Privatizações e fusões fazem escritórios de advocacia crescerem até 50%


Diz a lenda que uma típica mãe judia (conhecida por ser superprotetora) caminhava pela rua com seus três filhos pequenos quando uma outra mulher comenta: "Nossa, que filho lindo você tem". E a mãe judia, orgulhosa, pergunta: "Qual? O advogado, o engenheiro ou o médico?"

Esta história serve muito bem para retratar a expectativa que era criada pelos pais de antigamente sobre a profissão a ser seguida pelos filhos. Mas hoje em dia, a julgar pelo "boom" registrado no mercado de trabalho, alguns pais podem resgatar esta velha tática de "aconselhar" seus filhos que ainda não decidiram que carreira seguir a optarem pelo advocacia.

Enquanto em 1999 e no começo deste ano, o país enfrentou um dos piores momentos econômicos de sua história, alguns dos principais escritórios de advocacia fecharam o ano rindo à toa, com crescimento em seus negócios de até 50%, motivados, em parte, pela onda de privatizações e fusões.

Os principais campos de atuação dos escritórios foram telecomunicações, energia elétrica, petróleo e gás. Além disso, graças ao impressionante desembarque de capital estrangeiro por aqui, os advogados foram requisitados tanto para abertura de empresas como para consultas sobre as tendências de mercado e as leis vigentes no Brasil.

Isso explica-se porque toda aquisição de empresas necessita inicialmente de uma rigorosa auditoria jurídica, em que são levantadas todas as pendências judiciais e administrativas da companhia a ser comprada.

O crescimento dos negócios está diretamente ligado ao aumento do quadro funcional dos escritórios. O Pinheiro Neto, que há um ano tinha 179 advogados, hoje conta com 220, ou seja, aumento de 21%. O Tozzini, Freire cresceu 50%, passando de 127 para 190 advogados, mesma taxa de crescimento do Trench, Rossi, que foi de 80 para 120.

Este crescimento pode ser sentido até na procura por estágios. O Empregos.com.br, empresa líder nacional em divulgação e recrutamento de currículos pela Internet, com mais de 245 mil currílculos cadastrados, conta hoje com 73 vagas para a área de advocacia, sendo 43 para profissionais formados e 30 para estudantes, além de 3811 candidatos cadastrados (3381 formados e 430 estudantes).

Segundo Ricardo dos Santos, advogado do Grupo Performance Recursos Humanos & Assessoria Empresarial, que administra o Empregos.com.br, para este ano, a tendência dentro da advocacia é que não haja crise nas bancas de advocacia, pois a entrada de capital estrangeiro está sendo o motor que acelera o crescimento do setor no Brasil.

"O investimento externo gera oportunidades de negócios e uma nova cultura empresarial em que os advogados têm papel de destaque, uma vez que antes de adquirir uma empresa no Brasil, é feito um levantamento jurídico da mesma, apurando todas as pendência societárias, trabalhista, tributárias, civis, etc. Essa devassa da vida jurídica da companhia é realizada por uma equipe de advogados especializados, exigindo um número maior de profissionais, o que faz com que as bancas contratem cada vez mais."

Entre as áreas em alta no direito, o advogado do grupo Performance destaca os setores de telecomunicações, energia, petróleo, e-commerce, Internet, tributário e ambiental, como as que apresentam um grande campo a explorar, principalmente devido aos processos de privatização.

"Um novo mercado deve-se abrir e quem souber aproveitar áreas pouco exploradas irá sobressair perante os outros profissionais", diz Ricardo Santos.