| O estilo da árvore azul IV | ![]() |
Brasil e internacionalização
O que você acha do mercado brasileiro para hotelaria?
O Brasil, ou a América Latina de modo geral, é um dos últimos redutos de hotelaria do mundo. Nós detectamos isso há cerca de oito anos. Vale observar o comportamento do viajante internacional: ele já viajou várias vezes para o Havaí, Paris e Londres. Ao cabo de muitas viagens a esses locais, começa a procurar novos destinos, muitas vezes raros e desconhecidos, e o Brasil tem muitos locais com essas características, como Pantanal, Amazonas, nossas praias e montanhas.
Outro aspecto a favor do Brasil é que o brasileiro tem muito calor humano e um jeito muito natural de encantar o turista estrangeiro. O turista sente-se bem recebido no Brasil, apesar do treinamento ainda deficiente, porque há muita boa vontade. É claro que, dependendo da economia, o hotel de negócios também tem bom mercado.
E você vê a Blue Tree se internacionalizando também?
Esse é nosso objetivo. Não é fácil, mas vamos atingi-lo. É um projeto muito importante para a Blue Tree Hotels, mas ainda há muito a desenvolver e explorar no Brasil. Estamos tentando e isso certamente terá continuidade com a segunda geração da empresa.
Espírito empreendedor e lições.
O que você acha que define seu espírito empreendedor?
Talvez o fato de eu não ter medo do fracasso. No mundo dos negócios sempre se correm riscos e, se houver medo do fracasso, não dá nem para começar. Oportunidades existem aos montes. Talvez seja necessário ser destemida e "louca"
Quem são seus exemplos de loucura? Quais são os gurus que a inspiram?
Eu admiro muito a Coco Chanel. Ela criou um novo paradigma em moda, pois utilizou de forma sofisticada materiais menos nobres na época, fazendo-os virar tendência e símbolo de elegância.
Ela tirou o que era desconfortável e complicado e simplificou tornando tudo refinado e atraente. Chanel criou valor sobre algo que não tinha valor até então. Ela tinha visão e opinião próprias, que transformaram a vida das mulheres para melhor, e isso sem contar com recursos ou apoio da família. Ela se fez do nada e foi inovadora, criativa, persistente e sempre com uma visão voltada para as necessidades de suas clientes. Não quis copiar o que os outros faziam. Desafiou o que o mundo aceitava como certo e melhor.
Chanel é um exemplo de quem sabe o que quer e como quer. Falando em uso de produtos mais econômicos, é similar meu conceito de hotel econômico: quero que os hóspedes fiquem no hotel não simplesmente porque é mais econômico, mas porque combina com seu estilo de vida.
Quais os conselhos que você daria para os futuros executivos e empresários do País?
Acho importante ter discernimento, capacidade de avaliação, bom senso. E senso crítico em relação a si mesmo. As idéias existem aos montes e estão disponíveis em livros, seminários e várias fontes de informação. Difícil é escolher as mais adequadas e implementá-las em sua empresa. Não dá para tirar uma fórmula da prateleira e aplicar -se pudesse fazer isso, eu não teria tantos cabelos brancos. Saber medir o risco e arriscar também é importante. E deve-se agir rapidamente, porque, enquanto se fica pensando, a banda passa
Seu estilo de liderança é mais nipônico -no sentido da disciplina e do rigor- ou mais brasileiro?
Eu sou mais brasileira. Na verdade, acho que meu estilo é mesmo mais de mulher. Aprendi nesses anos todos trabalhando no meio de homens que é melhor não impor, mas conseguir o que se quer de forma mais sutil: colocando na boca de seu interlocutor a idéia ou a resposta que se quer e fazendo-o pensar que ele teve a idéia. O importante é o resultado. Mas admito que às vezes sou um pouco durona e mandona, sim.
Saiba mais sobre Chieko Aoki
Nascida em Tóquio, no Japão, Chieko Aoki veio para o Brasil com 6 anos de idade, onde se naturalizou. Sua formação inclui graduação em direito pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduação em administração pela Universidade de Sofia, no Japão, curso de especialização em hotelaria na Cornell University, nos EUA. Na carreira profissional, começou como secretária bilíngue na Ford e na Construtora Guarantã.
Iniciou sua trajetória de sucesso em hotelaria em 1982, como diretora de marketing e vendas da Caesar Park Hotels & Resorts, empresa então pertencente ao poderoso grupo japonês Aoki, presidido por seu marido, John Aoki. Nessa época, fez o negócio decolar e praticamente instituiu o conceito de hotel de luxo em São Paulo. Em 1986, comandou a estratégia de internacionalização do Caesar Park, já como sua presidente mundial, e tinha em suas mãos, por exemplo, o lendário The Algonquin, de Nova York.
O Grupo Aoki adquiriu, então, a Westin Hotels & Resorts, a mais antiga e tradicional companhia hoteleira dos Estados Unidos, que ela também passou a presidir.
Em dezembro de 1997, deixou a presidência do Grupo Caesar Park para dedicar-se exclusivamente ao comando da administradora Caesar Towers, marca que criou em 1992 para gerenciar hotéis mais voltados para negócios, que depois se transformou em Blue Tree Hotels. Esse nome, aliás, não foi fruto do acaso: "blue tree" quer dizer "árvore azul" em inglês, o mesmo significado de "aoki" em japonês.
Saiba mais sobre a Blue Tree Hotels
A Blue Tree Hotels é uma empresa de serviços de administração de hotéis, com faturamento estimado em R$ 82 milhões em 2001. Originou-se da administradora Caesar Towers, empresa criada por Chieko Aoki em 1992 para gerenciar principalmente hotéis voltados para executivos -algo que praticamente não existia no País na época. Em 1998, de acordo com a estratégia de expansão da rede, a administradora passou a se chamar Blue Tree Hotels e vendeu 20% de suas ações para o Funcef (Fundação dos Economiários Federais).
Hoje, a Blue Tree tem 30 contratos de administração assinados e 20 hotéis já em operação até o final de 2001, sendo dez em São Paulo. A Funcef também é proprietária de quatro hotéis administrados pela Blue Tree Hotels, entre os quais o Blue Tree Park Cabo de Santo Agostinho e o Blue Tree Park Angra dos Reis.
Segundo Chieko Aoki, a identidade da Blue Tree Hotels pode ser resumida numa frase da madre Teresa de Calcutá: "Não deixa jamais que alguém que se achegou de ti vá embora sem sentir-se melhor ou mais feliz".
A rede abrange uma família de submarcas: Blue Tree Park (para hotéis de padrão cinco-estrelas e resorts), Blue Tree Towers (para hotéis de padrão quatro-estrelas) e Blue Tree Plaza (para hotéis de padrão três-estrelas). Com um total de 5 mil funcionários, a empresa vem crescendo rapidamente: em 2000, seu faturamento foi de R$ 52 milhões. Ou seja, há um crescimento de 63,5% entre 2000 e 2001. Seus planos, ousados, prevêem que haja 70 hotéis administrados pela Blue Tree até 2004.
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