MBA da Vida: Transformando problemas em soluções
por Rhandy Di Stéfano*
O mundo globalizou. E daí? Se eu não sou investidor, o que isso tem a ver comigo? Simplesmente tudo! Muitas pessoas ainda não conseguem reconhecer o efeito prático do conceito da globalização, pois o termo tem sido usado tão freqüentemente que acaba perdendo seu sentido real. Por exemplo, quando a globalização significa que uma multinacional leva sua fábrica para outro local, afeta a vida pessoal de cada funcionário que perdeu o emprego.
A incerteza na qual vivemos hoje em dia é o preço caro da evolução da sociedade - enquanto ela avança há sempre aqueles cujas profissões e cujo conhecimento se tornam obsoletos. Nesse momento, há duas opções: você grita e protesta, querendo que tudo seja como antes, ou inova a sua maneira de ser, para usufruir das novas oportunidades que surgem.
O buzzword deste começo de século nos EUA é “reinventar-se”. O profissional americano já está se acostumando (embora lentamente) com o choque inicial de descobrir que, daqui a alguns anos, talvez a sua profissão deixe de existir. Assim, ele é obrigado a se reinventar, renovando constantemente o seu conhecimento, tornando-se um multi-profissional.
A tendência é que esse processo se acelere ainda mais, até chegar ao ponto onde o profissional mais procurado do mercado terá o abstrato título de "consultor". Independente de sua profissão, você só será valorizado se começar a se enxergar como um consultor, que é aquele capaz de trabalhar por projeto, em vários mercados distintos.
Criatividade dramática X Criatividade empresarial
Poucos profissionais aprendem o grande trunfo dos consultores, os chamados process skills. Um dos process skills mais importantes e valorizados por toda empresa é a capacidade de resolver problemas.
Tenho ouvido vários headhunters questionarem o valor de ter um MBA, já que se acredita que “qualquer executivo que se preze tem que ter um”. O que tenho visto é a reavaliação do quanto um MBA ajuda um executivo e no quê. A melhor definição que ouvi foi a de um headhunter holandês, que afirma que o maior valor de um MBA é o de ensinar a lógica pragmática para se resolver problemas.
Os Estados Unidos é considerado o país mais rico do mundo porque o americano é criado para resolver problemas. Ele aprende desde criança que ele faz diferença no mundo. Este é o ideal da cultura do país: procurar soluções permanentes (não apenas paliativas), saber que existe sempre uma solução, não aceitar viver em sofrimento devido a problemas não solucionados. É também o ideal da cultura empresarial.
Para desenvolver a habilidade de resolver problemas, é preciso que você defina como vai usar sua criatividade na vida, e aqui vai um conceito totalmente novo sobre criatividade: apesar do talento criativo ser inerente a todos, essa qualidade se expressa de duas maneiras distintas: dramática e empresarial. A primeira é a mais usada hoje em dia pela maioria das pessoas, talvez fruto de uma sociedade onde a música, os romances e os filmes, que exploram tão bem o drama, tenham muita influência sobre o nosso comportamento. Assim, quem se irrita, fica bravo, se desespera e desanima diante de um problema, está fazendo uso da criatividade dramática.
O triste é que, quanto mais dramática for a pessoa, mais raivosa e mais vitimizada ela se sente e mais radical se torna, chegando às vezes à violência. Tratei de muitos casos de agressores violentos que eram controlados mais pela sua criatividade dramática do que pela maldade. Diminuindo o drama, a violência desaparecia.
No mundo profissional, precisamos de pessoas que possuem criatividade empresarial. Esta é a que procura soluções inusitadas, novas técnicas e maneiras de pensar. Pessoas dotadas dessa capacidade enxergam oportunidades onde outros vêem dificuldades e barreiras. Existe um comercial que está no ar há mais de 10 anos nos EUA, mostrando um programa inventado por um investidor imobiliário que ensina mais de uma dúzia de maneiras de se comprar uma casa. Muitos dos métodos, por serem inovadores e criativos, são desconhecidos pela maioria dos corretores imobiliários, acostumados à mesma maneira de sempre de fazer negócios.
O Diners Club foi inventado depois que o seu criador passou pela humilhante experiência de estar num restaurante e não ter dinheiro para pagar a conta. O walkman foi lançado depois que seu criador perceber que os jovens tinham sempre a inconveniente mania de escutar música alto onde quer que estivessem. A Hoover, um dos maiores fabricantes de aspiradores de pó no mundo, só foi criada porque William Hoover percebeu que a chegada do automóvel iria destruir seu negócio de partes para carruagens.
Há várias histórias de sucesso que foram possíveis porque se fez uso da criatividade empresarial para resolver problemas e desafios que pareciam ser inconvenientes ou até grandes tragédias quando surgiram. Por outro lado, as histórias de fracasso são quase que totalmente fruto da criatividade dramática. A capacidade para criar é a mesma, mas é você que decide se vai usá-la para resolver os problemas ou para dramatizá-los.
Dependendo de sua escolha, você terá lugar garantido em qualquer empresa do planeta, ou descobrirá que a sua maneira de encarar as coisas está obsoleta. Assim, a globalização pode ser tanto uma ameaça ou uma grande oportunidade na sua vida. It's your choice!
* Rhandy di Stéfano é mestre em Psicologia Clínica pela Antioch University Southern California, conferencista e autor do "Manual do Sucesso Total"