Mais jovens no mercado de trabalho
Prática do estágio beneficia estudantes e acaba com o mito do serviço barato

O estágio é fundamental para o aperfeiçoamento do estudante e funciona como degrau para o primeiro emprego. Além de beneficiar os jovens que buscam uma colocação no mercado, a atividade também traz ganhos para a empresa. Isso ocorre porque por meio da contratação do estagiário, ela investe em um profissional mais preparado e antenado com sua cultura interna.

“Realizar um estágio é uma opção maravilhosa para o jovem que pretende ingressar no mercado de trabalho”, afirma Carlos Henrique Mencaci, presidente da Abres (Associação Brasileira de Estágios). Criado em setembro do ano passado, o órgão visa promover e divulgar o estágio junto às comunidades do Brasil, além de lutar pela ética e liberdade nas relações entre escolas, empresas e agentes de integração.

A Associação ainda é favorável à manutenção da Lei nº 6.494/77 – que dispõe sobre os estágios –, mas sem alterações prejudiciais à contratação dos estudantes. Segundo Mencaci, essa Lei resulta em mais jovens estagiando, pois não onera em impostos. Desta forma, não existe INSS, FGTS, 13º salário ou rescisão contratual. Tais fatores estimulam o empresariado a contratar.

Vários agentes de integração, como o Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) pertencem ao quadro de associados da Abres. Para Seme Arone Jr., sócio-diretor do agente, as melhores companhias já selecionam com o objetivo de formar novos talentos para sua equipe. “O jovem absorve a cultura da empresa e, futuramente, pode exercer qualquer cargo efetivo. O estágio cumpre um papel social”.

A atual conscientização sobre o estágio também apagou o mito do serviço barato. “O estagiário gera um custo para o empregador, pois necessita de treinamento. Muitas vezes, o jovem fica até três meses sem produzir nada. Esse período pode ser mais longo, até ele entender o funcionamento das engrenagens da empresa”, ressalta o presidente da Associação.

Mesmo com a prática do estágio, o horário das aulas do estudante deve ser respeitado. Arone afirma que as empresas conscientes conseguem oferecer uma carga horária flexível e entender quando o jovem está em fase de provas para liberá-lo. “Acho interessante a organização ficar com o estagiário por mais de quatro horas e, no máximo, oito. Assim, ela enxerga os pontos fortes e fracos desse jovem, ao mesmo tempo que aumenta a possibilidade do mesmo ser visto e reconhecido”.  

Além disso, de acordo com a Lei de Estágio, não há vínculo empregatício entre o estudante e a empresa. A realização do estágio depende de um termo de compromisso celebrado entre o estagiário e a parte concedente, com intermédio obrigatória da instituição de ensino. Outro benefício é a complementação do aprendizado do jovem, dentro de sua área de estudo.

Para Arone, a prática do estágio curricular deve ser levada a sério por todos os agentes de integração. “Promover um estágio não significa colocar um estudante de Administração para atuar em uma área jurídica, e sim fazer com que ele aprenda na prática a teoria da faculdade, além de contar sempre com o apoio de um tutor”, finaliza o diretor.