Vestibulando, valorize seus conhecimentos
Em tempos de reta final para o vestibular, o aluno deve concentrar-se naquilo que já conseguiu aprender para garantir um bom desempenho nas provas
por Ernesto Birner*
Daqui a cerca de dois meses, milhares de estudantes irão enfrentar os vestibulares para 2005. Quem passou o ano se preparando para os exames mais concorridos deve agora valorizar o que já sabe, ao invés de tentar compreender assuntos que não foram assimilados.
É um erro achar que é necessário dominar todos os assunto para ingressar em uma boa universidade. É impossível saber tudo. O estudante precisa conhecer a maior parte dos conteúdos exigidos nos exames, mas nenhuma prova exige 100% de acerto.
Um exemplo é o do candidato que vai prestar medicina na Fuvest, um dos cursos mais concorridos do país: caso ele não tenha compreendido durante o ano o tópico referente à Embriologia - normalmente cobrado em um teste da prova, ele não deve “perder tempo” tentando entender a matéria. Para conseguir um bom resultado, o estudante deve acertar cerca de 80 questões, já que a nota de corte gira em torno de 70 (a 1ª fase da Fuvest conta com cem testes). Por isso, não vale a pena investir em Embriologia, e sim aproveitar o tempo para garantir as matérias já assimiladas e que podem lhe render o acerto dos 80 testes.
Revisão – Com a aproximação das provas, é preciso dar início à revisão, que possui duas vantagens: revendo o que imaginava já ter esquecido, o aluno fica mais confiante; além disso, existem pontos ainda não sedimentados das matérias que podem ser melhorados com a revisão. Nesse caso, rever provas e simulados realizados durante o ano é uma boa dica.
Outro aspecto importante é não alterar a rotina de estudos, respeitando seus próprios limites. Aumentar as horas de estudo nessa fase pode comprometer o desempenho do candidato, que naturalmente não apresenta o mesmo “gás” do início do ano.
Algumas “paradas” entre os estudos também podem contribuir, assim como espaços para atividades que proporcionem bem-estar. Assistir a um filme, conversar com os amigos e descansar nos finais de semana ajudam o vestibulando a relaxar. Não cometer excessos com a alimentação e equilibrar as horas de sono também é essencial. O bom senso é a melhor forma de dosar o ritmo de cada um.
O papel dos pais
Os pais devem encontrar um equilíbrio, evitando serem omissos ou exigentes demais, já que ambos os casos podem prejudicar o desempenho do aluno. O pai desinteressado faz o aluno se sentir “órfão” e o exigente exerce muita pressão, fator extremamente prejudicial nesse momento.
Por isso sugiro que as famílias atuem como “parceiras” do aluno, acompanhando o que está acontecendo, sem cobranças. É importante lembrar que o vestibular é uma fase difícil, de grande competitividade. A possibilidade do aluno não passar existe e deve ser encarada com naturalidade.
Veja mais algumas dicas para transformar a época de vestibular em uma fase de aprendizado e confiança:
DICAS PARA O VESTIBULANDO:
- Assista às aulas com o intuito de aprender e não de decorar;
- Reserve no mínimo 4 horas diárias para o estudo;
- Procure equilibrar o sono, dormindo de acordo com sua necessidade;
- Após o estudo em casa, ocupe-se com atividades que lhe proporcionem bem-estar (assista a um filme, converse com os amigos, leia um livro, etc.);
- Pratique regularmente atividades físicas: elas são essenciais para o equilíbrio entre mente e corpo;
- Nos finais de semana, estude de acordo com o seu ritmo, mas priorize as atividades de lazer. Aproveite os domingos para relaxar.
* Ernesto Birner é coordenador do Anglo Vestibulares e orientador de pré-vestibulandos há mais de vinte anos.