Faculdades treinam alunos para o mercado de trabalho
por Clarissa Janini


Está cada vez mais difícil ingressar no concorrido mercado de trabalho, até para quem tem curso superior. Falta de experiência e pouca visão de mercado são os maiores obstáculos na hora de conseguir o primeiro emprego. Pensando nisso, algumas faculdades disponibilizam recursos como orientação de carreira e banco de estágios para auxiliar o aluno a realizar seus objetivos profissionais.

O programa “Ibmec Carreiras” foi criado em 2002 justamente para orientar o aluno da faculdade sobre as práticas de mercado e melhorar suas chances de conseguir um emprego. Um diagnóstico sobre potencialidades e fraquezas é feito individualmente e o resultado indica os pontos que devem ser aprimorados. “Verificamos as falhas mais comuns entre os alunos e montamos uma turma específica”, diz Jaqueline Giordano, gerente de Desenvolvimento de Carreiras do Ibmec São Paulo. Ela afirma que cerca de 80% dos alunos da faculdade cursam o Ibmec Carreiras, disponível já desde o primeiro ano, com conclusão no quarto ano, quando o aluno já começa a estagiar.

Estudante de administração de empresas no Ibmec, Marcelo Biernath da Silva conta que procurou o serviço após a indicação de um amigo. “Descobri que precisava melhorar minha organização e participei de simulações de dinâmica de grupo, que me ajudaram posteriormente nas dinâmicas de verdade”. Este ano ele começa a estagiar no Unibanco.

Na Uninove (Centro Universitário Nove de Julho) existe o Núcleo de Estágios, um serviço gratuito que ajuda o aluno não só a começar a estagiar, como também a fazer um bom plano de carreira. O professor e diretor de Educação Continuada Ronaldo Rangel diz que os estudantes são estimulados a cadastrar-se no programa, que também conta com parcerias de diversas empresas. “Temos 8 mil cadastros de alunos e cerca de 40 empresas parceiras”. Após o cadastro os estudantes são treinados para a entrevista de emprego. Na área de saúde também há o aconselhamento de postura e conduta do aluno, que aborda temas como “a melhor roupa” e “como lidar com os pacientes”.

Após o início do trabalho, a faculdade acompanha a evolução do aluno por meio de relatórios semestrais assinados pelo supervisor do estágio. “Assim podemos aconselhar o estudante a continuar ou não naquela empresa”, afirma Rangel. Ele ainda garante que essa supervisão contribui para o futuro profissional dos alunos. “Em média 30% desses estagiários são efetivados após o término da faculdade”.

A preparação específica do aluno de graduação para o mercado de trabalho não é novidade nas principais universidades da América do Norte e Europa, segundo o professor e coordenador do Centro de Desenvolvimento de Carreiras da Business School SP, Filipe Martins. Segundo ele, lá fora os programas são do tipo “Placement Office” e auxiliam o aluno a montar o próprio currículo de acordo com as solicitações do mercado, além de orientar sobre a carreira e estimular a participação em feiras de recrutamento promovidas por empresas. No Brasil esse conceito ainda está germinando, o que, para Martins, é um dos fatores que contribui para uma possível frustração na carreira futuramente. “As faculdades ainda têm uma visão mais acadêmica e pouco ensinam sobre a prática do mercado”. Esse processo, acredita, vem desde o Ensino Médio, em que o aluno tem que optar por áreas específicas (humanas, biológicas ou exatas) muito cedo e com pouca orientação. As dicas para quem está passando por isso são bem simples: pesquisar bastante sobre a carreira que pretende seguir e ter contato com profissionais da área.


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