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Para sua Carreira.

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Trabalhar também é sinônimo de bem estar
Novas profissões estão ganhando destaque no mercado de trabalho

Por Mila Motomura*

Há pouco tempo, as opções que o jovem tinha na hora de escolher sua carreira se restringiam basicamente a profissões tradicionais como Direito, Economia, Medicina e Engenharia. Hoje, no entanto, o leque de possibilidades está cada vez maior. O surgimento de novas carreiras, até então tidas como alternativas, é reflexo de  demandas modernas, como a maior integração entre os países, a velocidade da informação, a segmentação do público e a personalização dos serviços oferecidos. Pesquisas indicam que os profissionais têm priorizado cada vez mais a vida pessoal em detrimento da estabilidade profissional.

Dados recentes mostram que, enquanto na década de 60 91,6% dos empregados acreditavam ser mais importante a vida profissional, atualmente, para 53% dos brasileiros vale mais priorizar a vida pessoal do que o trabalho. O momento da escolha da profissão, entretanto, continua cercado por muitas dúvidas e confusões e, no âmago da questão, uma grande dúvida permanece: será que é possível ganhar dinheiro fazendo o que se gosta?

Não é por acaso que cursos ligados ao lazer vêm surgindo em todos os cantos, afinal de contas, este setor se encontra em grande expansão e já movimenta algo em torno de US$ 5 bilhões, segundo a Embratur. A adaptação de grandes espetáculos originários da Broadway como Os Miseráveis, O Fantasma da Ópera e Hair , por exemplo, sinaliza um grande potencial de empregabilidade em áreas ligadas a dança e música. Sinal dos tempos. Convenhamos que pensar em ganhar dinheiro dançando num palco era utopia há menos de uma década.

Se por um lado, os palcos alimentam aspirações profissionais bastante tangíveis, a cozinha, por sua vez, ganhou um ar glamouroso nesses novos tempos, e já é possível dizer que se tornar padeiro, confeiteiro ou mesmo sommelier (especialista em vinhos) é também um grande negócio. Quer um exemplo curioso desta completa inversão de paradigmas? Foi criado este ano em Minas Gerais um curso de especialização para fabricação de cachaça. Sim, já se ganha muito dinheiro no País com isso e a tendência, com trabalho de incentivo às exportações que os produtores vêm fazendo, é que a demanda de mão-de-obra para este segmento seja cada vez mais qualificada.

Em oposição a estes sopros de inovação no mercado de trabalho, a situação continua problemática: pesquisas indicam que 74,5% dos brasileiros estão infelizes com suas atuais ocupações. Apesar das novas e até inusitadas carreiras darem mostras de que é possível aliar satisfação pessoal e sucesso profissional, a segurança de fazer faculdades tradicionais ainda convence muitos jovens a desistir do que realmente gostam para ter um "futuro garantido". Devido a padrões que nos são impostos, associamos todas as nossas ambições ao retorno financeiro, enquanto o que deveria prevalecer seria justamente o inverso, ou seja, o dinheiro deveria ser  a conseqüência dos nossos atos e não a causa.

São 528 mil novos profissionais "despejados" anualmente no mercado de trabalho. A saturação de certas áreas de interesse é evidente. Estima-se que 8% dos 3,3 milhões de brasileiros formados no ensino superior entre 1992 e 2002 exercem função abaixo de sua qualificação. Há uma infinidade de casos de advogados que viraram sorveteiros, médicos que se tornaram atendentes e engenheiros que foram trabalhar como empregados da indústria alimentícia.

Obviamente, carreiras tradicionais, como as mencionadas acima, continuam sendo e sempre serão muito valorizadas e deve-se sempre estimular o jovem que acha que tem vocação para segui-las.  Do mesmo modo, nada contra ser sorveteiro ou atendente, desde que seja por vontade própria.  No entanto, cabe mais do que nunca o incentivo a idéia do "fazer diferente". É preferível agüentar uma fase inicial com ganhos menores, mas fazendo o que se gosta, do que ingressar numa profissão com resultados financeiros imediatos, porém detestando o que se faz. Seja qual for o rumo, é preciso estabelecer metas a curto, médio e longo prazo e, fundamentalmente, acreditar que ir atrás de realização de sonhos e desejos é o caminho mais indicado também para quem quer atingir o sucesso profissional. Enfim, trabalho deve ser sinônimo de bem estar.

*Mila Motomura é diretora da Oficina de Carreira