O estilo da árvore azul

Em entrevista exclusiva, a empresária Chieko Aoki, proprietária da rede Blue Tree Hotels e um dos bons exemplos de espírito empreendedor do Brasil atual, discorre sobre a agressiva expansão de sua empresa, sobre sua valiosa experiência de globalização e marketing e até sobre a filosofia oriental e o jeito feminino nos negócios.

Em japonês, "aoki" quer dizer "árvore azul". Em inglês, "blue tree" significa "árvore azul". A empresária brasileira de origem japonesa Chieko Aoki transformou seu sobrenome em marca famosa no setor de hotelaria, a Blue Tree Hotels, em menos de três anos, já que a operadora de hotelaria decolou em 1998. A sra. Aoki, como é chamada por seus funcionários, é presidente executiva e presidente do conselho da rede que deve faturar R$ 82 milhões em 2001 com 5 mil funcionários.

Em entrevista exclusiva a Carlos Alberto Júlio, presidente da HSM do Brasil, a empresária tributa isso apenas a seu discernimento para avaliar e aproveitar as oportunidades que passaram. Mas seu espírito empreendedor vai muito além: ela planeja e lança novos conceitos em hotelaria, com a segurança de quem já comandou redes internacionais de hotéis. Sua ambição, agora, é aproveitar o imenso potencial hoteleiro do Brasil e crescer também em âmbito internacional.

Estudando sua trajetória, eu vislumbrei cinco ciclos de reinvenção em sua carreira profissional: de secretária executiva para diretora de vendas, daí para empreendedora de hotéis no Brasil, depois para quem globaliza uma empresa, então para operadora de uma empresa internacional e, de repente, você se tornou uma gestora de hotéis. Gostaria que você me explicasse como se deu essa trajetória de uma das maiores empresárias do Brasil...

Eu sou bem oriental, né? E oriental acredita em destino. Eu acredito que estive no lugar certo na hora certa. Todo dia a gente vê oportunidades passando pela frente: acho importante avaliá-las e aproveitá-las. Por outro lado, você não pega tudo, porque quem fica de barriga cheia tem dor de barriga, né? (risos). E, às vezes, a gente fica com a oportunidade que nem é a primeira opção e o destino nos reserva surpresas.

Comigo foi assim desde o início. Eu queria estudar filosofia porque adoro filosofia. Mas a faculdade de filosofia da Universidade de São Paulo se mudou da rua Maria Antônia para a Cidade Universitária, no Butantã (São Paulo), que fica longe. Eu precisava estudar no Centro, então optei por fazer direito na faculdade do Largo de São Francisco. A partir daí, eu quis mesmo ser advogada.

Mas, então, casei-me com o Aoki, um empresário japonês que entrou em hotelaria por acaso também. Ele tinha uma empresa de construção civil que fez um hotel em sociedade com a Guarantã e, de repente, a Guarantã precisou vender suas ações, o Grupo Aoki as comprou, as pessoas que cuidavam da área de hotelaria -do Caesar Park- saíram e eu entrei no negócio para ajudar.

E o que aconteceu em seguida?

Eu gostei do negócio. E fui fazer um curso de hotelaria na Cornell University, nos EUA, para não cair de pára-quedas no setor. Voltei e aí, é claro, o patrão ajudou, né? (risos). Assumi o cargo de diretora de marketing e vendas. Logo, o nível de ocupação dos hotéis aumentou significativamente, adotamos uma estratégia acertada e a rentabilidade foi muito boa. Então, o grupo resolveu investir em novos hotéis fora do País, os quais ajudei a implantar com sucesso: o primeiro foi em Taiwan, depois no Panamá, em Portugal, foram vários.

No auge da economia japonesa, meu marido comprou a Westin, tradicional rede hoteleira norte-americana. Na época, eu até tinha bastante relutância porque era uma coisa muito grande, né? Mas, enfim, eu não mandava. Ela foi comprada e nós, da administração hoteleira do grupo, fomos colaborar na gestão da rede Westin. Passamos por um grande aprendizado e também contribuímos com nossa experiência, que nasceu no Brasil. Tínhamos na época mais ou menos 13 hotéis e passamos a administrar um portfólio de mais de 90 no mundo todo.

Foi uma excelente experiência de globalização...

Sem dúvida. Mas, de repente, a bolha da economia japonesa estourou e meu marido vendeu os hotéis da Westin e os Caesar Park da América do Sul. Naquele momento tive duas opções: continuar na hotelaria ou dedicar-me a outra atividade, mas preferi continuar e criar uma nova empresa. Era o embrião da Blue Tree Hotels. A gente já tinha essa empresa como uma coisa muito pequena dentro do Grupo Caesar Park, quase de gaveta, porque eu já previa que o futuro seria mais dos hotéis econômicos que dos cinco-estrelas. Ela se chamava então Caesar Towers.

Nesse novo empreendimento, a estratégia foi a de criar uma empresa com administração e estilo nos quais eu acreditava -e acredito. Minha filosofia de gestão é que não se pode querer ser tudo, atirando para todos os lados. É preciso ter foco no negócio ou no estilo no qual você trabalha melhor, com maior competência. Como minha experiência esteve sempre voltada ao alto padrão de qualidade, exigido em hotéis de luxo de padrão cinco-estrelas, não me senti adequada para administrar hotéis de segmentos inferiores a três-estrelas, nos quais o preço é o fator decisivo para a escolha do hotel. Ainda busco encontrar uma fórmula que concilie meu conceito de hospedagem com produto supereconômico. Quem sabe, com o avanço da tecnologia…

Voltando ao foco do nosso negócio, já havia muito tempo eu acreditava em hotéis para segmentos mais econômicos, porém com características diferentes das que havia no mercado. Há muito campo para o desenvolvimento desses produtos no Brasil e nós temos investido nesse segmento.

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