A globalização e o meu negócio
por Carlos Alberto Júlio*

Você é daqueles que ainda não chegaram à conclusão se a globalização é boa ou não para o Brasil? Você é daqueles que ficam confusos com o excesso e a velocidade das mudanças provocadas por esse mundo sem fronteiras da alta tecnologia? Você está entre aqueles que a toda hora se perguntam para onde tudo isto está caminhando?

O primeiro ponto a ser entendido é que essa globalização não é um efeito tão recente assim. Ao contrário, ela existe desde que o homem começou a trocar mercadorias, quando não havia moedas, e essas trocas passaram a ocorrer entre povos de lugares e culturas diferentes.

Recorrendo às origens da Teoria Clássica da Economia, o comércio internacional nasce da necessidade que povos de diferentes nacionalidades têm de trocar seus excedentes de produção por outros produtos que não produzem, ou que lhes custaria muito caro produzir. Traduzindo em miúdos: o comércio internacional é justificado pela melhoria do bem-estar e da qualidade de vida, que advêm quando um país troca tudo aquilo que produz, com menor custo e melhor qualidade, por outras mercadorias que outros países produzem, igualmente, com menor custo e maior qualidade.

Se o mundo todo passasse a trocar produtos e serviços mais baratos e de melhor qualidade, todos nós estaríamos consumindo mais produtos, de melhor qualidade e a um menor preço. Simples, não? Mais ou menos. O grande problema está no nível de competição entre os países, que se altera em função de uma série de variáveis, da tecnologia a barreiras protecionistas.

Verifiquemos alguns efeitos mais recentes dessa globalização no Brasil: você se lembra quando começou? Exatamente, com o ex-presidente Fernando Collor de Mello dizendo que os nossos carros eram carroças.
E aí? Filas para comprar Lada, que nada mais eram que carroças russas. A manifestação do ex-presidente - política ou não - foi o grito que estava na garganta de todo brasileiro que clamava por carros importados, maior diversidade e qualidade a preços justos. Tanto era assim que, aberto o mercado, passamos a comprar de tudo, até Lada.

Os supermercados, todos nós lembramos, passaram a vender milhares de novos produtos, novas marcas importadas. Na seção de cervejas, onde antes havia Brahma e Antárctica, ficamos maravilhados com as cores das novas embalagens de Budweiser, Miller, Corona, Heineken etc. Aprendemos até a falar esses nomes pomposos, a beber cerveja mexicana no gargalo na garrafa, com limão e tudo. Mais que uma invasão de produtos, novos costumes e hábitos, criou-se uma cultura híbrida nas mesas dos bares. Isso também é globalização.

De uma hora para outra, as ruas se encheram de Mercedes, BMW, Honda etc. Que bom! Primeiro mundo, enfim! Com a criação do real e o dólar a um por um, tudo parecia ter ficado muito acessível. Não era mais um privilégio de quem viajava a Miami trazer eletrônicos e perfumes. A oferta de produtos importados era farta e fácil de encontrar: macarrão virou Barilla; suco, Del Valle; e aparelhos de som eram Aiwa.

Tudo ia bem até que as estatísticas começaram a mostrar quase dois milhões de desempregados na Grande São Paulo (um em cada cinco paulistanos sem empregos), fábricas fechando, dando lugar ao importado e, aí, vieram as perguntas: será que eu quero isso? Como fica o meu negócio? Como fica o meu emprego? Sem empregos não há salários e sem esses não há clientes.

O varejo, então, começou a sentir não apenas a queda nas vendas como uma forte inadimplência, passando a vender menos e, quando vendia, não havia certeza se receberia. Quanta mudança! O que fazer para reagir a esse mundo globalizado? É possível parar o mundo para que eu possa descer? Definitivamente não.
Parece que a regra é "adaptar ou morrer". O darwinismo (teoria proposta por Charles Darwin), que provou que era melhor ser adaptável que forte, nunca esteve tão presente, tão em moda. Para os profissionais, sabemos que é fundamental hoje o aprendizado contínuo, a chamada reinvenção.

E para o meu negócio, o que fazer?
Ora, se o seu negócio é uma pequena ou grande loja, uma pequena ou grande empresa, a regra parece ser a mesma: não podemos mais ficar fora de um padrão mínimo de profissionalização.
Não há nada errado em ser pequeno. Ao contrário, as grandes economias do mundo, como os Estados Unidos, França e Inglaterra, têm na pequena empresa o grande motor de seus mercados de trabalho e consumidor. Pequeno ou grande, o errado é achar que o seu negócio pode prescindir de uma gestão mais moderna, eficiente e voltada aos critérios do mercado global.

* Carlos Alberto Júlio é CEO da HSM do Brasil e professor dos cursos de MBA do ITA, da ESPM e da FEA/USP.