Executivos em apuros
Números mostram cenário negativo em demissões no alto escalão
Por Clarissa Janini
Duas pesquisas realizadas por grandes consultorias (uma nacional e outra norte-americana) apontam para um panorama nada confortável para profissionais de cargos executivos. Na esfera nacional, a Lens & Minarelli, consultoria especializada em outplacement, revelou os dados da pesquisa que realiza anualmente desde 2002. Cerca de 200 presidentes, diretores e gerentes seniores foram entrevistados ano passado para elucidar aspectos do momento do desligamento na empresa.
A pesquisa, intitulada “Práticas de Demissão de Executivos nas Maiores e Melhores Empresas do Brasil”, mostra que pressão e estresse são palavras que constam maciçamente no dia-a-dia dos profissionais – o que ocasiona desgaste emocional e pouco espaço para atividades pessoais. Um dado interessante que ilustra essa sobrecarga é que 44,1% dos entrevistados afirmou estar aliviado com a demissão – contra 35,2% de chocados/revoltados e 20,5% de resignados. É a primeira vez, durante os três anos da pesquisa, que o número de aliviados é maior do que o de inconformados. “Esse alívio acontece logo após a notícia do desligamento, como se fosse uma corda de violino esticada ao máximo e solta logo depois. Os executivos de hoje sentem-se oprimidos mais do que pressionados, ou seja, suas vontades próprias têm pouco espaço num mundo corporativo que exige resultados cada vez mais rápidos”, diz Mariá Giuliese, diretora executiva da consultoria.
Também cresceu o número de profissionais que consideraram sua demissão injusta: 91,4%, contra cerca de 79% nos anos anteriores. Para Mariá, isso se deve ao fato de eles sentirem que cumprem o papel exigido pela empresa, mas mesmo assim não conseguem garantir o emprego. “Hoje em dia conta muito o padrão da matriz, que muitas vezes dá pouca liberdade para o executivo e pode determinar sua saída a qualquer momento. Nada mais garante efetivamente a permanência do profissional na companhia”. Muitos estão começando a perceber isso, de acordo com outro dado da pesquisa: 46,5% já esperavam ser demitidos, em 2003 o percentual era de 38% e, em 2002, apenas 23,1% dos profissionais tinham essa percepção.
Acerca desse cenário, José Augusto Minarelli, presidente da consultoria, aponta algumas alternativas para que esse processo seja menos tenso para ambas as partes: “o demissor deve receber um bom preparo da equipe de outplacement e garantir questões como a manifestação do demitido, políticas transparentes em relação ao assunto e seguros prolongados, por exemplo”. Ele também acredita que as empresas devam mudar alguns comportamentos, como “rever os valores e princípios da organização para que sejam compatíveis com os colaboradores, construir um ambiente para o aprendizado, abrandar a avidez e pensar a médio e longo prazos”.
Novatos em apuros
Outra pesquisa, realizada pela consultoria norte-americana Right Management Consultants, aponta que 35% dos executivos dos Estados Unidos falham na empresa e deixam seus postos até um ano meio após a contração. Ou seja, quanto menos tempo se está ocupando o cargo, maiores são as chances de deixá-lo. Segundo os dados levantados, as principais causas desse elevado índice de fracasso estão ligadas ao mau relacionamento interpessoal. O profissional não consegue estabelecer uma conexão com seus superiores e tampouco com os subordinados. Para Adriana Fellipelli, da RightSaadFellipelli, a pesquisa “serve para destacar a importância do relacionamento humano dentro das empresas e a necessidade de dedicação de tempo e esforço à formação da equipe com a qual se trabalha”.
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