O que querem os headhunters
Executivos devem ficar atentos ao que esses profissionais procuram
Por Laerte Cordeiro*
Os headhunters ou consultores em recrutamento e seleção de executivos representam uma força no mercado de trabalho, imaginando-se – já que não há estatísticas oficiais e de qualidade – que aproximadamente 30% ou mais das contratações pelas empresas acontecem por meio da atuação destes profissionais.
Para os executivos em busca de emprego é, portanto, muito importante saber o que os hunters querem, como responder às suas convocações, como atuar nos processos de seleção conduzidos por eles. Enfim, como se relacionar com os consultores que gerenciam os projetos de busca.
Há sem dúvida no mercado escritórios de hunting e search – recrutamento e seleção – que trabalham melhor, outros que trabalham pior. Há cordialidade e respeito da maioria pelos candidatos, assim como há empresas e consultores que por esta ou aquela razão talvez não tratem sempre os candidatos com maiores cuidados e cortesia.
Mas é preciso entender que a relação é de duas mãos e que há candidatos que muitas vezes desesperam os consultores, por muitas razões, muitas vezes mostrando falta de melhor competência social, desconhecimento básico do processo ou falta de “desconfiômetro”. Tais comportamentos e atitudes prejudicam seus próprios interesses, já que os hunters não avaliam apenas competências de trabalho, mas também a conduta e a postura social, a capacidade de gerar empatia e, principalmente, o bom senso aplicado.
Vale lembrar algumas dessas atitudes e comportamentos que tanto desagradam aos hunters e geram má vontade e até o eventual desinteresse pelo candidato:
• Candidatar-se com um currículo que, ao invés de ajudar, prejudica o candidato: 4 ou 5 páginas, letra pequena, papel ofício, cheio de artifícios digitais (bolinhas, flechinhas, caixinhas, asteriscos e afins), sem uma declaração clara do objetivo de busca e interesse do candidato.
• Enviar o currículo pelo correio quando a solicitação foi por e-mail e vice-versa. Ou mandar o currículo por este ou aquele meio quando a solicitação foi o cadastramento no site do hunter .
• Maquiar o currículo pretendendo “enganar” o consultor. Um bom exemplo é esconder a idade no currículo.
• Nunca estar nos telefones informados para contato no currículo ou ter dificuldades para atender. Não retornar recados deixados na Caixa Postal do celular.
• Agendar entrevista com o consultor e não comparecer. Fica muito pior quando nem avisa que não vem.
• Agendar entrevista e telefonar dez minutos depois da hora para dizer que teve um imprevisto e vai chegar “uns 40 minutos atrasado”.
• Atender o celular enquanto a entrevista se desenrola.
• Chegar meia hora antes da hora marcada, criando uma pressão desnecessária sobre o consultor que vai atendê-lo.
• Vir para a entrevista em trajes esportivos e informais, em se tratando de cargos executivos.
• Chupar balas na hora da entrevista (ou mastigar chicletes!).
• Sentar-se de maneira inadequada à frente do consultor.
• Cometer gestos socialmente inadequados durante a entrevista.
• Postura condescendente, que dá informações ao consultor como se lhe estivesse fazendo um grande favor (candidato “Rainha da Inglaterra”).
• Postura acadêmica, que só deseja comentar grandes temas, furtando-se a discutir detalhes operacionais do seu desempenho.
• Depois das entrevistas, ficar ligando ou mandando e-mails cobrando, a toda hora, informações do hunter sobre o processo.
• Atender o contato inicial do consultor com pedras na mão, imaginando – por antecipação – que é uma empresa de recolocação de atuação duvidosa.
• Não saber a diferença entre uma consultoria de hunting e uma empresa de outplacement ou recolocação. Como sabemos, o hunter busca no mercado o profissional que a empresa quer admitir, o outplacer é contratado pela empresa para apoiar seu demitido na busca de alternativas profissionais.
A lista acima não esgota os pequenos/grandes problemas com que se defrontam os hunters em seu contato com os candidatos durante seus projetos de busca. É sabido, pelos consultores, que as razões para estas gafes tem a ver com a ansiedade do momento vivido pelos candidatos, competindo num mercado difícil e precisando, muitas vezes criticamente, do emprego acenado.
Mas também existem candidatos despreparados que desconhecem a metodologia e não têm experiência em lidar com processos de recrutamento e seleção e, mesmo que informados, ainda perturbam a vida dos headhunters . Finalmente, existem também os candidatos de personalidade complicada, que cometem as suas “imprudências” em função de sua maneira de ser, muitas vezes até mesmo irritando os consultores com evidente prejuízo para suas candidaturas.
Se o leitor é candidato a emprego, tenha esta pequena lista à mão para evitar cometer alguma das falhas mencionadas. Lembre-se que o consultor experimentado sabe que ninguém é perfeito e que todos nós, aqui e acolá, ansiosos e pressionados, damos as nossas mancadas. Mas vamos ajudar os consultores em suas tarefas, lembrando que o emprego desejado só pode acontecer a partir de uma boa relação estabelecida.
Quanto aos pecados dos hunters (consultores) – e também os há – é uma outra história, que fica para uma próxima vez.
*Laerte Leite Cordeiro é diretor geral da Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos , especializada em Hunting, Outplacement e Coaching.