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A
mulher que trabalha por dois
por
Fernando Henrique da Silveira Neto*
Muito
se tem escrito sobre liderança, motivação,
delegação e gestão do tempo para executivos.
E é possível perceber que quase todos os textos
são escritos por e para os homens, que ao chegarem em
casa descansam e pensam consigo mesmo: dever cumprido por hoje!
Será que as mesmas soluções sobre tempo
se aplicam às mulheres executivas ou, de uma maneira
geral, àquelas que trabalham durante o dia, e quando
chegam em casa iniciam outra jornada como mães, mulheres
e donas de casa?
Nos
dias de hoje se espera das mulheres um desempenho semelhante
ao dos homens nos ambientes de trabalho. Talvez até um
pouco mais, como se isso fosse necessário para provar
que elas são capazes de trabalhar tão bem quanto
eles. Tudo que se espera da gestão do tempo de parte
de executivos e profissionais no trabalho é válido
para ambos os sexos.
O
problema é que ao chegarem em casa, passa a haver uma
distinção entre ambos. Não é que
muitos homens hoje em dia não ajudem em casa, mas admitamos:
não é regra geral. A imagem clássica da
chegada do homem em casa, desde os tempos de nossos avós
e pais, mostra o homem sendo recebido pela mulher com um par
de chinelos, indo tomar seu banho e jantando logo a seguir.
A mulher tinha ficado em casa cuidando para que tudo desse certo
nessa hora.
Mas
isso mudou, e muito. Não é raro encontrar mulheres
que saem de casa antes e retornam depois dos maridos, têm
responsabilidades maiores no trabalho, são mais qualificadas
e até ganham muito mais que eles. Os
reflexos disso no trabalho são inevitáveis, mas
algumas dicas podem ajudar nessa delicada tarefa:
- É
preciso que as mulheres admitam que vão ter de lidar
com problemas domésticos mesmo estando longe de casa,
como o filho que se machuca ou não quer comer, as lições
do colégio e o atraso do motorista levando as crianças
para o ballet e para o judô.
-
Os homens também devem aprender a conviver com as mesmas
mulheres, pois os minutos que elas gastam com a casa as deixam
tranqüilas e as fazem render muito mais logo a seguir,
certas de que seus problemas foram resolvidos.
- É
bom que as empresas também aceitem isso tudo como normal
daqui em diante; afinal, não são elas que falam
tanto em qualidade de vida?
O
reflexo na vida familiar e da casa também é grande,
e uma nova postura se torna necessária, principalmente
por parte dos filhos e do marido:
- A
primeira e grande mudança é o estabelecimento
de um pacto de ajuda mútua, no qual não se espera
que o outro faça, mas se faz quando é necessário,
cabendo a nós realizar naquele momento aquilo que outros
não podem fazer por qualquer motivo (abrir a porta
para a diarista, tomar recados ao telefone ou receber a roupa
que o tintureiro está entregando).
-
Todos devem ter tarefas a cumprir, e não apenas esperar
que a dona de casa o faça (afinal, é obrigação
dela?). Exemplos típicos são arrumar a cama
e botar a mesa.
-
Participar do processo de compras de supermercado, açougue
ou padaria, olhando não apenas o seu lado, mas também
a casa e a família. Isso implica em comprar não
só as guloseimas, mas também detergente, lâmpadas,
sabão e saco de lixo entre outros.
-
Estabelecer um lugar comum para troca de mensagens e avisos
que interessam a todos ou que podem influir nas decisões
do dia-a-dia. A geladeira é um lugar recomendado, pois
todos a usam com freqüência (lembretes sobre pagamentos,
informações do seu roteiro de hoje e telefones
onde pode ser achado, a nota dos remédios pedidos e
entregues pela farmácia).
- Respeitar
ao máximo as regras da proação, principalmente
se a casa não tem empregada ou se não é
dia da diarista. Traduzindo: não deixe o copo na pia
após beber água, pois ele não se lava
sozinho; estenda a toalha após o banho, pois ela não
voa da sua cama para o varal por si mesma!
- Evitar todas as formas adotar posições comodistas
e fugir das responsabilidades dizendo aos filhos: isso é
sua mãe quem decide!
Às
listas acima podem ser acrescentadas mil outras frases, simples
como essas ou não, mas o recado importante está
dado: empowerment, delegação, team building, proação,
planejamento e comunicação têm lugar não
apenas no trabalho mas sobretudo em casa.
Respeitar
a mulher que trabalha fora de casa ou não é a
proposta da nova família. Dividir com ela as responsabilidades
domésticas é sinal de respeito e maturidade. É
reconhecer que as mudanças no trabalho têm mais
chances de ocorrer se eu souber implantá-las antes no
meu ambiente familiar, onde os erros e acertos são tratados
com amor e carinho, e não como veículos de competição
e medição de resultados.
Além
disso tudo, quantas famílias só realizam sonhos
maiores de viagens, estudos e conforto por que são as
mulheres executivas que garantem todos ou grande parte desses
sonhos?
Você
achou o que leu com cara de déjà vu?
Talvez
seja porque nós homens saibamos agir, mas infelizmente,
não agimos como sabemos.
*Fernando
Henrique da Silveira Neto é consultor do MVC
- Instituto M. Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo
em Gestão do Tempo e Organização do Trabalho,
Reuniões, Gestão de Oportunidades, Excelência
de Serviços de Informática e Técnicas de
Apresentação.
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