Liderança despreparada
Funcionários são promovidos a líderes sem base em critérios profissionais

Por Davison de Lucas*

Uma pesquisa do Gallup mostrou que dois terços dos funcionários que deixam seus empregos, na verdade, estão se demitindo de seus chefes, e não das empresas.

É lógico que cada caso é um caso, e os dois lados da moeda devem ser analisados minuciosamente. Entretanto, atuando há mais de 13 anos como consultor, constatei que realmente existem muitas pessoas despreparadas em cargos de liderança.

Nas pequenas e médias empresas, pouquíssimos funcionários foram promovidos a líderes com base em critérios profissionais. A maior parte foi promovida por ser proprietária do negócio, por ter conhecimento técnico profundo, por dedicação e por politicagem. Infelizmente, o principal requisito que é saber lidar com pessoas geralmente não foi e não é priorizado.

Uma ignorância empresarial arriscada, considerando que são as pessoas que formam a principal força ativa da empresa.

Deveria ser aprendido em casa a lidar com pessoas, na educação familiar, mas geralmente não é. De maneira geral, nossos pais copiaram nossos avós, que deixaram muito a desejar nesse aspecto, com raríssimas exceções. Muitos deles não sabiam nem lidar com animais. Tanto é que quase acabaram com todas as espécies da fauna. É compreensível, pois na época os estudos da psicologia davam os primeiros passos no País.

Se não bastasse essa carência, a liderança atual, de maneira geral, vive muito apressada. Atualmente, não é fácil administrar as variáveis provindas dos processos internos da empresa, dos clientes, dos concorrentes e do mercado em geral. É o poder sem tempo, criando ambientes frios.

Antes de mais nada, o ser humano equilibrado quer e precisa do calor humano. Os que não valorizam o calor humano estão desequilibrados e não percebem. Geralmente, estão em estado de fixação mental, com isso, nada ouvem, nada sentem e nada vêem (além de seus objetivos).

Uma liderança preparada, consciente e equilibrada pratica pelo menos a empatia, que significa “colocar-se no lugar do outro”, visando compreender melhor os pensamentos do próximo, as suas palavras, as suas ações, os seus hábitos e o seu caráter.

A empatia é um instrumento inteligente a favor da comunicação, pois cria receptividade entre as pessoas, favorecendo melhorias nas relações interpessoais.

Como conseqüência, o ambiente fica propício à produtividade e à qualidade. Devido a esse descuido empresarial, o que mais me preocupa é o fato de as empresas perderem talentos. Já não é fácil consegui-los, agora imagine se o Brasil elevar seu PIB acima de 5% nos próximos anos. Com certeza as organizações com lideranças incompletas terão problemas sérios para obter e reter profissionais qualificados, com isso o papel do líder passa a ter, cada vez mais, uma importância ainda maior.

Considerando o aumento das exigências interpessoais, excesso de informações e formas de gestão empresarial que provocam transparência, acredito que em um curto espaço de tempo, a liderança que não se aperfeiçoar em assuntos ligados à psicologia humana não sobreviverá.

Tudo está mudando. A mudança é contínua e com o perfil da liderança ideal não poderia ser diferente.


*Davison de Lucas é diretor da M. Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.