O que é sucesso para você?
por Cynira Arruda
Lemos tudo que nos é possível, freqüentamos o maior número de cursos e palestras, vemos e ouvimos tudo que possa melhorar a nossa performance e a nossa motivação, para que possamos conseguir mais desempenho e subirmos mais degraus na escada do sucesso profissional e pessoal. E saber o que é o sucesso para cada um de nós é que é o segredo de uma vida mais agradável e menos angustiante, porque, se formos pela cabeça dos outros, daquilo que acham que é o sucesso que devemos atingir, enlouqueceremos, ou melhor, ficaremos infelicíssimos.
O que é o sucesso para a mãe ou mulher de um executivo pode não ser para ele, nem o que pensa o seu melhor amigo sobre o que é uma pessoa bem-sucedida poderá ser adequado para você. O sucesso é fazer o que gostamos. Realizarmo-nos com o que produzimos, mesmo que para isso seja necessário levar a vida com muito menos dinheiro.
É preciso ter em mente que o sucesso é o que nos deixa satisfeitos, é aquele que nós próprios determinamos e não o sucesso que a maioria acha que é “o” sucesso, isto é: fama, glória e poder. Você pode sentir-se muito bem-sucedido com uma granja no Interior, levando uma vida pacata, mesmo que aos olhos dos outros você seja julgado como um sujeito sem ambições, sem capacidade para grandes vôos.
Pensando nos “outros”, é sempre bom lembrar o que Sartre disse: “O inferno são os outros”. É indiscutível que a nossa vida se torna um inferno quando deixamos que muitos interfiram nela. Em nossa vida profissional é quase impossível vivermos sem a interferência “dos outros”. Por isso, lemos e freqüentamos cursos de desenvolvimento profissional e pessoal, para agüentarmos os embates, as pressões, as angústias que vivemos em nosso ambiente de trabalho. Sem falar nas sabotagens e puxadas de tapete.
Viver nossa vida profissional como se fôssemos recheio de sanduíche é tremendamente desconfortável e insalubre. Mas, em todas as empresas, especialmente nas grandes, os que estão em cima têm medo de que você queira o lugar deles, e os debaixo querem evoluir e conquistar o seu lugar.
É complicado viver dentro dessa panela de pressão. E nossa cabeça parece um liqüidificador, na mais alta velocidade, tentando pôr em prática tudo que lemos , ouvimos e estudamos, para amenizar essa sensação de impotência que nos sufoca tantas vezes.
Em muitas profissões dependemos dos outros para que as operações sejam concluídas, e o negócio se concretize. Portanto, temos de ter muita paciência, diplomacia, e deixar o sangue correr normalmente em nossas veias, sem ferver e cozinhar o nosso cérebro. Para isso é preciso que tenhamos a sabedoria oriental de deixar nossa mente quieta como se fôssemos monges budistas. Não há outro jeito, caso contrário, nossa máquina explode. Literalmente. O coração não agüenta e pifa.
De todas as técnicas que podemos usar a mais eficaz é a da cabeça vazia, que é o que pretendemos quando meditamos. A meditação, você sabe, é trocar esse turbilhão de pensamentos por nenhum pensamento, especialmente aqueles que nos afligem. Para pessoas agitadas e inquietas isso é muito difícil, do mesmo modo que é tentar visualizar telas coloridas, mandalas ou paisagens gostosas e tranqüilizantes. Essas pessoas conseguem mais facilmente, no início, desligar os pensamentos congestionados se usarem um “mantra pessoal”, ou seja, algo fácil e simples para falar, que já esteja memorizado e traga uma sensação familiar e confortável. Por exemplo: dizer repetidamente uma oração que você aprendeu em criança e lhe dá a sensação de familiaridade e conforto mental . Eu rezo muitas ave-marias. Ficará fácil ir falando uma atrás da outra, sem pensar em nada, nem mesmo nas palavras que estão sendo ditas baixinho. Você escolhe o que lhe for mais conveniente e confortável e vai falando ou visualizando. Agindo assim, você estará trocando a agitação mental por instantes de quietude em seu corpo também. Ao longo do dia.
Agora, para meditar mesmo, o ideal é fazê-lo na mesma hora todos os dias. Uns preferem pela manhã, ao acordar, porque a mente está leve, e outros preferem à noite. O tempo tem de ser aquele que você ache que é confortável. Você pode começar com dez minutos e ir aumentando à medida que percebe que pode ficar quieto e sentado. A monja Thubten Chodron ensina que podemos começar “seguindo o que nos inspira o nosso mestre espiritual”. Rezar algumas orações para tomar refúgio. Depois fazer um pouco de meditação voltada para a respiração. É um tempo em que estamos sós, um tempo tranqüilo, e podemos digerir nossas experiências, examinar as nossas vidas, cultivar as nossas boas qualidades e a nossa boa companhia.
Precisamos aprender a gostar de estarmos com nós mesmos, precisamos perceber que somos nossa mais importante companhia. E nos admirarmos e querermos bem.
Temos a necessidade de sentir que o controle sobre nossas vidas é nosso, ao menos o dos nossos hábitos, já que não podemos ter essa certeza em nosso trabalho, em nossa vida amorosa e familiar. A incerteza de que permaneceremos empregados, ou mantendo o nosso negócio, por exemplo, a incerteza de que nossa relação amorosa continuará, são alguns fatos em nossa vida que nos tiram do prumo e colocam nossa mente girando a mil rotações por segundo, tornando-nos sujeitos a doenças e total descontrole físico e emocional.
Com a meditação essa ebulição interna fica controlada. Mas, para que haja uma melhora efetiva temos de mudar nossa forma de ver os fatos e entender que as mudanças diárias serão para o nosso bem-estar e a nossa promoção profissional e social. Não é fácil tirar de dentro de nós o hábito adquirido, em anos, de nos sentirmos seguros com o que estamos acostumados e conhecemos. E de termos receio do que é desconhecido.
Precisamos dar um outro significado para esse arraigado conceito. Mudar o paradigma, que significa exatamente mudar a forma de pensar sobre um determinado fato. Ou seja, no lugar de achar que qualquer mudança profissional ou pessoal será para piorar a situação, temos de entender que as mudanças - mesmo que no primeiro momento pareça que estão acontecendo em nossas vidas para nos desestruturar - estão acontecendo para que possamos crescer, evoluir, prestar atenção ao modo como estamos vivendo, e tomar outro caminho.
A maioria dos seres humanos tem tendência a acostumar-se com a situação que vive no momento, e ao pensar em qualquer tipo de mudança imagina que será para pior. Essa crença tem muito poder porque tem o poder da fé. Só que nesse caso é a fé negativa, a que acredita que tudo vai dar errado. Como já sabemos que será feito conforme a nossa fé, isto é, da forma que acharmos e acreditarmos que acontecerá, vai acontecer exatamente do jeito que estamos pensando e acreditando que acontecerá, ou seja, a fé negativa vai acontecer, porque nossos pensamentos tomam forma materializando-se. Os esotéricos sabem disso. Os pensamentos se materializam: os bons e os maus pensamentos. Portanto, ao acreditar que a mudança é para pior, assim ela será.
Ao mudarmos nossa maneira de encarar as inúmeras mudanças pelas quais passamos, diariamente, sentindo que serão para uma melhora em nossas vidas, estaremos modificando o nosso paradigma a respeito desse conceito. Porque mudança não quer dizer que uma situação ruim virá a seguir, mesmo que nos pareça que será assim, como no caso de perdermos um emprego, um bom negócio, uma promoção esperada ou um amor.
Óbvio que inicialmente administrar essa situação é infernal, mas aí é que está a diferença entre aqueles que têm a fé positiva, que acreditam que se sairão bem nessa nova etapa de vida, e aqueles que têm a fé negativa, que pensam e sentem, dentro da carne, que tudo será uma ruína.
Acalmando nossos pensamentos com a meditação, e com a crença de que o que está acontecendo conosco é para uma melhora de situação, embora pareça que é uma destruição total, conseguiremos atravessar essa fase terrível de forma mais saudável e confortável.
Há uma máxima budista que diz que tudo é impermanente. Nada é estável. Tudo muda o tempo todo. Essa verdade é para muitos apavorante. Acreditam sempre que as mudanças são para pior. E a realidade é que podemos mudar sempre para melhor e sermos mais e melhor amados por outra pessoa que apareça, ou termos um trabalho mais compatível com o que queremos e por aí vai.
O que fazer então? Estarmos sempre preparados para as mudanças que deverão acontecer. Desde não ficarmos frustrados porque o jornal não chegou na hora certa para tomarmos o café lendo-o, até uma mudança drástica dentro da empresa para a qual trabalhamos.
Cada mudança dentro da empresa é como se estivéssemos começando em uma nova empresa, com novos colegas, tendo de nos adaptar à política daquele núcleo e ao temperamento das pessoas. Gastamos tempo estudando, analisando e compreendendo como agem e como querem ser tratadas as pessoas que trabalham conosco. Esse estudo é básico para a nossa sobrevivência pacifica no trabalho e para que o mesmo flua tranqüilamente.
E, se não estamos satisfeitos, nós precisamos criar situações e funções novas para nós mesmos dentro da empresa e da nossa vida particular. Nos 30 anos de trabalho com o Silvio Santos eu criei várias situações profissionais para mim onde o meu trabalho pudesse ser significativo e inovador. Em duas ocasiões ele definiu o que precisava especificamente de mim. A primeira em 1972, quando me convidou para ser jurada do seu programa de calouros e a segunda, quando fui ser gerente de produção do programa Jô Soares, recentemente, antes de ele retornar para a TV Globo. Outras eu fui inventando, e sempre com bons resultados.
Com essas experiências pude perceber que, se nos anteciparmos e mudarmos o jogo, o rumo dos fatos, antes que haja uma mudança sem nossa vontade, é melhor. E, se a mudança acontecer sem que estejamos preparados, temos de encará-la como um meio para crescer. Dessa forma nos sentiremos melhor. Porém, nem sempre podemos fazer isso. É quando devemos deixar nossa mente vazia com a meditação, e nosso corpo saudável para enfrentarmos novos desafios.
Se você está passando por um momento difícil, tenha calma e perceba as prioridades e também o que pode fazer para resolver essa situação, e o que não pode, e mãos à obra, porque todo momento difícil vem para o nosso crescimento, para o nosso aprendizado e, conseqüentemente, o nosso progresso como seres humanos.