![]() |
O que as empresas esperam dos trainees? por Daniele Aronque Ser trainee de uma grande empresa é o sonho de muitos estudantes e recém- formados em quase todas as áreas de atuação. Nada melhor que |
| começar a carreira em um lugar que vai ensinar como desenvolver os potenciais e ajudar a transportar para a realidade todas as teorias aprendidas nas salas de aula. |
Mas você sabe realmente o que as empresas esperam de cada trainee? Sabe o que fazer para ser aceito em programas como esses?
Em primeiro lugar é bom saber que hoje o nome da faculdade conta cada vez menos na hora da seleção. O que a maioria das empresas procura são jovens de sólida formação cultural, sem levar como ponto principal ou eliminatório a faculdade ou universidade onde se formaram. Outro dado importante é que a necessidade do inglês, pelo menos o nível intermediário, é cada vez mais evidente em todos os grandes processos seletivos para as vagas de trainee.
Para as empresas, esses programas são uma boa maneira de buscar pessoas com idéias novas para atuar dentro da organização. "Essa não é nossa única forma de recrutamento, mas á aquela que traz pessoas jovens, com potencial, que acreditam no que fazem e que usam toda sua energia para fazer um bom trabalho e aprender cada vez mais", diz Ana Beatriz Balduino Patrício, gerente geral de desenvolvimento de RH do Banco Itaú.
Os programas visam a formação do profissional que acabou de sair da faculdade para que ele possa iniciar sua carreira em uma empresa ou função com a qual tenha afinidade. Por isso, durante todo o processo seletivo, além de requisitos básicos como conhecimentos gerais, capacidade de relacionamento e de trabalho em equipe, é avaliado também se o candidato tem o perfil adequado ou compatível com a instituição que pretende trabalhar.
"No caso de instituições financeiras, como o Real ABN Amro Bank, o jovem precisa ter afinidade e gostar do trabalho que fazemos aqui. Não adianta contratarmos um trainee que não gosta da rotina de relações bancárias, pois ele não irá aproveitar nada do aprendizado que o banco pode dar e, conseqüentemente, o banco não aproveitará nada de seu potencial!", explica Ana Lucia Magalhães, analista de RH do Banco Real.
Troca de experiências
Desenvolvido para possibilitar situações e oportunidades de aprendizado e formação, misturando prática e teoria, o programa de trainees da Natura quer que os recém-formados experimentem as diversas situações do dia-a-dia da empresa, propondo desafios para que surjam novas idéias e soluções por parte dos trainees.
Para Flavio Pesiguelo, gerente de planejamento e desenvolvimento de RH da Natura, quando saem da faculdade nem todos os estudantes sabem exatamente o que querem de sua carreira, por isso o programa de trainee é planejado para dar uma visão geral da empresa, mostrando como as ações dos departamentos estão relacionadas e as vantagens de um trabalho em equipe.
"Sempre procuramos pessoas que tenham o jeitão da Natura, que se identifiquem com as competências da empresa. O que nós esperamos dos trainees é a curiosidade intelectual, a vontade de aprender e de buscar coisas novas. É o questionamento constante que traz novas idéias e contribui para o crescimento da empresa e o desenvolvimento do trainee", diz Pesiguelo.
Trainees com Responsabilidade Social
Que tal ser um trainee para o Terceiro Setor? Pois essa é uma opção que já existe!
Devido ao crescimento dessa área de atuação, aumentou também a demanda por profissionais qualificados e especializados. Foi pensando nisso que o GIFE (Grupo de Institutos Fundações e Empresas) teve a idéia de montar um programa de treinamento voltado para esse setor.
"Temos a preocupação, durante o processo seletivo, de tentar avaliar se o candidato tem predisposição para atuar no terceiro setor. Não é uma área fácil de se trabalhar no Brasil e por isso procuramos entender o que levou essa pessoa a optar por trabalhar com projetos sociais, o que a vincula a essas causas, a consistência dessa opção, independente da área de atuação", explica Maria Angélica Carneiro, gerente de capacitação e mobilização do GIFE e coordenadora do programa de trainees.
Desde 1997 o programa de capacitação tem a preocupação de formar e treinar profissionais para que eles estejam aptos a representar suas instituições junto às organizações empresariais e outras organizações do terceiro setor. Uma diferença desse programa é que, para se candidatar, é preciso ser indicado por alguma empresa ou organização (seja ela vinculada ao GIFE ou não), isso porque o programa é dirigido a organizações que desenvolvem ações sociais ou que estejam se preparando para desenvolvê-las.
"Mesmo com o desenvolvimento constante que vem tendo, o mercado do terceiro setor ainda é muito instável quando o assunto é remuneração, pois não produzimos receita e nosso produto é a transformação social. Esse programa faz com que os profissionais fiquem mais visíveis e tenham mais mobilidade dentro do mercado - por isso nos preocupamos tanto com a vocação dos candidatos", finaliza a coordenadora.
Saiba mais detalhes sobre os programas de trainee citados na matéria