A vingança dos "CDFs"
por Edmundo Rodrigues
Se você é um dos famosos "turistas de faculdade" (alunos que passam a maior parte do tempo paquerando e jogando truco nos bares próximos à universidade ao invés de estudar), aqui vai uma péssima notícia. Ao entrar no mercado de trabalho, você poderá ter como seu superior justamente o "CDF" da turma. Isso mesmo, aquele aluno que hoje está sentado na primeira fileira da classe, que não perde nenhuma aula, e que, na sua opinião, só serve para você copiar trabalhos e colar nas avaliações.
A invasão das empresas "pontocom" tem valorizado o passe dos estudantes de terceiro e quarto anos do ensino superior. Segundo Clisanto Xavier dos Santos, diretor de RH da GPM Publicidade e Propaganda, o que ajuda na contratação de universitários é a facilidade deles adaptarem-se aos negócios das empresas. "Contratar profissionais de companhias tradicionais pode gerar problemas de adaptação, pois a maneira com que as empresas "pontocom" administram seus negócios é diferente das tradicionais. Por isso, é vantajoso contratar estudantes que estão atualizados com as mudanças do mercado de trabalho e da economia mundial e que não possuam vícios trabalhista."
Na opinião de Santos, ter um bom rendimento em sala de aula, bem como tirar boas notas, podem ser espelhos de um futuro promissor. Mas isso não significa para os estudantes a obrigação de serem "CDF". "Hoje em dia, é importante a dedicação a faculdade, pois a competição no mercado está bastante acirrada e os estudantes mais dedicados terão chances de conseguir melhores oportunidades que os que levam a faculdade na brincadeira", diz.
É bom deixar claro, no entanto, que isso não significa excluir-se das diversões do mundo, como sair à noite, encontrar-se com amigos no bar próximo a faculdade, viajar nos finais de semana, namorar. "Afinal de contas, a felicidade e os estudos são fatores primordiais para os jovens de hoje em dia." diz Ana Mello, coordenadora do curso de Comunicação Social da UNICSUL. Para ela, é importante saber dividir os horários de estudos, diversão e trabalho.
É o caso de Patrícia Arruda de Oliveira, estudante do último ano de Publicidade e Propaganda da Universidade Brás Cubas, apontada pelos professores como uma garota de visão jovem, além de ser extremamente disciplinada e dedicada aos estudos. Ela trabalha há dois meses como designer na GPM e atribui seu sucesso as inúmeras horas de estudos diários.
"A contratação dela deve-se ao fato de ser uma aluna inteligente, que garimpa informações importantes sobre a profissão e está constantemente atualizada com o mundo publicitário", elogia o diretor de RH da agência.
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