Companheiro de todas as horas

Por Juliana Falcão

Quem já não passou horas e horas ouvindo programas de rádio enquanto executava tarefas cotidianas? Quem não já se pegou dando asas à imaginação durante uma história contada no rádio ou respondendo às diversas perguntas feitas pelo locutor?

Mas engana-se quem pensa que um programa de rádio ou de televisão é feito apenas pelo locutor. Além dele, inúmeros sonoplastas, operadores, produtores, diretores e roteiristas dão vida ao mundo mágico dos meios de comunicação.

Para quem deseja ingressar na área de radialismo, Márcio Santos, assistente de estúdio de rádio do Senac em São Paulo, dá algumas dicas. "Talento, boa leitura, comunicabilidade e boa dicção são imprescindíveis", diz ele.

Segundo o assistente, hoje em dia, vozes graves e fortes já não são tão importantes. Pelo fato do locutor possuir também a função de comunicador, o objetivo dele é causar empatia, através de versatilidade e carisma.

José Roberto, conhecido também por Zinho, 12 anos de carreira e locutor da Rádio Totem, acrescenta: "O profissional deve ser inteligente, falar inglês, ter vontade e muita sorte".

"Estar bem informado e sempre munido de uma agenda de contatos para eventuais emergências são atitudes que também fazem parte da vida de um bom profissional de rádio", complementa João Ferreira, locutor da Rádio Globo de São Paulo com 15 anos de experiência.

Para o comentarista da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, José Paulo de Andrade, 58 anos e 40 de profissão, o bom profissional deve seguir três requisitos básicos. "Primeiramente, deve ter vocação e sujeitar-se a escalas de trabalho fora dos horários e dias convencionais de outras profissões. Em segundo lugar, ser dotado de sensibilidade de comunicação e falar a linguagem média do público, simples e direta. Em terceiro, muita leitura, informação e curiosidade para aprender e conhecer".

Mercado de trabalho

Há alguns anos, o rádio e a televisão eram os únicos meios para exercer a profissão de radialista. Hoje, com o crescimento da Internet, novos campos se abriram e novas oportunidades ainda irão surgir.

Apesar da concorrência, há também as oportunidades nas rádios comerciais AM (amplitude modulada) e FM (freqüência modulada). "Há bastante rotatividade nas rádios FM. Nessa área, o profissional exerce a função de locutor e operador. É mais dinâmico, pois tem um público mais jovem que gosta de piadinhas e muita música", diz o assistente de estúdio de rádio, Márcio Santos.

Em compensação, nas rádios AM a possibilidade de fazer carreira é maior. "O público é mais fiel, diferente do público de FM, que se identifica apenas com o programa. Nas rádios AM, ele se identifica com o jeito do locutor. Tanto é que quando o profissional muda de rádio, os ouvintes o acompanham" explica Márcio.

Para o radialista, ainda existem outros locais para exercer a profissão: "Há também produtoras, que contratam locutores para fazer dublagens, documentários e eventos em geral. Sem contar os circuitos internos em shoppings, escolas e empresas, que não deixam de ser uma boa oportunidade de trabalho", conta ele.

Ao contrário do assistente, José Roberto, da Rádio Totem, acredita que o mercado de trabalho está concentrado nas rádios FM e AM. "Nas rádios, você conversa com o ouvinte. Nos demais lugares, você cuida da programação musical, sem manter contato com quem está ouvindo. A Internet no Brasil ainda está em fase de crescimento. Talvez daqui a 10 anos o mercado nessa área esteja mais amplo", afirma Zinho.

O curso

Você pode escolher os cursos técnicos, oferecidos pelo Senac e pela Radioficina, ou uma faculdade de Rádio e TV.

O curso técnico de radialismo - locução, com carga horária média de 372 horas - fornece o DRT, registro necessário para exercer a profissão. Quem quiser obter o certificado de técnico em radialismo deve fazer pelo menos 800 horas de curso. "Como o curso de locução possui somente 372 horas, o profissional precisa ter uma qualificação a mais para totalizar as 800 horas e receber o certificado", explica Márcio Santos.

Tanto o curso técnico quanto a faculdade fornecem o DRT. A diferença está no tipo de registro. Quem faz curso técnico de locução, recebe o DRT de locutor, estando possibilitado a exercer apenas essa função. Quem faz faculdade, recebe o DRT profissional, que possibilita ao graduado ser radialista e exercer diversas atividades dentro do rádio e da televisão, como produção e direção.

De acordo com o site da CRV Mídia, o profissional de radialismo pode exercer as mais diversas funções, distribuídas em três ramos distintos: Administração, Técnica e Produção.

A profissão é regulamentada desde 16 de dezembro de 1978, pela Lei 6615, decreto 84.134, de 30 de outubro de 1979 e 94.447, de 16 de junho de 1987.

O Sindicato

Há 36 anos o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo tem as funções de garantir os direitos do trabalhador previstos em Lei, analisar as condições de trabalho e segurança desses profissionais, além de procurar manter os acordos feitos com as empresas no que se refere a benefícios e salários.

Mensalmente, os radialistas revertem 1,5% de seu salário base para o sindicato em troca de serviços como auxílio jurídico, convênio com colônias de férias e descontos de convênio médico e odontológico, além de um boletim quinzenal e de um jornal com informações sobre o mercado de trabalho.

Segundo Francisco de Campos Pacheco, secretário de Administração e Finanças do sindicato, "o registro no Ministério do Trabalho é obrigatório para exercer a função legalmente. Porém, a sindicalização é opcional".

Onde estudar:

Amazonas:
Centro Universitário Nilton Lins

Bahia:
Universidade Estadual de Santa Cruz

Distrito Federal:
Universidade de Brasília

Espírito Santo:
Faculdades Integradas Espírito-Santenses

Goiás:
Universidade Federal de Goiás

Maranhão:
Universidade Federal do Maranhão

Mato Grosso:
Universidade Federal de Mato Grosso

Mato Grosso do Sul:
Universidade Católica Dom Bosco

Minas Gerais:
Universidade Federal de Juiz de Fora
Universidade Federal de Minas Gerais

Paraíba:
Universidade Federal da Paraíba

Paraná:
Faculdades Maringá
Universidade Tuiuti do Paraná

Pernambuco:
Universidade Federal de Pernambuco

Rio de Janeiro:
Centro Universitário da Cidade
Faculdade Pinheiro Guimarães
Faculdades Integradas Hélio Alonso
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Rio Grande do Sul:
Universidade de Passo Fundo

São Paulo:
Centro Universitário de Votuporanga
Centro Universitário Monte Serrat
Centro Universitário Sant'anna
Faculdade Anglo Latino
Faculdades Domus
Faculdades Integradas Alcântara Machado / Faculdade de Artes Alcântara Machado
Faculdades Integradas de São Paulo
Faculdades Integradas Teresa D'Ávila
Fundação Armando Álvares Penteado
Instituto Municipal de Ensino Superior de Bebedouro Victório Cardassi
Instituto Municipal de Ensino Superior de São Caetano do Sul
Universidade Anhembi Morumbi
Universidade Cruzeiro do Sul
Universidade de Mogi das Cruzes
Universidade de São Paulo
Universidade de Santo Amaro
Universidade Estadual Paulista
Universidade Federal de São Carlos
Universidade Metodista de Piracicaba
Universidade Metodista de São Paulo
Universidade São Judas Tadeu

Sergipe:
Universidade Federal de Sergipe

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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