A arte imita a vida
Teatro é usado como ferramenta de capacitação de executivos
Transformar uma experiência pessoal em emoção coletiva e, a partir daí, propiciar o aprendizado em grupo, tendo como catalisador o teatro. Essa é a proposta da Franquality que, em parceria com o grupo São Paulo Playback Theatre, leva essa técnica às empresas e transforma o teatro em ferramenta de capacitação de executivos e outros profissionais.
O objetivo dessa atividade é treinar competências essenciais, como o trabalho em equipe, mudança e liderança, estimular o auto-conhecimento, a tomada de decisões, comunicação, união, foco em resultados e flexibilidade.
Como funciona
O processo parte de uma idéia simples: recontar no palco histórias reais que são interpretadas por atores. “Dependendo do foco que a empresa queira dar – que pode ser mudança, superar dificuldades, trabalho em equipe –, o diretor do grupo entrevista alguém da platéia que queira contar sua experiência e os atores utilizam técnicas de teatro para dramatizar a cena, que é totalmente improvisada”, explica Rosângela Argolo, consultora da Franquality. “A história individual passa a ser coletiva, pois todos já viveram situações de mudança, superação ou o que estiver em foco”, acrescenta.
Após a apresentação de algumas histórias, é a vez dos consultores entrarem em cena para fazer uma analogia entre o que foi vivenciado naquele momento e as situações cotidianas vividas na empresa. “Sempre buscamos basear as apresentações em experiências profissionais, mas o lado pessoal acaba aparecendo, é inevitável. Uma vez, estávamos falando de mudança e uma moça se manifestou e contou que havia passado por um grande processo de mudança, tinha mudado de cidade, de emprego, de namorado. Ela estava grávida e não sabia como contar para o pai, achava que ele só faltaria bater nela. Mas teve uma grata surpresa ao contar, pois ele ficou do lado dela.”, diz Rosângela. “Qual a analogia que fazemos dessa história com a vida profissional? Que não adianta se desesperar diante das notícias, não adianta fugir, tem que ser firme e trabalhar para contornar a situação. Não tem que ficar com medo do chefe, se tem que contar algo, vai lá e conta. E, com isso, vamos moldando todo o treinamento e fazendo as pontes necessárias entre as situações”, diz a consultora.
Emoção à flor da pele
De acordo com Rosângela, o espetáculo-treinamento tem o diferencial de não trabalhar somente o racional, pois a arte consegue tocar as pessoas de uma forma mais profunda. “A linguagem da arte transforma tudo em objetos universais. As pessoas saem mexidas porque se emocionam ao se enxergarem naquelas situações que são colocadas para elas. A partir daí, elas se conscientizam mais facilmente do que acontece ao seu redor”.
Pesquisas científicas indicam que o ser humano é capaz de reter cerca de 70% do que vivencia, 40% do que vê ou lê, e somente 20% do que ouve. Com isso, a tividades vivenciais, como o Playback Theatre, vêm ganhando a cada dia mais espaço como recurso de capacitação de líderes no mundo corporativo. “O adulto aprende vivenciando, mas precisa ter as ferramentas para isso. A aprendizagem obtida com o teatro produz insights duradouros para a vida pessoal e profissional”, conta a consultora.