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Oportunidades de estágio remunerado no exterior
por Camila Micheletti

Que tal treinar o idioma, trabalhar na área que você escolheu, viajar - e ainda receber por isso? Esta é a proposta da CI – Central de Intercâmbio, agência brasileira de turismo educacional, que está com 350 vagas de estágios no exterior abertas para brasileiros. As oportunidades foram trazidas da conferência realizada em Bangkok (Tailândia) no mês de janeiro pela IAESTE, membro consultivo da Unesco que realiza intercâmbio entre estudantes de mais de 70 países.

De acordo com Fabiana Fernandes, supervisora de estágios da CI e responsável pela Iaeste Brasil, as inscrições vão privilegiar quem se inscreveu com antecedência. "Mas isso não quer dizer que as vagas já estão encerradas. Quem tiver interesse deve participar". Os pré-requisitos para este programa são o vínculo universitário - pode ser graduação e pós - e a idade, entre 18 e 28 anos. Tem mais oportunidades de ir para um país concorrido o estudante que conseguir indicar mais vagas de estágio em empresas aqui no Brasil. O estudante que não indicar nenhuma também pode ir, mas as chances são menores. E ele pode cair em um país pouco conhecido, como Equador, Grécia ou Croácia.

Como o próprio nome já diz, IAESTE quer dizer "The International Association for the Exchange of Students for Technical Experience", então a grande maioria das vagas acaba sendo para áreas mais técnicas, como Engenharia, Computação e Arquitetura. Para Fabiana, o estudante deve ter muita flexibilidade e estar aberto para estudar onde houver vagas - pode ser na Alemanha, Espanha, no México ou na Grécia. "Nós apenas indicamos as vagas. É trabalho do estudante ser pró-ativo e batalhar para ser reconhecido. Temos casos de pessoas que foram para lá e acabaram sendo contratadas, ou mesmo no caso de empresas que tinham filiais aqui, alguns felizardos já voltaram para casa com emprego garantido", afirma ela.

O resultado sai no próximo dia 15 de março, quando a CI dará retorno confirmando se o candidato conseguiu ou não a vaga. Em caso positivo, ele paga uma taxa de US$ 230 pelo intercâmbio mais inscrição de R$ 50, a passagem aérea e o seguro saúde. Há ainda uma taxa garantia de R$ 300 que é devolvida ao final do programa.

Os estágios acontecem de julho a dezembro e têm duração de dois a seis meses. "O salário que o estudante recebe varia de acordo com país e empresa, porém sempre é o suficiente para custear despesas básicas como acomodação, refeições e transporte, conforme exigência do programa. Na Alemanha, por exemplo, são 600 euros". Fabiana esclarece que o objetivo não é ganhar dinheiro - é ganhar experiência pessoal e profissional. "Quem quer voltar para casa com respaldo financeiro deve optar pelos estágios remunerados, que ocorrem em parques, estações de esqui ou mesmo como au-pair (babá)".

Alexandre Augusto de Carvalho, de 28 anos, participou de um estágio de dois meses em Engenharia Civil em Madri, na Espanha. O estudante afirma que teve muita sorte porque seu chefe direto fazia questão de explicar tudo a ele, o que fez com que ele compreendesse mais sobre o trabalho da empresa. "A viagem foi muito proveitosa, mas sem dúvida o maior ganho foi ter conhecido gente do mundo todo". Esta é a grande polêmica dos estágios no exterior: muitos estudantes afirmam que aprenderam mais no campo pessoal - de trato com pessoas, convivência com habitantes de outros países - do que no aspecto profissional propriamente dito - que, teoricamente, seria mais importante.

Na opinião de Adriana Fornazari, que em 2000 fez um estágio de um mês e meio em Arquitetura na Macedônia, o mais legal da sua viagem foi conhecer o país, sem dúvida um dos mais ricos em construções arquitetônicas. Ela conta que foi para a Macedônia por falta de opção - os países mais concorridos já haviam sido escolhidos antes por outros estudantes - mas no final acabou gostando muito da experiência. "Além das construções, gostei muito do povo de lá, extremamente hospitaleiro. Nas horas livres, conheci algumas mesquitas e visitei cidades vizinhas, como a Grécia".

Dificuldades

Em um país estranho, é de se esperar que alguns problemas apareçam. Alexandre conta que teve algumas dificuldades com a acomodação: "A Iaeste da Espanha não é tão profissional quanto a daqui. O processo de arrumar um lugar é feito de última hora, e você tem que aceitar o que eles oferecem. Cheguei a pegar percevejo em uma república que fiquei e fui parar no hospital. Além disso, o preço do aluguel pode sair mais alto que o indicado".

Alexandre aconselha que o estudante não vá com muitas expectativas - assim não corre o risco de se decepcionar depois. "É bom lembrar que você vai como estagiário, que não é muito valorizado na maioria dos países. Conheço casos de pessoas que foram na esperança de que iam trabalhar com projetos e participar ativamente da empresa - e acabaram passando o tempo tirando xerox e fazendo serviços de escritório". Adriana conta que acabou não realizando nenhum trabalho manual de arquitetura no escritório que trabalhou, a maior empresa do ramo da Macedônia. "Eles não tinham projetos em desenvolvimento, então eu ficava visitando obras. Mas trabalho mesmo que é bom, não teve".

Por tudo isso, o estágio pode ser uma boa alternativa para quem quer aprender a se virar sozinho, conhecer pessoas e lugares novos e treinar o idioma. Se for o estágio dos seus sonhos, muito bem. Se não for, você ganha experiência pessoal para a vida toda, o que já é muito lucrativo.