Vamos fazer um plano de vôo?
Oito passos para você construir (ou manter) uma carreira extraordinária, independentemente da fase em que se encontra. São exercícios permanentes, que devem ser realizados por todos: empregados, desempregados, iniciantes, consultores e empreendedores

por Arthur Diniz*

"Existem cinco tipos de profissionais: aqueles que fazem as coisas acontecerem; aqueles que acham que fazem as coisas acontecerem; aqueles que observam as coisas acontecerem; aqueles que se surpreendem quando as coisas acontecem; e aqueles que não sabem o que aconteceu". – anônimo .

Decidir uma carreira não significa escolher somente a sua área de atuação profissional. É optar por caminhos, ambientes e pessoas que estarão com você durante a maior parte da sua vida. Planejar sua carreira, portanto, significa planejar a sua vida. Em meu trabalho como coach profissional tenho visto muitas pessoas que não se dão conta disso. Algumas não planejam absolutamente nada em suas carreiras e outras, por sua vez, que esquecem seus valores mais importantes nesse planejamento. O resultado são profissionais trabalhando naquilo que não gostam e, obviamente, obtendo resultados muito abaixo do seu verdadeiro potencial.

Uma das grandes causas dessa frustração, na minha opinião, é a busca frenética pela famosa empregabilidade. Profissionais de todas as áreas são incentivados e pressionados a perseguir uma formação específica como forma de diferenciação para que obtenham os “melhores” empregos. Isso faz com que busquem avidamente complementar sua formação acadêmica com MBAs, mestrados, idiomas e outros. A idéia é ter uma formação completa e atingir o nível máximo de empregabilidade. Criaram-se, assim, regras que todos devem seguir para se tornar empregáveis.

Muitos me perguntam se isso é uma coisa ruim. Afinal, buscar a empregabilidade não é “o certo”? Creio que é importante ressaltar, aqui, que “o certo” não existe. Procurar tornar-se apto para o mercado de trabalho sem saber qual o objetivo desejado é a melhor forma de conseguir bons empregos e uma eterna infelicidade. Isso acontece porque as questões mais importantes do processo de escolha profissional não foram feitas: “o que eu quero fazer com a minha vida?”, “o que é importante para mim?”. Um MBA pode ser fantástico para algumas escolhas de carreira e praticamente inútil para outras.

Sem esses questionamentos, geralmente o profissional vive uma situação de conflitos quando encontra um trabalho bem remunerado, mas que não lhe traz satisfação. Surgem oportunidades financeiramente excelentes, justamente porque ele adquiriu uma formação aprofundada – porém não sabia exatamente porque estava fazendo. Uma oportunidade puxa a outra e quando esse jovem - já não tão jovem - pára para analisar, se pergunta como será que chegou lá. Pode concluir que não gosta nem um pouco do que faz, mas já investiu tanto tempo e esforço naquela carreira, que a mudança se tornou um desafio de proporções dantescas.

A caminhada
Os oito passos para uma carreira extraordinária que descrevo a seguir são indicados para qualquer fase da vida profissional. São exercícios permanentes. Servem para empregados, desempregados, inicinates, consultores e empreendedores. Podem realmente ser a diferença que faz a diferença na carreira de cada um.

1. Descubra sua missão ou propósito de vida
O propósito de vida é uma lembrança de quem somos e do impacto que causamos no universo. Isso faz com que a vida seja completa e feliz. Descobrir a sua missão de vida pode ser uma tarefa desafiante para alguns. Porém, independentemente do esforço necessário, vale a pena. Se você conseguir encontrar uma missão de vida inspiradora, nunca mais terá problemas de motivação. Todos os problemas serão pequenos, quando comparados a seu propósito.

A minha missão de vida, por exemplo, é “ajudar pessoas a atingir resultados extraordinários em suas carreiras”. Essa missão faz com que eu me levante da cama todos os dias com alegria e paixão. Alguns clientes meus colocam como missão ficar ricos. Normalmente isso não traz inspiração suficiente. Mas há exceções. O que realmente importa é você saber que aquela missão vai lhe guiar e inspirar em todos os momentos.

Portanto, não há missão certa nem missão errada. O que lhe inspira profundamente? Qual é a sua paixão? Se você não conseguir encontrar uma missão de vida nesse momento, invente uma para continuar esse trabalho. Depois reveja e trabalhe nela com afinco.

2. Conheça seus valores profissionais
Seus valores no trabalho vão fazer toda a diferença entre as atividades e/ou empresas das quais você vai gostar e as que você vai odiar. O que é mais importante para você: aprendizado ou dinheiro? Trabalho de equipe ou reconhecimento? Gerenciar pessoas ou vencer desafios? Ser um especialista ou generalista? E por aí vai.

Cada pessoa tem seus valores e não adianta querer seguir aqueles que você acha que são mais valorizados pelas empresas ou pelos amigos. O que é realmente importante para você em qualquer trabalho que realize?

3. Saiba qual é o seu perfil comportamental
Conhecer a sua maneira de se comportar vai lhe ajudar a definir quais atividades você tem facilidade de fazer e/ou aprender e quais atividades vão ser mais difíceis. Algumas pessoas têm facilidade para tomar decisões rápidas e fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Outras conseguem analisar riscos com precisão e organizar tarefas de forma detalhada.

Em meu trabalho como coach, utilizo uma ferramenta automatizada para poder identificar imediatamente o perfil dos clientes e ajudá-los a identificar as atividades profissionais que se encaixam nesse perfil. Intuitivamente, pode parecer que cada um já conhece seu perfil, mas a minha experiência mostra que isso nem sempre é verdade.

Quando o seu perfil comportamental é compatível com os seus valores profissionais identificados no item acima, tudo fica mais fácil. Quando isso não acontece, fazemos um trabalho para desenvolver novas competências.


4. Transforme seus sonhos em uma visão de futuro
Você é capaz de sonhar? Você acredita que pode realizar seus sonhos? Você sabe o que é “sonhabilidade”? “Sonhabilidade” nada mais é do que a capacidade de um indivíduo manter vivos e realizar seus sonhos. É o contraponto ideal à “empregabilidade”. Eu proponho que, ao invés de buscar a “empregabilidade”, você volte a sonhar e realize seus sonhos.

Certamente, você já ouviu frases do tipo:

“Eu adoraria ser uma decoradora, mas é impossível ganhar dinheiro fazendo isso. Várias amigas minhas já tentaram e não deu certo.”

“Meu sonho é ser arquiteto, mas vou estudar engenharia. Assim terei chances bem maiores de conseguir um bom emprego.”

“Adoro trabalhar nessa área, mas ninguém consegue chegar muito longe fazendo isso.”

Os sonhos vão ficando para trás. E, com eles, a possibilidade de fazer algo que realmente seja prazeroso. Realizar sonhos fica em segundo ou até terceiro plano.

Na minha opinião, quem faz o que realmente gosta, acaba realizando essa atividade cada vez melhor e atinge seu potencial máximo. Com isso, o sucesso profissional e financeiro passa a ser mera conseqüência da realização de um sonho. Não deixe que ninguém lhe diga que seu sonho é impossível. Invente um jeito diferente de fazer o que você gosta. Nada pode ser mais recompensador do que a realização de um sonho.

Agora que você já sabe o que é importante, faça uma lista de tudo aquilo que gosta de fazer. Liste pelo menos 50 atividades que realiza por puro prazer e que lhe deixam feliz. Quanto mais, melhor!


5. Liste aquilo que você faz bem
Algumas pessoas muito críticas com si mesmas têm dificuldade em fazer isso. Uma alternativa eficaz é pedir às pessoas que lhe conhecem bem no trabalho, em casa ou entre amigos, que façam uma lista para você. A sua missão é encontrar pelo menos 50 atividades que faz bem. Não pare enquanto não atingir pelo menos 50.

Agora você pode escolher, dentre as alternativas encontradas nas duas listas, aquela (ou aquelas) que você vai implementar. Transforme essa alternativa na sua visão de longo prazo. Imagine-se daqui a 15 anos fazendo isso com sucesso absoluto. Essa é a sua visão de futuro.

Em seguida, descreva seus pontos fortes e pontos fracos, pois como você já tem uma visão de futuro, sabe onde quer chegar e quais são seus valores e missão, fica fácil escrever quais são seus pontos fortes e fracos. O que você já tem e o que falta desenvolver para chegar lá? Faça essa lista o mais detalhada possível. Peça a pessoas que lhe conhecem bem para ajudá-lo. Cumprida essa etapa, você acabou de concluir a fase do autoconhecimento. Você agora sabe tudo sobre você mesmo. Interessante, não?

6. Defina claramente seus objetivos
Você tem uma visão de futuro e sabe onde quer estar daqui a 15 anos. Agora precisamos saber como você vai chegar lá? Você já sabe também que tipo de atividade quer fazer. Falta definir em que ambiente você vai fazer o que escolheu. Pense nos fatores tangíveis e intangíveis que compõem seu trabalho ideal. Os fatores tangíveis podem ser medidos ou quantificados, como salário, bônus e benefícios. Os fatores intangíveis referem-se ao ambiente de trabalho, ou seja, autonomia, inovação, liberdade de expressão, cultura da empresa e valores corporativos.

Enquanto suas realizações e habilidades determinam sua capacidade para realizar um trabalho com maestria, os valores intangíveis vão ser decisivos para sua satisfação no dia-a-dia. Por exemplo, se você percebeu que precisa de muita liberdade e autonomia em seu trabalho, vai querer procurar um cargo em que o seu superior imediato e a matriz estejam a muitos quilômetros de distância ou vai querer ter seu próprio negócio.

Podemos, para efeito de simplificação, separar as possibilidades de carreira em três grandes tipos: emprego fixo, negócio próprio ou consultoria autônoma. Você pode escolher antecipadamente um dos três tipos ou seguir adiante com os três, para fazer a opção mais tarde. Para cada um desses tipos ou para o tipo de carreira que você escolheu, liste os fatores tangíveis e intangíveis que são importantes ou ideais para você.

Abaixo você confere um exemplo desses fatores no caso de ter escolhido o emprego fixo:

Fatores tangíveis

  • Perfil da empresa
  • Localização geográfica
  • Remuneração
  • Cargo

Fatores intangíveis

  • Cultura
  • Estilo gerencial
  • Clima organizacional
  • Profissionalismo
  • Estrutura
  • Perfil do chefe

Depois, é importante listar vantagens e desvantagens de cada tipo de carreira. Colocar isso num quadro facilita bastante a análise comparativa. Para cada tipo de carreira como emprego, negócio próprio e consultor autônomo, liste as vantagens e desvantagens.

Após fazer uma análise detalhada, pode-se escolher com facilidade. Se, nesse momento, você ainda não conseguiu definir seu caminho, há mais um passo a ser dado. Converse com pessoas que trabalham nas atividades sobre as quais ainda paira a dúvida. Reveja também toda a análise que você já fez. Imagine-se fazendo cada uma das alternativas. Qual dessas vivências lhe deixa mais entusiasmado?

Se todas tivessem 100% de chances de sucesso, qual você escolheria? Agora ficou fácil, não é?


7. Escreva seu plano de ação

Colocar o plano de ação no papel é um dos passos mais importantes para o sucesso do planejamento. Pesquisas indicam que apenas 3% das pessoas efetivamente planejam. Apenas 1% coloca seus planos no papel. Quem escreve seus planos alcança sempre resultados muito superiores. Aqui o plano de ação vai variar de acordo com a escolha feita no passo anterior. Pode ser:

  • Um plano para crescer dentro da empresa na qual você trabalha
  • Um plano para conseguir trabalhar em determinadas empresas
  • Um plano de negócios se você decidiu se tornar um empreendedor
  • Seja qual for o seu plano, é importante que todas as suas metas sejam específicas, mensuráveis e tenham uma data atrelada. Metas e objetivos sem data continuarão a ser apenas sonhos e dificilmente vão sair do papel


8. Administre seu networking

Independentemente da carreira que você escolheu, a sua networking (rede de contatos) é um de seus ativos mais importantes. Mesmo que você se ache o melhor profissional do universo, não subestime o poder de uma boa rede de relacionamentos. É a sua rede de contatos que vai ajudá-lo a implementar seu plano de ação, qualquer que seja ele. Mais de 80% das vagas de emprego são preenchidas por indicação. Não há como abrir um novo negócio sem o apoio de diversas pessoas. Pense nisso.

Algumas dicas importantes:

  • Tenha metas de networking como almoçar com pelo menos uma pessoa diferente por semana
  • Não procure as pessoas apenas quando você precisa delas
  • Não perca contato com seus ex-colegas de trabalho
  • Fale pelo menos uma vez por mês com seus amigos
  • Use o e-mail para marcar encontros com grupos de amigos
  • Conheça e use ferramentas como linkedin, plaxo, outlook e orkut
  • Não saia de casa sem o seu cartão de visitas

Conclusão

“Qual a sua missão de vida?”

“Qual a sua visão de futuro da sociedade e de si mesmo?”

“Quais são os seus valores mais importantes?”

“Quais são seus sonhos e como você pode realizá-los?”

“Quais tipos de atividades se adequam a seu perfil comportamental?”

“O que é importante para você na sua carreira?”

“O que você precisa fazer na sua vida para se considerar realizado?”

“Você tem potencial empreendedor?”

“O que é mais importante para você: dinheiro ou qualidade de vida?”

Para nenhuma dessas perguntas há respostas certas ou erradas, do mesmo jeito que não existem formações ou carreiras melhores do que outras por natureza. O coaching pode ajudar cada um a encontrar seu caminho, que é só seu. Sem regras nem preconceitos. Só seu.

É isso que chamo de migrar da empregabilidade para a “sonhabilidade”, ou seja, a capacidade de transformar seu sonho profissional em realidade, com sucesso. A empregabilidade se tornou uma ditadura com regras estritas a serem seguidas. A “sonhabilidade” nos deixa livres para fazer nossas escolhas.

Realize seus sonhos e tenha uma carreira extraordinária!

*Arthur Diniz é economista, tem MBA pela Columbia Business School, Certificado Internacional de Coaching pela Lambent e pela Erickson College, Canadá, e curso de extensão em Coaching Estratégico pela FIA-USP. Atua como coach e foi fundador da Crescimentum - Coaching for Performance.