Aprendendo com os campeões
Ex-atletas, jogadores ainda em atividade e treinadores ganham espaço e público em suas palestras que motivam, ensinam a liderar, trabalhar em equipe, superar obstáculos... como nos esportes

por Mauro Cezar Pereira

Superação, vontade, capacidade de enfrentar adversidades, determinação. Muitas vezes ouvimos palavras e histórias do gênero quando o atleta ou a equipe alcança êxito em uma competição. Tais experiências servem de parâmetro para situações do dia-a-dia em diversas atividades profissionais. E é por meio delas que muitas empresas estão, cada vez mais, preparando, treinando seus funcionários e colaboradores.

Como portadores das mensagens que as organizações desejam levar a seus profissionais, esportistas relatam as situações por eles vividas e procuram estimular as pessoas. A idéia é utilizar a fama, o carisma para apresentar um conceito, uma idéia, partindo do princípio segundo o qual alguém conhecido, um ídolo, tem mais condições de transmitir determinada mensagem. E convencer.

“Os atletas, treinadores e ex-jogadores têm maior facilidade ao convencer os grupos do que uma pessoa desconhecida, por mais qualificada que seja”, compara Gilson Felizola Jr, diretor da Arena Sports Marketing Esportivo, que há quatro anos promove esse tipo de evento.

No início, empresas de grande porte, em especial multinacionais, eram as que mais contratavam as palestras feitas por desportistas. “Hoje há uma enorme diversificação, temos em torno de 100 clientes”, contabiliza Ricardo Andreu, que entrou para o ramo entre 1995 e 1996 e é sócio da pioneira Galeria de Esportes.

Entre os clientes, companhias diversas, de áreas não menos diversificadas. Já contrataram palestras de jogadores, treinadores e ex-atletas empresas como Du Pont, Danone, BCN, Cargill Volkswagen, Nestlé, Adidas, Siemens, Itaú, Telemar, Santander Banespa, Sudameris, BankBoston, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Avon, Camil, Fiat, Lacta, HP, Novartis, Honda, Vivo, Nokia, TIM, Bradesco, Unibanco, Souza Cruz, entre outras.

Até o surgimento de empresas especializadas, alguns desses personagens já faziam apresentações do gênero, quase sempre sem uma estrutura profissional. Eram participações esporádicas, muitas vezes acertadas a partir de convites que vinham dos próprios departamentos de marketing das companhias. Alguns, como o técnico de futebol Felipão, até hoje fecham presença em eventos por meio da própria assessoria. “Atualmente há um mercado e o atleta, ao parar de jogar, se dedica mais. O Oscar só faz isso há um ano, desde que deixou o basquete, e já acumula cerca de 250 palestras. Até na Argentina ele já foi”, conta Ricardo Andreu.

Histórias de atletas
No formato adotado, o uso de analogias é fundamental para que as apresentações se tornem atraentes. O esportista leva para a platéia suas histórias, conta como venceu as dificuldades e ali encaixa o recado que a empresa deseja levar aos empregados.

“Nunca tive problemas para convencer os atletas. A Hortência foi um caso especial, pois é muito ansiosa e disse que não iria sentir-se bem com a expectativa de ter que falar para várias pessoas”, conta Felizola. A saída encontrada foi a formatação de uma apresentação conjunta entre a “Rainha” do basquete e a ex-parceira de seleção Magic Paula, que também se apresenta isoladamente. Hoje a dupla é das mais requisitadas. “Com ela, Hortência fica segura. Quando a pessoa não se sente à vontade não adianta insistir”, adverte.

A grande dificuldade pode ser a agenda, especialmente dos que ainda estão em atividade. É o que acontece com profissionais muito requisitados, como os treinadores das seleções masculina e feminina de vôlei, Bernardinho e José Roberto Guimarães, respectivamente. Jogadores de futebol, com partidas duas vezes por semana, viagens e concentrações, também têm poucas datas disponíveis.

Entre os mais procurados aparecem Oscar, Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira. No caso dos treinadores, a palestra custa em torno de R$ 20 mil. “O pessoal do futebol e da Fórmula 1 vive outra realidade salarial e estabelece preços elevados”, ressalta o diretor da Arena.

Uma palestra de Nélson Piquet, por exemplo, é difícil de agendar. Empresário de sucesso, rico, o tricampeão da Fórmula 1 viaja em seu avião particular e só costuma aceitar se a empresa que o convidar tiver algum tipo de interesse ligado aos seus atuais negócios. Soma-se a isso uma pedida elevadíssima. Assim, mais acessíveis, basquete e vôlei acabam fornecendo muitos palestrantes. As mais baratas saem por R$ 5 mil a R$ 7 mil.

Os preços também oscilam de acordo com o local e dia da semana. Quanto mais longe da capital paulista, mais caro tende a ficar.

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