Empresa Junior, trabalho de gente grande

por Renata Marucci

O mercado de trabalho, cada vez mais competitivo, exige dos estudantes muito preparo para conquistar um lugar de destaque no mercado. Uma maneira

muito eficaz de conseguir isso é fazer parte de uma empresa júnior.

O que é

Empresa júnior é uma associação civil, sem fins lucrativos, constituída por alunos de graduação de estabelecimentos de ensino superior. O objetivo é prestar serviços e desenvolver projetos para empresas, entidades e sociedade em geral, de acordo com a área de atuação e sob supervisão de professores e profissionais especializados.

O trabalho surgiu na França em 1967 e chegou ao Brasil em 1988, com as empresas juniores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Vantagens

Essa atividade, uma tendência já bastante consolidada, complementa a formação acadêmica do estudante em vários aspectos, porque possibilita colocar em prática as teorias aprendidas em sala de aula.

Além disso, é possível desenvolver, desde cedo, conhecimentos e habilidades fundamentais para o ingresso no mercado de trabalho: administração de uma empresa, coordenação do trabalho em equipe, delegação de responsabilidades, participação em reuniões de trabalho, capacidade de negociação, de tomar decisão, além do contato direto com problemas e situações reais.

Hoje, o Brasil conta com mais de 250 associações no Cadastro Nacional de Empresas Juniores. É uma atividade muito bem vista pelos selecionadores. Por isso, não deixe de tentar participar de uma se a sua faculdade der essa opção, ou então, seja o empreendedor responsável pela implantação do projeto. O desafio é maior, mas sua experiência será reconhecida.

As empresas juniores contribuem também para a qualificação da escola, tanto no mercado de trabalho quanto junto ao MEC. Além disso, permitem que micros, pequenos e médios empresários contratem serviços de qualidade a preços acessíveis.

Como funciona

As empresas juniores têm por hábito divulgar as vagas abertas junto aos alunos, mas quem procurar conhecer a empresa júnior da faculdade vai acelerar e facilitar o próprio ingresso na associação, já que saberá do processo seletivo com antecedência.

Cada empresa tem sua forma própria de trabalhar. Algumas recrutam estudantes que trabalham em projetos, outras, por período, mas todas atendem de forma extremamente profissional seus clientes. A empresa júnior da FGV, por exemplo, recebe em média 150 inscritos por semestre para preencher, no máximo, 20 vagas.

O processo é feito em duas fases e busca alunos que demonstrem ter iniciativa, boa capacidade de comunicação e princípios éticos. "É importante estar comprometido com a idéia, pois não há nenhum tipo de remuneração", completa Gustavo Perin Aily, consultor solver da organização e candidato à presidência na próxima gestão.

Gustavo está há um ano e meio na faculdade e na empresa júnior e acredita que essa experiência vale muito. "Tenho contato com um mundo bastante diferente do da sala de aula. Aplico alguns conceitos aprendidos e descobri que a teoria é bem diferente da prática", conta ele.

Depois de trabalhar em um grande projeto de evento e dois de marketing, ele constatou que além do desenvolvimento profissional, tem crescido muito como pessoa. "Você inevitavelmente aprende a se relacionar. O relacionamento interpessoal melhora muito e você aprende a diferenciar questões pessoais das profissionais", relata Gustavo.

A ECAJr., da USP, atua nas áreas de Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Turismo, e recruta profissionais conforme a necessidade. Por meio de um cadastro de interessados, escolhem-se os estagiários de acordo com o número de projetos fechados. Somente a diretoria trabalha sem remuneração.

"A experiência tem sido muito rica. Nós aprendemos a lidar com as pessoas, a negociar com os clientes, a dirigir uma empresa, a tomar decisões", explica Leonardo Freitas Fonseca, presidente e diretor comercial da ECA Jr.

Além disso, ele reforça que as companhias "adultas" valorizam essa experiência. "O mercado vê com bons olhos a força de vontade do estudante que se dedica a uma empresa júnior, pois isso demonstra a disponibilidade do futuro profissional em se comprometer e uma postura pró-ativa, por saber aproveitar as oportunidades", explica.

A empresa cobra valores cerca de 40% mais baratos do que os praticados pelo mercado, o que atrai pequenos e médios clientes.

Embora existam muitas empresas juniores, elas trocam informações entre si, indicam clientes para outras quando não podem atendê-los e participam com frequência dos encontros promovidos por entidades representantes, como a FEJESP (Federação das Empresas Juniores do Estado de São Paulo).