Instrumentos para tomar decisões na empresa contemporânea
por João Amato Neto*
Dentre as várias outras tendências, a perspectiva de novas oportunidades profissionais tem norteado o comportamento das pessoas na sociedade moderna. Assim como as empresas, que buscam cada vez mais se diferenciar nos seus respectivos mercados por meio da oferta de produtos (bens e serviços) de qualidade e de preços competitivos, os profissionais dos mais variados segmentos e campos de atuação procuram incessantemente novos desafios e a realização de seus anseios profissionais.
O processo de profundas mudanças da sociedade industrial para a sociedade digital e do conhecimento apresenta-se de forma cada vez mais intenso e acelerado. Mudanças em níveis do macro-ambiente (sociais, econômicas, políticas, culturais) e mesmo no âmbito mais próximo da vida das empresas e organizações colocam em cheque antigos paradigmas (crenças, valores, hábitos, padrões, métodos etc.).
A título de exemplo, podemos destacar que a emergência das novas tecnologias, como as relacionadas à Engenharia Genética, a novos materiais sintéticos e a novas fontes, vem revolucionando por dentro todo o processo produtivo, tanto na indústria como na agricultura, assim como em outros setores da atividade econômica.
Em especial, cabe destacar que as chamadas tecnologias de base microeletrônica e suas várias aplicações ao nível do processo produtivo (informatização/automação industrial) provocaram e continuam provocando sensíveis mudanças nos sistemas de produção material e, também, nas formas de organização do trabalho, tanto nos escritórios quanto nas fábricas. As perspectivas do trabalho à distância (o teletrabalho) já se constituem numa realidade difundida em vários países, organizações e empresas.
Por outro lado, ainda, os novos padrões de qualidade e produtividade industrial — incluindo aí os requisitos de normas internacionais, tais como os da série ISO 9.000, além dos prêmios da qualidade, as novas formas de organização da produção (“just-in-time”, células flexíveis de manufatura; “manutenção preventiva total”, “gestão total da qualidade”, etc.) e de relações inter-empresas (“terceirização”/ ”globalsourcing”, “comakership” etc.) — vêm provocando, ao longo dos últimos anos, profundas mudanças estruturais em toda a economia global, com reflexos diretos na estrutura produtiva brasileira. Alguns desses impactos são de caráter macroeconômico, como o aumento dos níveis de desemprego na indústria como um todo e/ou deslocamento intersetorial de mão-de-obra e efeitos na geração de renda.
Outros impactos, porém, ocorrem no âmbito mais restrito da própria organização empresarial, ou da própria unidade produtiva (ou de negócio). Assim, surgem questões de extrema relevância: a necessidade de se reciclar pessoal desqualificado pela introdução de um novo tipo de equipamento ou novo método de produção e/ou de organização do trabalho operacional no processo produtivo; a intensa utilização de novos métodos de planejamento e controle da produção auxiliados por computador; novas formas de gestão do binômio “qualidade/produtividade”. Estas questões passam a se constituir em motivos de grande preocupação, não só por parte dos gestores das empresas, mas também por parte dos empresários, dos trabalhadores, do Estado, dos pesquisadores e, enfim, de toda a sociedade.
Na minha opinião, os novos modelos de gestão estratégica na empresas devam focalizar a realidade dinâmica dos mercados, tanto em nível local como global. Partindo-se de uma fundamentação conceitual de microeconomia, macroeconomia, engenharia econômica, análise financeira e mercadológica (marketing) e gestão de operações de bens e serviços, é imprescindível que os tomadores de decisão na empresa abordem constantemente temas de elevada importância e atualidade, como conjuntura econômica brasileira e internacional, mercados eletrônicos, análise de investimentos, alianças estratégicas/redes inter-organizacionais/consórcios de exportação e estratégias de formação de preços (pricing), dentre outros.
* João Amato Neto é professor Livre-Docente e coordenador do Núcleo de Pesquisa em “Redes de Cooperação e Gestão do Conhecimento”, no Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica/USP.