Metas para 2006: + tempo e + dinheiro
Impossível atingir? Claro que não!

Sonhamos com o dia em que teremos mais tempo para nossa família, lazer, amigos ou para nós mesmos. Porém, trabalhamos cada vez mais e dedicamos a maior parte da vida às atividades profissionais ou de aprendizado – já que estudando mais teremos mais chances de crescer profissionalmente –, visando incrementar nossa renda.

Profissionais que recebem remuneração variável por hora ou na forma de comissões estendem ao limite da condição física suas horas de trabalho. Mesmo quem tem salário fixo normalmente excede o tempo contratual de trabalho, objetivando um reconhecimento futuro que pode se transformar em promoção. Algumas dessas situações fazem parte da sua rotina?

As riquezas mais desejadas de nossos dias - tempo e dinheiro - estão intensamente ligadas por nossas ações. Acreditamos que ganhamos pouco. Por isso, trabalhamos além do que gostaríamos, para um dia ganhar mais. Conseqüentemente, sobra pouco tempo para nossos momentos de lazer e, na ânsia de aproveitar melhor nosso tempo, não medimos esforços para conquistar mais bem-estar e, assim, gastamos mais dinheiro do que deveríamos, criando problemas financeiros. O resultado dessa receita é uma vida sem tempo e sem dinheiro, pois quanto menos tempo temos, mais gastamos, e mais distantes ficam nossos objetivos financeiros.

O fato é que trabalhamos demais porque aproveitamos mal nosso escasso tempo. E temos problemas financeiros porque aproveitamos mal nosso escasso dinheiro. Você certamente já se arrependeu de ter desperdiçado seu tempo após algumas horas de devaneio na frente da televisão ou do computador ou por ter gastado seu dinheiro após uma compra por impulso. Curiosamente, esses arrependimentos são freqüentes em nossa vida. A sensação de culpa é forte, mas são poucos os que efetivamente agem contra o desperdício de tempo ou de dinheiro. Parece fora de controle, como se fôssemos vítimas de nossas ações.

Reparar esse tipo de comportamento é mais simples do que muitos imaginam. As vítimas da falta de tempo e de dinheiro reconhecem que são desorganizadas e não sabem por onde começar a organização. Mas, não há muito segredo: reúna método e disciplina, com objetivos bem definidos e persiga suas metas.

Para ter mais tempo
Por Christian Barbosa*

Pode parecer simples, porém, ter mais tempo é uma questão de escolhas. E não adianta ter apenas mais tempo. Você precisa primeiro decidir o que vai fazer com ele. Em meus seminários, quando pergunto o que os participantes fariam se tivessem mais tempo disponível, algumas pessoas simplesmente não sabem responder. Outras dizem que dormiriam mais, que dançariam ou até que trabalhariam mais. Enfim, antes de se preocupar em ter mais tempo, procure saber o que fará com ele.

Esse motivo para ter mais tempo é tão essencial que será o propulsor e a motivação para manter hábitos de produtividade no seu dia. Da mesma forma quando se pensa em guardar dinheiro, sempre há um motivo maior por trás. É preciso ter uma razão para aproveitar seu tempo. Sem o objetivo, simplesmente a persistência desaparece.

O primeiro passo para ter mais tempo é entender como você o utiliza atualmente. Os modelos tradicionais de administração de tempo lançam mão de um conceito chamado Matriz do Tempo, que o divide em quatro quadrantes, pelos critérios da importância e urgência.

Apesar de bastante popular, esse modelo pode trazer algumas confusões principalmente quando você precisa distinguir o que é importante e urgente na sua vida. Desenvolvi uma nova visão, mais moderna e realista, sobre o uso do tempo. Trata-se do conceito Tríade do Tempo. A palavra tríade significa conjunto de três coisas. O tempo é sempre referenciado em três: dia, mês, ano; décadas, séculos, milênios. No computador, o número de maior precisão numérica para cálculos de banco de dados é o três; o átomo é composto por três elementos. Se você começar a reparar e pesquisar, o número três é de grande importância para a humanidade.

A Tríade do Tempo divide todas as atividades em três esferas: importância, urgência e circunstância. A definição de importante, pela Tríade, é algo que tem prazo para ser feito, vai lhe trazer resultados a curto, médio ou longo prazos. São atividades que estão conectadas à sua missão de vida pessoal, a seus papéis e sempre resultam em benefícios para você em todos os aspectos.

Urgências são todas as atividades em que o prazo terminou ou está curto e devem ser feitas imediatamente. Geralmente, trazem estresse ou pressão. Já circunstâncias são todas as atividades que desperdiçam seu tempo, que você faz sem total vontade ou devido à pressão de outras pessoas. São atividades feitas em excesso.

A principal diferença da Tríade para a Matriz é que a esfera da Urgência e da Importância não se misturam. Não existe nada importante e urgente simultaneamente. Isso é um grande engano. Pense o seguinte: se você precisa levar seu carro para consertar um barulhinho é algo importante. Se esse barulho cresceu e impede seu carro de andar, ir ao mecânico se tornou algo extremamente urgente. Separando as esferas, fica muito mais claro identificar como você gasta seu tempo.

Acesse o site www.maistempo.com.br e faça o teste da Tríade do Tempo e veja o gráfico que mostra como você utiliza seu tempo. O foco deve ser manter a esfera da Importância maior que as outras, reduzindo as Urgências e eliminando as Circunstâncias.

Sabendo onde você gasta seu tempo atualmente, o fundamental é decidir como gostaria de utilizá-lo futuramente. E isso exigirá de você uma visão de algo importante e planejamento para correr atrás desse objetivo.

Administrar o tempo não é uma simples série de dicas, truques ou eliminar desperdiçadores. Levei anos pesquisando para entender esse conceito. O mundo mudou tanto nos últimos dez anos, mas parece que a administração do tempo, simplesmente, parou no tempo.

Há dez anos, trabalhavam-se oito horas por dia e não havia e-mail e uma avalanche de informações entrando na tela do computador. Hoje, além das horas de trabalho, é preciso lidar com o e-mail, o conhecimento, os deslocamentos e colaborar com outras pessoas. Para ajudá-lo na empreitada para dominar o tempo, confira a seguir os princípios básicos e técnicas essenciais da Metodologia de Produtividade Pessoal:

Defina um objetivo
Pense em algo importante para fazer no seu tempo, que valha a pena viver e lutar por ele. Se o seu objetivo é ter R$ 1 milhão na conta, você precisará dividir esse objetivo em pequenas etapas (tarefas com data e responsáveis). Uma etapa inicial será aprender mais sobre finanças pessoais para saber qual a melhor forma de ganhar esse dinheiro. Outra etapa será abrir uma conta-investimento, outra será aplicar seu dinheiro. Defina seu objetivo em função da importância para sua vida, só dessa forma você terá persistência suficiente para levá-lo adiante.

Planeje sua semana
Um processo comum em administração do tempo é iniciar um planejamento semanal. Minha recomendação é que, no domingo (bem antes da hora de dormir), você olhe sua agenda da semana e pense em tudo o que precisa realizar. Primeiro, veja seu objetivo e quais etapas consegue alocar para fazer na semana. Depois, pense nas suas reuniões e antecipe possíveis problemas (se você tem uma apresentação na quarta-feira, por exemplo, providencie uma tarefa na segunda para evitar surpresas). Agora, adicione as atividades cotidianas. Pense na duração de cada uma e não exagere, pois deve sempre sobrar tempo para eventuais urgências.

Priorize seu dia
Quando você planejou sua semana, colocou tudo que deveria ser feito de importante, a priorização diária faz com que esse plano aconteça. Todos os dias recomendo que, primeiro, analise seu e-mail (para evitar esquecer eventuais atividades) e depois coloque em ordem numérica de execução (1, 2, 3) tudo o que será feito no dia de hoje. Siga esse cronograma, ele salvará seu dia! Caso seu dia ultrapasse seis horas de atividades planejadas, repense-o, pois não ter tempo de sobra para as urgências pode levá-lo a trabalhar mais do que previa.

Saiba dizer NÃO
Parece simples, mas dizer NÃO é muito difícil. A regra básica é: nunca diga sim para outra pessoa, quando estiver dizendo não para você mesmo. É melhor ser sincero e assertivo do que se comprometer e deixar suas tarefas importantes de lado em função das circunstâncias dos outros.

Esses são os passos essenciais.

Para ter mais dinheiro

Por Gustavo Cerbasi*

Há muita gente satisfeita com o fato de simplesmente terminar o mês sem estar com suas finanças no vermelho. Outros nem se importam ao usar um pouco do cheque especial, como se este fosse parte da renda mensal familiar. Esses sentimentos escondem uma armadilha perigosíssima para os bolsos das famílias. Os ganhos decorrentes de nosso trabalho não servem apenas para pagar as contas do mês. Um dia deixaremos de trabalhar, e nossa vida continuará. Nossos ganhos de hoje são os recursos que sustentam cada mês produtivo de nossa vida e que sustentarão, no futuro, nossa aposentadoria.

É, portanto, fundamental entender que nosso custo de vida jamais deve ser equivalente aos ganhos mensais, mas sim a apenas uma parte deles.

Uma regra de ouro que indico em meus seminários para aqueles que começam a traçar seu plano financeiro pessoal é dedicar ao menos 10% de sua renda a investimentos. Se esses 10% forem investidos durante 30 anos em renda fixa - ou seja, com extremo conservadorismo -, a poupança formada será capaz de gerar uma renda real equivalente aos rendimentos médios recebidos durante os 30 anos. Trata-se de construir riqueza ao longo da vida, ao invés de comprar bens que gerem despesas. Os quatro ingredientes para construir riqueza a partir do pouco que ganhamos são acessíveis. Você precisa de:

Tempo
É fundamental ter tempo para organizar sua vida financeira, ao menos uma vez por mês, e, também, para aprender mais sobre seus investimentos. Deve ser um processo contínuo de busca de informações sobre seus investimentos atuais e sobre aqueles em que você pensa em investir. Não se iluda: investimentos de risco, como ações, imóveis, moeda estrangeira, gado, avestruz e negócio próprio podem trazer grandes oportunidades, mas somente aqueles que realmente têm informação nas mãos é que ganharão muito. Dedique-se a estudar seus investimentos, por mais simples que sejam. Afinal, são sua garantia para uma longa fase da vida.

Juros compostos
Juros sobre juros enriquecem as pessoas. Não adianta nada acumular recursos para depois comprar um imóvel e viver da renda do aluguel. Isso é como aposentar-se em sua carreira paralela de investidor. Se você quer enriquecer investindo em imóveis, deve aprender a multiplicar ganhos, comprando barato e vendendo mais caro. Deve caçar oportunidades, pessoas desesperadas por vender a preço reduzido. Fazendo isso, você comprará por $100 o que pode vender por $110. Então, usará os $110 para comprar algo que pode vender por $130. Um dia, estará comprando por $1.000 o que pode ser vendido por $1.100. Estará, portanto, multiplicando aquele dinheiro que conseguiu acumular.

Decisões inteligentes
Você deve estar se perguntando: “OK, mas como achar as oportunidades?”. Aqui entra o resultado da dedicação de seu tempo. Quem estudar bem um mercado, conhecer seus preços e relacionar-se com um bom corretor – seja ele de imóveis, de ações ou o gerente de investimentos do banco – estará preparado para identificar as oportunidades. Se você ficar apenas aguardando trombar com elas, outros mais preparados as encontrarão antes de você.

Din-din
Dinheiro traz dinheiro, e, infelizmente, você precisa fazer sobrar algum se quiser enriquecer. Qualquer quantia serve, o importante é começar um plano de investimentos e esforçar-se para criar, no menor prazo possível, uma reserva financeira igual a pelo menos três meses de seus ganhos totais mensais. Aqueles que assistem às minhas palestras afirmam que é muito difícil cortar momentos de lazer ou a aquisição de um bem desejado para poupar R$ 100, principalmente quando se descobre que, após um mês, os ganhos com juros mal superam R$ 1. E essa sensação de mal aproveitamento do dinheiro persiste para quem consegue poupar regularmente durante vários meses. Porém, a sensação é outra quando a massa de recursos poupados é maior: quem investe R$ 100 mensais e já tem R$ 10.000 poupados percebe que seus investimentos crescem em um ritmo interessante, pois, além de seus aportes mensais, há outros R$ 100 aparecendo dos juros da aplicação. E a sensação de multiplicação de riqueza é nítida e confortante.

A receita que usa os quatro ingredientes para enriquecer é única: gaste menos do que você ganha e invista bem a diferença. E para gastar menos do que ganha você precisa saber onde e como você gasta seu dinheiro, o que muitos desconhecem. Experimente: pergunte a alguém que acaba de voltar do shopping quanto gastou – descreverá o que foi consumido em compras, mas provavelmente esquecerá o estacionamento e o cafezinho.

O exercício que sugiro a quem deseja limitar gastos é simples: durante apenas um mês, anote meticulosamente tudo o que você gasta a cada dia. Tudo mesmo. Ande com um papel no bolso para facilitar a tarefa. Ao final do mês, você provavelmente irá assombrar-se com o total de gastos, principalmente em itens imprevistos ou tratados como “extras”.

É com base nesse mapeamento que você deve criar regras para os meses seguintes, estipulando limites para gastos que podem ser cortados. Ofereço algumas dicas de otimização orçamentária no site www.maisdinheiro.com.br e em newsletters mensais àqueles que se cadastram.

Determine também verbas para gastos eventuais, como compra de roupas e presentes. Não ocorrendo essas despezas, acumule para os meses seguintes. Uma prática disciplinadora e eficiente, e muito usada por famílias de baixa renda, é adotar envelopes específicos para cada tipo de gasto. Assim que recebem seu salário, muitos dividem seu dinheirinho em diversos envelopes de onde tirarão recursos ao longo do mês somente para atender a tais finalidades: compras de alimentos, contas, presentes, poupança etc. Isso nada mais é do que uma versão elementar do orçamento doméstico.

Faça o mesmo! A cada mês, saiba de antemão como você espera gastar seu dinheiro. No meio do mês, tire um tempinho para analisar seus extratos e verificar se tudo corre como planejara. Se estiver fora de sua meta, aperte o cinto para o final do mês. Se a aplicação desse método parecer não funcionar, basta aumentar a freqüência com que o controle é feito: a cada dez dias, ou semanal, até criar maior disciplina com o uso do dinheiro.
Depois, você terá condições de aplicar aquela que chamo de Teoria dos Baldes. Imagine que seus ganhos mensais são pagos em um grande balde cheio de moedas, o Balde dos Rendimentos. Sua missão mensal é encher ao menos dois baldes menores, cujo tamanho você conhece bem: o Balde dos Gastos Básicos e o Balde dos Investimentos. No primeiro, devem estar incluídos todas as despesas necessárias para sua vida continuar segura, saudável e feliz. Isso inclui, portanto, lazer, cursos, passeios, presentes, obrigações com associações e igrejas, além dos tradicionais gastos com moradia, transporte, alimentação e saúde.

Mas a vida não se constitui apenas desses quatro últimos, certo? No Balde dos Investimentos, você deve despejar os recursos que atendem a seu plano de construção de riqueza, de acordo com o tempo que você tem para aplicar e com a eficiência de seus investimentos.

Para o sucesso de seu plano, esteja seguro do tamanho do Balde dos Investimentos: no mínimo 10% de seus ganhos mensais se você pensa em fazer reservas durante cerca de trinta anos, como já citei. O melhor é aplicar o valor previsto assim que receber seu salário e, daí em diante, administrar o restante do mês com o que sobrar da renda.
Nos meses em que receber algum extra, como o décimo-terceiro ou a restituição de imposto de renda, não tema em gastar além do que estava previsto no Balde dos Gastos Básicos. Se você já encheu o Balde dos Investimentos e o saldo em conta é maior do que estava previsto gastar, fique tranqüilo em torrar o restante, ou em planejar algum presente ou momento de lazer mais caprichado. Não há nenhum problema em cometer alguns exageros quando seu plano para o futuro já está assegurado. Isso é o que chamo de esvaziar o restante de seu Balde dos Rendimentos no Balde do Luxo.

Poupar é importante, mas poupar demais é tão danoso para a felicidade das pessoas quanto não poupar nada. Não poupar significa viver bem o presente e arrepender-se da escassez no futuro. Poupar demais significa construir um futuro rico em dinheiro, mas pobre em experiências.

Tratamos de equilíbrio em busca de qualidade de vida. Administrar bem seu tempo não significa dedicar menos tempo ao trabalho para aproveitar melhor seus momentos de lazer, mas usar melhor seu tempo de trabalho para que não roube seus momentos de lazer. O mesmo vale para o dinheiro. Planejar suas finanças não significa poupar o máximo que você pode, mas sim gastar o máximo que você pode sem colocar em risco sua capacidade de continuar pagando seu padrão de vida no futuro.

Para fechar, uma dica preciosa: lembre-se de dedicar um pouco mais de seu tempo a momentos com sua família. Além de custar pouco e contribuir muito para um futuro melhor, essa atitude “rouba” tempo que seria gasto com momentos de lazer caros, cujo custo dificulta a poupança para um futuro mais seguro. Uma questão de escolha.

* Christian Barbosa é empresário e palestrante especializado em produtividade pessoal e autor do livro Tríade do tempo ( Editora Campus )

* Gustavo Cerbasi é mestre em Administração e Finanças pela FEA/USP, formado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro e autor dos livros Dinheiro – Os segredos de quem tem e Casais inteligentes enriquecem juntos , ambos da Editora Gente.