Os desafios da aprendizagem na era do conhecimento
por Carolina Cruz

Incentivar os profissionais a buscarem seu autodesenvolvimento foi o objetivo da apresentação do prof. Luiz Carlos Queirós Cabrera na palestra promovida pela FGV-EAESP no primeiro dia da ExpoManagement. “Diante das grandes transformações que estamos enfrentando, o profissional precisa se atualizar”, ressalta.

Uma pesquisa realizada pela Amrop entre 2001 e 2002 com executivos de primeiro escalão apontam as principais preocupações em relação ao futuro. Eles apontaram seis grandes tensões, denominadas pela letra C:

  • Chance: Ninguém agüenta mais ouvir falar de mudança, mas esta é uma tensão que veio para ficar.
  • Comunicação: Todos estão o tempo todo conectados e recebendo um enorme conjunto de informações, as pessoas terão que aprender a conviver e a administrar isso.
  • Concorrência: É o desafio provocado pela simultaneidade de estilos de gestão, negócios de idade diferente, processo modernos e antigos dentro da mesma organização.
  • Competitive Urgency ou Urgência Competitiva: As empresas deverão estar em permanente estado de alerta e prontidão para atender com qualidade e urgência os clientes, caso contrário a opção por um concorrente é imediata.
  • Capturar a atenção: A qualidade de prestar a atenção em algo tornou-se uma moeda valiosíssima.

Diante deste quadro, estes executivos apontaram três grandes desafios, representados pela letra G:

  • Global: Globalização, qualquer empresa, de qualquer tamanho está sofrendo esta influência.
  • Growth ou Crescimento: As organizações estão preocupadas em como crescer diante destas mudanças.
  • Governança: A grande discussão estará em torno de como gerenciar a relação entre os acionistas e os executores.

Dentro destes contextos apontados na pesquisa, o grande desafio profissional é como se preparar para enfrentar as dificuldades. O ponto chave está na empregabilidade. “Há dez anos venho batendo nesta tecla de que o emprego não pertence ao profissional, mas à empresa, ao profissional pertence a sua empregabilidade”, enfatiza o consultor. “Empregabilidade é a capacidade que um indivíduo desenvolve para acumular e manter atualizadas suas competências, rede de relacionamento e conhecimento de forma a ter sempre em suas mãos o arbítrio sobre seu projeto de carreira”, esclarece.

Cabrera ressalta o que os profissionais precisam analisar qual o nível de desenvolvimento da suas competências, de seu conhecimento e de sua rede de relacionamento. “Recomendo que todas as pessoas façam um projeto de carreira, se autodiagnosticando, caso contrário estarão à mercê dos projetos de outras pessoas”, alerta.

A competência é um atributo que é percebido no perímetro social pela geração de valores expressa por resultados, comportamentos e sentimentos. “É aquilo em que você é bom e os outros acreditam e contam para mais gente”, resume. “São os desafios que desenvolvem a competência, cursos desenvolvem apenas o conhecimento”, explica.

Cabrera afirma que a rede de relacionamento é um item que geralmente as pessoas cuidam muito mal. “Elas esquecem que 80% das relações e mudanças de emprego se dão por meio do networking”, aponta. O fato é que os profissionais precisam saber explorar seu capital social, utilizando-o com muita ética, logicamente.

Por último, o conhecimento deve ser entendido como um processo contínuo, não apenas um curso pontual. Por outro lado, as pessoas precisam se disponibilizar a aprender e não apenas esperar passivamente serem ensinadas. “Não existe mágica, eu como professor não posso ensinar a quem não está disposto a aprender”, critica.

A educação continuada é uma das mais eficientes formas de aumentar a empregabilidade, porque ela agrega conhecimento, desafia intelectualmente e socialmente as pessoas a desenvolver suas competências e aumenta a rede. Mas para isso, é necessária a atuação ativa dos três atores envolvidos nesse processo: a empresa, a escola e o indivíduo.

À empresa cabe dar condições favoráveis ao gerenciamento da carreira, valorizando e celebrando o desenvolvimento pessoal e profissional. O papel da escola é compartilhar o conhecimento, disseminando princípios e valores éticos, sempre estabelecendo parcerias com empresas e instituições internacionais.

Ao indivíduo cabe o papel mais importante, pois é ele quem vai elaborar seu projeto de carreira e cuidar, com isso, da sua empregabilidade. “Defender a ética e os valores nos quais acredita deve permear toda a carreira, porque todo o profissional é um exemplo que influencia de algum modo a carreira de outra pessoa”, sentencia Cabrera.

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