Iniciantes: o futuro do mercado de TI

por Juliana Falcão

A área de Tecnologia da Informação está borbulhando. Estudos da Impacta Tecnologia indicam que em 2001, serão abertos 27 mil novos empregos na área.

Além de buscar profissionais com perfis invejáveis e boa experiência, esse mercado também abre espaço para iniciantes. Isso se deve à dificuldade que as empresas têm encontrado para contratar mão-de-obra qualificada. Assim, estagiários e trainees tornam-se um trunfo valioso para a expansão do segmento. "O mercado tende a crescer ainda mais e precisamos capacitar esses novos profissionais para poder suprí-lo", diz Fernando Justino Marques, Diretor de Recursos Humanos da Lucent Technologies.

A diferença entre estagiários e trainees é que os primeiros não são funcionários contratados da empresa - mas podem vir a ser - e os trainees são contratados como funcionários e ingressam na empresa ocupando um cargo-base (júnior), devido à sua bagagem de conhecimento acadêmico. Assim como os estagiários, possuem chances de desenvolver sua carreira na organização.

Perfil

Cada empresa procura em seus colaboradores determinadas características, porém há algumas que devem ser comuns a todos os iniciantes na área de Tecnologia da Informação: responsabilidade, velocidade de aprendizado, postura, inglês e espanhol fluentes. Uma característica também muito valorizada é a capacidade de relacionamento interpessoal. "Não adianta o profissional ser extremamente competente e não saber trabalhar em equipe. Isso acarreta problemas para a empresa que está, na verdade, em busca de soluções", explica Fernando Marques.

A remuneração e os benefícios variam de empresa para empresa. Segundo o diretor de Recursos Humanos da Lucent Tecnologies, um estagiário pode ganhar em média R$ 1 mil, além de vale-transporte, vale-refeição, seguro de vida, assistência médica e odontológica e curso de inglês. Já a remuneração de um trainee pode chegar a R$3 mil e, além dos benefícios fornecidos aos estagiários, pode receber também plano de pensão, previdência privada e possibilidades de compra de ações da empresa.

Independente do que a empresa possa oferecer, Fernando acredita também que "o profissional é responsável pelo desenvolvimento de seu plano de carreira. Por isso, é preciso ter conhecimento das características que as empresas buscam nele. A partir daí, colocar a auto-crítica para funcionar e buscar aprimoramento. Isso faz dele um profissional de sucesso", afirma o diretor.

Treinamento interno: solução para a escassez

Contratar profissionais em início de carreira é bastante vantajoso para as corporações, uma vez que elas mesmas podem treiná-los em atividades cuja experiência de quem já trabalha há mais tempo não é suficiente. Além disso, os jovens costumam demonstrar dedicação ao trabalho, vontade de realizar e serem reconhecidos por isso, e muita ambição.

A CPA Sistemas de Informação, por exemplo, já está cuidando da formação de seu time de profissionais. A empresa atua no desenvolvimento de softwares, segmento que necessita de profissionais com capacitação específica. A CPA investe anualmente US$ 100 mil em seus programas de capacitação, que envolvem cerca de 60 estagiários.

Outra empresa que aderiu aos treinamentos para iniciantes foi a Lucent Technologies. "Atualmente estamos trabalhando no programa Beginners. Recrutaremos estagiários, pagaremos a faculdade e um curso de inglês. A carga horária será de seis horas, para que no restante do dia ele possa se dedicar aos estudos", explica Fernando Marques, diretor de Recursos Humanos da Lucent Technologies.

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