Escrever bem na redação do vestibular pode definir a sua vaga na universidade
por Margarete Dias Pulido*

Qual seria sua reação ao abrir um site ou um jornal e encontrar falhas de escrita? Qual seria sua opinião sobre os responsáveis pelo site ou pelo jornal? Confiaria no que dizem? Gostaria de fazer parte do time deles?

Provavelmente você não os valorizaria, nem teria interesse em trabalhar com eles, ainda que em outros aspectos eles fossem muito bons. É fato: a primeira impressão é a que fica, e ela pode vir por escrito.

Igualmente, a banca examinadora do vestibular terá uma primeira impressão sobre você através da sua redação. As universidades de prestígio querem alunos maduros, capazes de se comunicar sem dificuldades: é o mínimo que se espera dos alunos de nível superior! Além do mais, no nível superior pressupõe-se que o aluno recém-chegado saiba escrever bem porque deverá escrever muito na faculdade.

Podemos dizer que a redação do vestibular tem o mesmo papel de uma foto do candidato. Se organizada e clara, indica um candidato organizado e claro na forma de pensar; se falha na ortografia ou na gramática, indica um candidato que não se interessa por estudar ou ler. Se difícil de ser entendida - lançando mão de palavras rebuscadas sem necessidade -, revela um candidato mais preocupado em impressionar do que em ser objetivo.

Isso sem falar nas ideologias imaturas ou de senso comum, as quais transparecem em tantas redações: algo aceitável até certa faixa etária, mas indesejado no nível superior. Será que você não está deixando passar uma dessas falhas?!

Como funciona a redação no vestibular

Os vestibulares propõem que o candidato escreva sobre algo. Essa proposta poderá ser um texto, uma frase ou até uma tira em quadrinhos. O candidato deverá escrever sobre o assunto extraído do que leu. Essa é a habilidade básica avaliada nos vestibulares de hoje: escrever sobre um assunto de conhecimento geral.

A redação que o candidato deverá escrever varia, geralmente, de 20 a 60 linhas, com ou sem título. O tempo para essa tarefa é de aproximadamente 1 hora e 15 minutos. Cada vestibular tem sua forma de avaliar, mas em geral os critérios são os seguintes:

· Abordagem: maturidade na forma de falar sobre o assunto, originalidade, capacidade de compreender e interpretar o que foi fornecido na prova.
· Estrutura dissertativa: clareza nas explicações, organização no papel, pensamento coerente.
· Linguagem: vocabulário em geral e correção gramatical.

A redação é entregue a um corretor para avaliação. Alguns vestibulares (notadamente de faculdades públicas) entregam as redações a mais de um corretor, o que permite uma avaliação mais precisa. Quanto à nota ideal para que a redação seja aprovada, há muita variação. Nos cursos mais concorridos das faculdades de prestígio, em geral não ficam abaixo de 7,0.

É bom lembrar que aqueles critérios usados para avaliar redações na escola (ensino médio) ou nos cursinhos costumam ser diferentes dos usados nos vestibulares. Daí o susto dos alunos quando descobrem que foram mal na redação do vestibular, apesar de sempre terem tirado notas altas na escola ou no cursinho! É aconselhável ter apoio de um professor particular o quanto antes para evitar essas tristes surpresas.

Dicas para escrever uma boa redação

Por um bom tempo acreditava-se em algumas dicas duvidosas para escrever bem. Aprendia-se que não se deve repetir palavras, deve-se iniciar com esta ou aquela expressão, não se deve usar perguntas no texto, não se pode usar “eu”, deve-se fazer parágrafos com 4 linhas, etc.

Em decorrência dessa busca por “dicas”, muita gente hoje sofre bloqueios (“brancos”), ou odeia escrever! Sem mencionar que textos criados a partir dessas “dicas” são pobres e sem originalidade - não têm mais chances nos vestibulares de hoje. Em redação não há certo ou errado: tudo depende do contexto.

O que existe são algumas sugestões das quais você pode se lembrar:

  • Não deixe para melhorar sua redação em cima da hora – você não tem real noção de como está escrevendo e poderá ser tarde demais
  • Escreva redações com freqüência (uma vez por semana é o ideal). Escrever se aprende escrevendo
  • Tenha sempre um professor para ler o que escreve e comentar – se ninguém ler o que você escreve como você vai saber se escreve bem? Mais: correções superficiais não ajudam, exija comentários detalhados, assim você evolui rápido
  • Leia revistas e livros de qualidade, pense sobre o que leu e converse sobre o assunto – isso vai lhe “injetar” idéias novas e impedir que você tenha “brancos”.

* Margarete Dias Pulido é licenciada pela USP em português e inglês, consultora de redação empresarial e tradutora de livros.