Novo governo: perspectivas e desafios futuros
por Camila Micheletti
"A cautela deve ser palavra de ordem na nova equipe econômica. Deixe para usar da ousadia nas reformas - tributária, previdenciária e administrativa". Foi assim que Antonio Lanzana, economista e consultor da Lens e Minarelli, iniciou sua palestra na Expomamanagement, evento mundial para executivos que ocorreu em novembro em São Paulo.
Ele afirmou que há uma grande dúvida do mercado internacional, que é o risco do Brasil dar o calote. "A dúvida é se este é um risco momentâneo, em virtude da instabilidade econômica mundial, ou uma ameaça permanente, que vai perdurar por todo o novo governo". Segundo Antônio, o risco de se comprar papéis no Brasil, hoje, é mais alto do que no Vietnã, Uruguai, Turquia e até na Bolívia.
Esse risco é alto porque a dívida externa é muito elevada, o que gera uma avaliação ruim por parte dos investidores. Para melhorar a performance do Brasil lá fora, o economista sugere um pesado investimento na política fiscal. "Com a definição da política econômica e dos responsáveis por ela, será preciso pensar numa forma de estruturar o controle orçamentário, e tentar diminuir a dívida pública e também a dívida com o FMI", explica Antônio.
O Brasil cresceu 1,5% em 2001 e 1,0% em 2002 mas, segundo Lanzana, para haver uma melhora efetiva seria necessário crescer pelo menos 4% ao ano. "Com um crescimento de 2% ao ano já é possível vislumbrar um aumento na demanda de empregos, abaixo disso fica muito difícil", esclarece.
Para haver um crescimento da produção (PIB), Antônio coloca duas questões primordiais: manter ou ampliar o saldo comercial e combater as pressões inflacionárias, fazendo com que a inflação pare de subir. "A saída é a reindexação da economia para, com isso, conquistar o mercado financeiro".
O que fazer em curto prazo? Confira as medidas mais importantes, na opinião do economista:
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