negócios, vizinhos e até antigos colegas de escola.
Seja apaixonado pelo que você faz. A vida é muito curta para você gastar fazendo o que não gosta. Considere pessoas que absolutamente adoram oque fazem, como o guru Jack Welch e o empresário Bill Gates. Se este não é o seu caso, analise seriamente a possibilidade de mudar de carreira. Fazendo o que gosta você certamente alcançará a felicidade, que é uma arma infalível para crises - sejam elas financeiras, econômicas ou mesmo pessoais.
Confira a seguir a visão de dois especialistas em carreira, desenvolvimento pessoal e mudança organizacional sobre o assunto:
Carlos Alberto Julio é presidente da HSM e autor do livro Reinventando Você, da Editora Campus:
"Na verdade, o mundo sempre esteve em um processo de mudanças e isso não é novidade para ninguém. O que ocorre é que agora as mudanças são muito mais rápidas e profundas, você precisa se reinventar sempre. É preciso entender o cenário atual do mercado, onde reina a Sociedade da Informação, com o desenvolvimento da internet e da tecnologia. A tendência do mercado de trabalho é a mulherização, conceito difundido por mim e que mostra que o perfil do trabalho no novo milênio é feminino, ou seja, mais voltado para a família, educação, diversidade e, principalmente, focada nos empregados das organizações. O executivo que trabalha neste novo cenário precisa ter algumas competências fundamentais, tais como: visão estratégica do negócio; comunicação global - capacidade de se comunicar em dois ou três idiomas; saber vender suas idéias e se fazer entender para os mais variados tipos de público; estar aberto para novos conhecimentos e experiências - isto inclui continuar aprendendo sempre e buscar as competências que lhe fazem falta. Para finalizar, recomendo que todo profissional tenha sua própria estratégia de carreira. Como fazer isso? Identificando seus pontos fortes e fracos e analisando as ameaças e oportunidades existentes na área que você atua. Para quem tem nível gerencial para cima, as situações que viveu e o conhecimento que agregou ao longo da trajetória profissional valem muito mais que um currículo bem feito. São competências que não se aprende na escola. Mas, claro, o executivo que passa 40 anos de sua vida fazendo uma coisa só não apresenta muito diferencial no mercado. O diferencial não é quanto ele viveu, mas como ele trabalhou durante todo esse tempo".
Floriano Serra é colunista do Empregos.com.br, psicólogo, palestrante, consultor de empresas para processos comportamentais e presidente do Instituto Paulista de Análise Transacional e da SOMMA4 Desenvolvimento Pessoal e Organizacional:
"Tenha consciência da instabilidade do mercado. Da mesma maneira que prejudica a um time de futebol a atitude de "já ganhei" (até acontecer uma inesperada derrota), também prejudica ao executivo a postura do "já fiquei", supondo-se "imexível" (até acontecer uma imprevista demissão). A possibilidade do desemprego só existe para quem está trabalhando - portanto, deverá ser encarada como um eventual acidente de percurso. Não adianta entrar em fantasias ou suposições de que será demitido. Isso prejudicará sua produtividade e, aí sim, o risco passará a ser real. Enquanto estiver no jogo, o executivo deve continuar dando o melhor de si. A mudança, em todos os sentidos, é uma constante nos dias de hoje. O executivo precisa manter-se atualizado em todos os sentidos e por mais esforços extras e "sacrifícios" que essa atualização venha a exigir dele, simplesmente não há alternativa. Dentre outras coisas, é absolutamente indispensável que ele se familiarize com o computador, fale mais de uma língua e busque uma especialização, caso ainda não tenha. Há executivos que levam semanas sem abrir sua caixa de e-mails, tarefa que hoje deve ser rotina diária. Fuja da tentação do comodismo, tipo "não tenho mais idade pra isso!...". Finalmente, mergulhe de cabeça no aprendizado ou desenvolvimento da habilidade de relacionar-se com as pessoas da organização, em todos os níveis. Atualmente, nenhuma outra competência vem adquirindo mais força nas empresas do que a habilidade do executivo em saber conduzir pessoas, em gerenciar adequadamente seu capital humano, de forma a mantê-lo motivado e comprometido. Saber ouvir, conhecer e respeitar as diferenças individuais, dar espaço para participação nos processos decisórios, permitir e exercer o bom humor, estimular o espírito de equipe, buscar resultados sem comprometer a qualidade de vida, interagir harmoniosamente com pares, superiores e clientes - estas são habilidades e capacidades absolutamente indispensáveis, hoje, para o executivo que pretenda ser competitivo e, conseqüentemente, manter-se no posto. Se a prática das recomendações acima não for suficiente para evitar uma demissão, certamente serão para uma rápida recolocação no mercado de trabalho".