O valor do diploma
por Luiz Gonzaga Bertelli
Seria absurdo negar que um diploma de prestígio conta pontos na avaliação de um candidato a emprego. É fato comprovado, por depoimentos prestados nos dois lados do balcão, tanto o dos responsáveis pela seleção quanto o dos contratados. Mas também seria absurdo acreditar que um simples diploma de escola renomada seja suficiente para eliminar os outros concorrentes. Ou, ainda, acreditar que a falta de uma grife escolar no currículo desqualifique, a princípio, o aspirante a um posto de trabalho - evidentemente, essa última afirmação vale para o crescente número de empresas que utilizam critérios modernos, racionais e flexíveis de recrutamento.A velha sabedoria popular ensina que quem não tem cão, caça com gato. Qual seria o gato que o aluno ou o recém-formado que não teve a oportunidade de freqüentar uma faculdade afamada teria? Aqui, ele já poderia começar a mostrar que é um bom candidato. O primeiro passo é descobrir quais são os outros requisitos valorizados pela empresa, o que mostrará iniciativa e capacidade de reverter situações - qualidades desejáveis que independem do diploma. Certamente, entre os critérios estará a vontade de aprender continuamente, a facilidade de relacionamento e a garra de quem pode avançar com esforço próprio.A vontade de aprender continuamente se traduz, na prática, pelos cursos pós-formatura, pela participação em seminários e simpósios, pela permanente atualização, não só na área de atuação como em outras atividades paralelas, além do domínio de dois ou mais idiomas estrangeiros.A facilidade de relacionamento resultará da preocupação de adquirir posturas que enriqueçam a convivência profissional, tais como a consciência da importância do trabalho em equipe, do respeito aos colegas, da ética no trabalho, da busca da eficiência, da responsabilidade de cada um no resultado global da empresa.A busca permanente do conhecimento e a prática da convivência profissional têm um ponto de confluência, de grande valor prático tanto para a empresa quanto para o candidato, no momento da seleção. Trata-se do estágio, uma experiência que une o mundo do saber ao mundo do fazer. Bem feito e bem orientado, o estágio seguramente valerá por uma desejável experiência anterior. Além de vivenciar a realidade do trabalho, o estudante esperto aproveitará a oportunidade para aprimorar as qualidades profissionais e pessoais valorizadas no mercado, buscando relacionar-se bem e extrair o máximo de conhecimento no ambiente de trabalho. A empresa, por sua vez, disporá de uma avaliação prática do potencial do seu futuro colaborador, reduzindo a margem de erro inerente a qualquer contratação.O candidato assim preparado poderá ainda ter a sorte de encontrar do outro lado da mesa um executivo formado em escola não classificada como de "primeira linha". Nesse caso, provavelmente será avaliado por alguém que descobriu, por experiência própria, que a boa formação acadêmica tem duas faces, como as moedas: uma é a qualidade da escola, e a outra é a qualidade do aluno. E mais: que a primeira, muitas vezes, é uma questão de oportunidade, ou mesmo de sorte. Mas a segunda, não. Esta é sempre uma questão de esforço, de busca de superação de limites e de capacidade de avançar, mesmo em condições não totalmente favoráveis. E se essa avaliação for feita por alguém realmente espetacular, o candidato com essas características poderá ser, para o futuro da empresa, uma aposta tão boa quanto a feita no renome da escola.
* Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do CIEE, diretor da FIESP/CIESP e da Associação Comercial de São Paulo - ACSP