Troca arriscada
Sangue novo é bom, mas substituir profissionais em posições estratégicas baseado em custos pode comprometer futuro da empresa

É cada vez mais comum o comentário de que “cabeças vão rolar” nessa ou naquela empresa. Pode parecer uma alternativa lógica visando à redução de custos, mas será que é seguro trocar executivos experientes por iniciantes que aceitam ganhar três vezes menos para ocupar um cargo de comando? Injetar “sangue novo” na organização compensa a perda de conhecimento que só os antigos funcionários têm?

“Toda transição tem de ser analisada e planejada para acontecer de forma a trazer realmente mais benefícios do que prejuízo”, diz John Cymbaum, mestre em administração e diretor da Laboredomus – Gestão Estratégica de Pessoas. “É preciso mapear processos, cargos, funções, competências e salários antes de simplesmente efetuar um corte de pessoal baseado apenas em custos”.

De acordo com o consultor, antes de se considerar a demissão de um profissional experiente, alguém que detém bastante conhecimento sobre os processos e o negócio da empresa, há que se pensar, primeiro, na possibilidade de propor uma mudança de função. “Essa situação é diferente da daquele funcionário que já atingiu um patamar de acomodação dentro da empresa, às vezes apenas burocratizando o trabalho, caso em que o ideal é programar sua substituição por alguém disposto a colaborar com novas idéias e energia”.

Cymbaum aponta que, nos Estados Unidos, profissionais que estão prestes a se aposentar começam a ser recontratados como “conselheiros”. “No Brasil, ainda levará um tempo para adquirirmos a cultura de prestigiar o conhecimento dos mais velhos. Isso se tem restringido às empresas familiares, onde os fundadores não são afastados. Eles passam a integrar o conselho da corporação, onde sua opinião pode ser decisiva”.