Onde fica o porto seguro?
por Francisco Britto*

Experientes executivos ou mesmo Empreendedores de primeira viagem buscam o mesmo destino: Sucesso.

Fusões, aquisições, enxugamentos, falências e concordatas. É nesse duro cenário que hoje vivem tanto executivos como empreendedores. Mas há luz no fim do túnel? Essa é a pergunta que permanece!

A partir da observação e do contato diário com mercado, é possível dizer que sim, existe luz no final do túnel. Fatores como criatividade, ousadia, dedicação e alguns outros ainda fazem a diferença entre os que existem e os que sobrevivem, e ainda mais nos que se sobressaem.

Sejam executivos ou não, os desafios são basicamente os mesmos: projetos adequados, capital humano adequado, competências específicas, diferenciais competitivos, planejamento e muita, muita vontade de dar certo. A vontade de fazer, acima de tudo, supera grande parte das dificuldades que são encontradas no caminho a ser seguido.

Contra fatos não há argumentos.Ninguém discute que a tecnologia, de forma geral, hoje é acessível a todos nas suas mais variadas apresentações e representações.Também sabemos que capital não é fator de decisão para nenhum projeto vencedor.

Todos aqueles que cogitam iniciar um negócio próprio têm sempre como fator de inibição, ou pelo menos de preocupação, o capital a ser nele empregado.Muitas vezes esta é a barreira principal. Os entrevistados em nosso livro "Empreendedores Brasileiros" são a prova viva de que este não é e nem nunca será um fator de inibição para uma boa idéia.

Salim Matar - Presidente da Localiza, por exemplo, nos colocou que acredita que se você tem dois grandes projetos, um com dinheiro e outro sem, o segundo tem mais chance de dar certo. E a explicação é simples: o empreendedor se pega a ele como uma solução de vida. Ou dá certo, ou dá certo. Este pensamento também foi sempre a mola propulsora de outros empreendedores como Alexandre Accioly, da Quatro A Telemarketing, que sempre transformou seus erros em novos acertos.

Quem é brasileiro não pode deixar de lado a presença do Governo na saúde ou na doença das empresas. Todos sabem que o Governo mais complica de que ajuda. São mudanças repentinas, sustos, novos impostos, a falta de financiamentos e outros fatores que formam uma enorme lista de "contras" para quem quer empreender ou gerenciar.

Muitos exemplos conhecidos mais uma vez mostram que é possível esquecer o Governo e tocar a vida. Exemplos como os de Miguel Abuhab da Datasul e Ricardo Queiros da Zanthus, sobreviventes de todos os tipos de leis de mercado na área de tecnologia, provam que é possível sobreviver a essas intempéries. São exemplos de sonhos nacionais que lutam contra as multinacionais com grande bravura e nenhum auxílio do governo.

Paixão e suor se confundem muito. Como já dizia o ditado "Deus ajuda quem cedo madruga". Ou seja, um grande empreendimento é sem dúvida feito de muito trabalho. As coisas não acontecem sozinhas. Os empreendedores têm de fazer com que elas aconteçam. Anita Roddick - CEO da Bodyshop, rede inglesa de cosméticos, fala que toda a sua vida foi marcada pelo trabalho. Como imigrante e sem recursos financeiros, encontrou no trabalho a única forma de realizar seus sonhos. Nunca parou de trabalhar e nunca parou de sonhar.

Já Emilio Umeoka, CEO da Microsoft no Brasil, diz que em tudo existe um coeficiente de paixão. Sucesso e paixão estão intimamente ligados. Nizan Guanaes, sócio da agência África e de muitos outros empreendimentos, lembra que o mercado está muito competitivo, sem chances para quem não tem paixão pelo ofício que escolheu. E reforça dizendo que paixão é paixão mesmo, não apenas estar contente com o que se faz.

O porto seguro de cada um está em si mesmo, nos fatores humildade e vontade de aprender. A partir daí, é só correr para o abraço!

(*) Francisco Britto é sócio da BW Gestão de Talentos e sócio fundador do Instituto Talento Brasil.