Worklovers : os apaixonados pelo trabalhoPor Aline Oliveira
Avalie a seguinte situação: num escritório, uma pessoa está, ao mesmo tempo, falando ao telefone, respondendo um e-mail e conversando com o chefe. Na mesa, há pilhas de relatórios a serem respondidos e analisados, além de post-its com relação de afazeres espalhados por toda a tela do computador. Como você classificaria esse profissional? Um estressado, alucinado, workaholic ? Nenhuma das alternativas. Sabia que ele pode, muito bem, ser um worklover .
A terminologia foi criada no Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade Federal de Brasília e é usada para classificar pessoas que amam o que fazem e sentem enorme prazer em trabalhar. De acordo com o estudo, as profissões mais propensas à existência de worklovers são aquelas menos alienadas, nas quais o indivíduo é capaz de saber o significado de seu trabalho. “O worklover desenvolve muito bem seu papel, independentemente do reconhecimento da empresa”, defende Ilana Lisker, sócia-diretora da Search Consultoria em Recursos Humanos.
O grande diferencial do worklover é que para ele o trabalho não é apenas algo que serve para pagar as contas, mas uma fonte de realização. “O trabalho para um worklover tem um papel importante na vida”, explica Adriana Fellipelli, sócia-diretora da IDH Recursos Humanos.
Há quem acredite que a formação de um worklover começa na escolha do curso. “O futuro profissional deve estudar algo voltado para o interesse dele, porque isso já satisfaz um desejo dele como pessoa”, acredita o diretor da Unic Comunicação, o empresário e jornalista Josafá Vilarouca.
Vilarouca declara-se um worklover porque se realizou em todas as funções que desempenhou. “Formei-me jornalista e adorei ser repórter por muitos anos, mas agora não sou só jornalista, sou empresário, e tudo o que envolve o mundo dos negócios, hoje, me encanta”, completa.
Não è à toa que Vilarouca se encaixa nesse perfil. Jornalistas, professores, artistas e executivos estão na lista dos apaixonados pelo trabalho, pois, de acordo com os entrevistados, esses profissionais acreditam que estão sempre acrescentando e transformando algo.
Mas será que só de trabalho vive um worklover ? “Não. O worklover valoriza a qualidade de vida”, explica Ilana Lisker. O worklover não sacrifica os finais de semana, as horas de lazer com a família e os passeios. “Ele sabe manter um equilíbrio e não abre mão das coisas que gosta de fazer”, completa Adriana Fellipelli.