O oceanógrafo, como é chamada a pessoa graduada nessa área, possui como principais atividades a proteção da fauna e da flora, o desenvolvimento de técnicas para melhor aproveitamento dos recursos naturais e minerais, planejamento e cultivo de peixes e crustáceos, análise da composição da água, de suas variações no tempo e nas diversas profundidades, descoberta de novos recursos alimentares e controle e criação de técnicas para eliminar a poluição. Apesar da busca pelo conhecimento científico sobre o mar existir desde os tempos de Aristóteles, o nascimento da oceanografia moderna aconteceu na viagem da corveta "H.M.S. Challenger", um navio de combate que transportou, em 1872, mais de 200 homens por cerca de 110 mil km durante três anos. O objetivo dessa aventura foi investigar as condições físicas dos oceanos, a composição química da água do mar, as características química e física dos depósitos do fundo oceânico e a distribuição da vida no ambiente marinho. As informações coletadas durante a viagem resultaram em 50 volumes, totalizando 29.000 páginas e 3.000 ilustrações, o que permitiu um grande nos estudos sobre o assunto. Isso fez com que a área de oceanografia ganhasse espaço e valorização. Hoje existem institutos de pesquisas oceanográficas espalhados pelo mundo e os cursos de graduação são oferecidos em oito instituições de ensino. A primeira a apostar nesse setor foi a Universidade do Rio Grande (RN), em 1970. "Ao longo desses 31 anos, já formamos cerca de 670 profissionais. O mercado vem se expandindo cada vez mais e a tendência é que mais instituições percebam a importância do profissional de Oceanografia para a área ambiental do país", diz Luiz Carlos Krug, coordenador do curso de Oceanografia da Universidade. Formação De acordo com a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (SESU/MEC), o curso de graduação em Oceanografia deve possuir no mínimo quatro anos e no máximo oito. Durante esse período, as disciplinas de Matemática, Física, Química, Geologia, Biologia e Computação são consideradas básicas para a formação do profissional. A Oceanografia é dividida em quatro áreas, que devem constar na formação geral do estudante: Oceanografia Física - investiga as propriedades físicas da água, as trocas de energia entre o oceano e a atmosfera, além da atuação de forças internas e externas nos oceanos e os movimentos resultantes: marés, correntes e ondas. A partir do conhecimento dessas áreas, o estudante de Oceanografia pode optar pelas seguintes especializações profissionais: Aqüicultura, Pesca, Poluição de Ambientes Marinhos e Costeiros, Manejo de Recursos Marinhos Renováveis e não-renováveis, Gerenciamento e Manejo Ambiental. As aulas práticas são obrigatórias em qualquer instituição e são compostas de aulas em laboratórios e também em embarcações. Dependendo do setor de atuação do profissional, é necessário que ele saiba nadar. Em algumas áreas essa habilidade é desnecessária. Os profissionais da área de Oceanografia são representados pela Associação Brasileira de Oceanografia. A cada ano, uma faculdade que oferece o curso organiza a "Semana Nacional de Oceanografia", evento que reúne as novidades e informações da área para promover reciclagem e atualização profissional. O curso ainda não é reconhecido pelo governo, mas isso não impede que o oceanógrafo preste concursos públicos. A única barreira é a hora de assinar alguns projetos. "Há apenas o projeto de Lei n.º 3.491 - B, de 1993, para definir as atividades desse profissional. Com isso, o trabalho em órgãos públicos é possível por meio de acordos com as instituições que necessitam do trabalho do oceanógrafo", explica Krug.
Para o oceanógrafo, o campo é bastante amplo, principalmente na região Nordeste do país. Setores como os de consultoria ambiental, prospecção de petróleo, alimentos e cultivo de organismos aquáticos tendem a ser os mais promissores. Há ainda outros setores de atuação, como em universidades realizando pesquisas; organizações governamentais como o IBAMA, organizações não-governamentais (Projetos TAMAR, Peixe-Boi, Baleia Jubarte, etc.), órgãos federais, estaduais e municipais e na realização de estudos de impacto ambiental. Não há média salarial para esse profissional. Isso varia de acordo com a forma de trabalho e com os conhecimentos adquiridos. Não só o mercado vem crescendo, mas também o interesse pelas faculdades em ministrar o curso. O Espírito Santo está apostando nesse setor e a USP (Universidade de São Paulo) abrirá vagas para o curso no próximo ano. "Isso ajudará o mercado a se expandir cada vez mais e o profissional a receber o reconhecimento que merece", diz Krug. Onde estudar: Centro Universitário Monte Serrat
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